XXX Semana do Tempo Comum

XX Semana depois da Oitava de Pentecostes

sábado, 26 de maio de 2012

A forma longa da Vigília de Pentecostes

Pax et bonum!

Esta postagem deveria ter surgido muito mais cedo, mas somente hoje encontrei certos materiais e textos a respeito.
Trata-se da celebração prolongada da Vigília de Pentecostes, citada primeiramente em 1988, na Carta Paschalis Sollemnitatis, da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, mas só inserida em 2008 como suplemento dentro do Missale Romanum, na editio typica tertia emendata.
Como ainda hoje não contamos com a tradução brasileira da edição típica terceira, e sobretudo agora, depois de 2008, com algumas emendas, não temos material oficial no Brasil, tal e qual se encontra no Missal latino atualmente.
Um dos colaboradores do blog Pray Tell postou no último dia 23 (quarta-feira), os textos em inglês que, creio, são os oficiais, da nova tradução do Missal Romano nos Estados Unidos.
Aproveitando este trabalho, segue uma versão nossa, embora tardia.
A forma longa é interessante, prevendo-se a junção com as I Vésperas de Pentecostes, e esta certamente seria a forma mais longa e solene.
Prevêem-se 4 profecias (as três após a primeira são alternativas para a primeira leitura quando se celebra a Missa da Vigília na forma comum, breve) e 1 epístola, digamos. O Glória não vem nos Ritos Iniciais, mas na passagem do Antigo para o Novo Testamento, na Liturgia da Palavra, como na Vigília Pascal.
As rubricas, a monição antes da Liturgia da Palavra e as orações após as leituras, com exceção da Oração após o Glória, são traduções nossas do inglês e, portanto, não oficiais. As outras orações, antífonas, leituras, salmos, o Evangelho e a bênção final estão com seus textos oficiais utilizados no Brasil.

VIGÍLIA DE PENTECOSTES
FORMA LONGA

Esta Missa da Vigília pode ser celebrada na tarde do sábado, antes ou depois das I Vésperas do Domingo de Pentecostes.
1. Nas igrejas onde a Missa da Vigília é celebrada na forma longa, pode-se fazer como se segue.
2. a) Se as I Vésperas celebradas no coro ou em comum precedem imediatamente a Missa, a celebração pode começar tanto com o verso introdutório e o hino ("Oh vinde, Espírito criador") como com o canto da Antífona de Entrada com a procissão e a saudação do sacerdote; em todo caso o Ato Penitencial é omitido (cf. Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, n. 94 e 96).
Segue-se, então, a Salmodia prescrita para as Vésperas, até a Leitura breve exclusive.
Depois da Salmodia, omitindo-se o Ato penitencial e, se oportuno, o Kyrie (Senhor, tende piedade de nós), o sacerdote diz a oração Concedei-nos, ó Deus onipotente, da Missa da Vigília.
3. b) Se a Missa começa da forma comum, depois do Kyrie (Senhor, tende piedade de nós), o sacerdote diz a oração Concedei-nos, ó Deus onipotente, da Missa da Vigília.
O sacerdote então pode admoestar os fiéis com estas palavras ou outras semelhantes:
Caríssimos irmãos,
iniciamos nossa Vigília de Pentecostes,
seguindo o exemplo dos Apóstolos e discípulos,
que com Maria, a Mãe de Jesus, perseveraram na oração,
aguardando o Espírito prometido pelo Senhor;
assim como eles, escutemos, também nós, a Palavra do Senhor com os corações serenos.
Meditemos nos grandes feitos que Deus realizou no passado por seu povo
e oremos para que o Espírito Santo,
que o Pai enviou como primícias aos que crêem,
possa cumprir com perfeição sua obra neste mundo.
4. Seguem-se as leituras propostas no Lecionário. Um leitor vai ao ambão e proclama a leitura. Em seguida o salmista ou canto canta ou recita o Salmo, deixando o refrão com o povo. Todos, então, levantam-se, o sacerdote diz Oremos e, depois de todos terem rezado em silêncio por um instante, diz a Oração correspondente à leitura. No lugar do Salmo responsorial pode-se observar um período de silêncio sagrado. Neste caso, a pausa após o Oremos é omitida.

Antífona de entrada (Rm 5,5; 10,11)
O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo seu Espírito que habita em nós, aleluia!

Ver o que foi dito acima sobre o Ato Penitencial.

Oração do dia
Oremos.
Concedei-nos, ó Deus onipotente, que brilhe sobre nós o esplendor da vossa claridade, e o fulgor da vossa luz confirme, com o dom do Espírito Santo, aqueles que renasceram pela vossa graça. por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
R. Amém.

Ver a exortação proposta acima.

Primeira Leitura - Gn 11,1-9
Leitura do Livro do Gênesis - Toda a terra tinha uma só linguagem e servia-se das mesmas palavras. E aconteceu que, partindo do oriente, os homens acharam uma planície na terra de Senaar e aí se estabeleceram. E disseram uns aos outros: “Vamos, façamos tijolos e cozamo-los ao fogo”. Usaram tijolos em vez de pedras e betume em lugar de argamassa. E disseram: “Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja o céu. Assim, ficaremos famosos e não seremos dispersos por toda a face da terra”. Então o Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. E o Senhor disse: “Eis que eles são um só povo e falam uma só língua. E isso é apenas o começo de seus empreendimentos. Agora, nada os impedirá de fazer o que se propuseram. Desçamos e confundamos a sua língua, de modo que não se entendam uns aos outros”. E o Senhor os dispersou daquele lugar por toda a superfície da terra e eles cessaram de construir a cidade. Por isso, foi chamada de Babel, porque foi aí que o Senhor confundiu a linguagem de todo o mundo e daí dispersou os homens por toda a terra. - Palavra do Senhor.
Graças a Deus.

Salmo Responsorial - Sl 32(33),10-11.12-13.14-15 (R. 12b) 
[O mesmo da sexta-feira da 6º Semana do Tempo Comum, ano impar]
R. Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
1. O Senhor desfaz os planos das nações
e os projetos que os povos se propõem.
Mas os desígnios do Senhor são para sempre,
e os pensamentos que ele traz no coração,
de geração em geração, vão perdurar. R.
2. Feliz o povo cujo Deus é o Senhor,
e a nação que escolheu por sua herança!
Dos altos céus o Senhor olha e observa;
ele se inclina para olhar todos os homens. R.
3. Ele contempla do lugar onde reside
e vê a todos os que habitam sobre a terra.
Ele formou o coração de cada um
e por todos os seus atos se interessa. R.

5. Após a primeira leitura (Sobre Babel: Gn 11,1-9) e o Salmo 32(33).
Oremos.
Concedei, ó Deus onipotente, nós vos pedimos,
que a vossa Igreja possa permanecer sempre sendo aquele povo santo,
formado como um só pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo,
que manifesta ao mundo o Sacramento da vossa santidade e unidade
e que a guia à perfeição da vossa caridade.
Por Cristo, nosso Senhor.
R. Amém.

Segunda Leitura - Ex 19,3-8a.16-20b
Leitura do Livro do Êxodo - Naqueles dias, Moisés subiu ao encontro de Deus. O Senhor chamou-o do alto da montanha, e disse: "Assim deverás falar à casa de Jacó e anunciar aos filhos de Israel: Vistes o que fiz aos egípcios, e como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim. Portanto, se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim a porção escolhida dentre todos os povos, porque minha é toda a terra. E vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. São estas as palavras que deverás dizer aos filhos de Israel". Moisés voltou e, convocando os anciãos do povo, expôs tudo o que o Senhor lhe tinha mandado. E o povo todo respondeu a uma só voz: "Faremos tudo o que o Senhor disse". Quando chegou o terceiro dia, ao raiar da manhã, houve trovões e relâmpagos. Unia nuvem espessa cobriu a montanha, e um fortíssimo som de trombetas se fez ouvir. No acampamento, o povo se pôs a tremer. Moisés fez o povo sair do acampamento ao encontro de Deus, e eles pararam ao pé da montanha. Todo o monte Sinai fumegava, pois o Senhor descera sobre ele em meio ao fogo. A fumaça subia como de uma fornalha, e todo o monte tremia violentamente. O som da trombeta ia aumentando cada vez mais. Moisés falava e o Senhor lhe respondia através do trovão. O Senhor desceu sobre o monte Sinai e chamou Moisés ao cume do monte. - Palavra do Senhor.
Graças a Deus.

Salmo Responsorial - Dn 3,52.53.54-55.56b (R. 52b)
[O mesmo da Solenidade da Santíssima Trindade, ano A]
R. A vós louvor, honra e glória eternamente!
1. Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais. R.
2. Sede bendito, nome santo e glorioso. R.
3. No templo santo, onde refulge a vossa glória. R.
4. E em vosso trono de poder vitorioso. R.
5. Sede bendito, que sondais as profundezas, R.
6. E superior aos querubins vos assentais. R.
7. Sede bendito no celeste firmamento. R.

ou

Sl 18(19),8.9.10.11 (R. Jo 6,68c)
[Sexto salmo da Vigília Pascal]
R. Senhor, tens palavras de vida eterna.
1. A lei do Senhor Deus é perfeita,
conforto para a alma!
O testemunho do Senhor é fiel,
sabedoria dos humildes. R. 
2. Os preceitos do Senhor são precisos,
alegria ao coração.
O mandamento do Senhor é brilhante,
para os olhos é uma luz. R. 
3. É puro o temor do Senhor,
imutável para sempre.
Os julgamentos do Senhor são corretos
e justos igualmente. R. 
4. Mais desejáveis do que o ouro são eles,
do que o ouro refinado.
Suas palavras são mais doces que o mel,
que o mel que sai dos favos. R. 

6. Após a segunda leitura (Sobre a descida de Deus no Monte Sinai: Ex 19,3-8,16-20b) e o Cântico (Dn 3) ou o Salmo 18(19).
Oremos.
Ó Deus, que no fogo e no trovão
destes a Moisés a antiga Lei no Monte Sinai
e que neste dia manifestastes a nova aliança
no fogo do Espírito,
concedei, nós vos pedimos,
que sejamos sempre inflamados pelo mesmo Espírito,
que maravilhosamente derramastes sobre os vosso Apóstolos,
e que a nova Israel,
formada por gente de todos os povos,
possa receber com alegria
o eterno mandamento do vosso amor.
Por Cristo, nosso Senhor.
R. Amém.

Terceira Leitura - Ez 37,1-14
Leitura da Profecia de Ezequiel - Naqueles dias, a mão do Senhor estava sobre mim, e por seu espírito ele me levou para fora e me deixou no meio de uma planície cheia de ossos e me fez andar no meio deles em todas as direções. Havia muitíssimos ossos na planície e estavam ressequidos. Ele me perguntou: “Filho do homem, será que estes ossos podem voltar à vida?” E eu respondi: “Senhor Deus, só tu o sabes”. E ele me disse: “Profetiza sobre estes ossos e dize: ossos ressequidos escutai a palavra do senhor! Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: eu mesmo vou fazer entrar um espírito em vós e voltareis à vida. Porei nervos em vós, farei crescer carne e estenderei a pele por cima. Porei em vós o espírito, para que possais voltar a vida. Assim sabereis que eu sou o Senhor”. Profetizei como me foi ordenado. Enquanto eu profetizava. Ouviu-se primeiro um rumor e logo um estrondo quando os ossos se aproximaram um dos outros. Olhei e vi nervos e carne crescendo sobre os ossos e, por cima a pele que se estendia. Mas não tinha nenhum sopro de vida. Ele me disse: “Profetiza para o espírito, profetiza filho do homem ! Dirás ao espírito: “Assim diz o Senhor Deus: vem dos quatro ventos, ó espírito vem soprar sobre estes mortos para que eles possam voltar a vida”. Profetizei como me foi ordenado, e o espírito entrou neles. Eles voltaram a vida e puseram-se de pé: era uma imensa multidão! Então ele me disse: “Filho do homem, esses ossos são toda a casa de Israel. É isto que eles dizem: Nossos ossos estão secos, nossa esperança acabou, estamos perdidos! Por isso, profetiza e dize-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Ó meu povo, vou abrir a vossa sepultura e conduzir-vos para a terra de Israel; E quando eu abrir a vossa sepultura e vos fizer sair delas sabereis que eu sou o Senhor. Porei em vós o meu espírito para que vivas e vos colocarei em vossa terra. Então sabereis que eu o Senhor, digo e faço – oráculo do Senhor”. - Palavra do Senhor.
Graças a Deus.

Salmo Responsorial - Sl 106(107),2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 1)
[O mesmo da sexta-feira da 20ª Semana do Tempo Comum, ano par.]
R. Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, 
porque eterna é a sua misericórdia!
1. Que o digam os libertos do Senhor,
que da mão dos opressores os salvou
e de todas as nações os reuniu,
do Oriente, Ocidente, Norte e Sul. R. 
2. Uns vagavam no deserto, extraviados,
sem acharem o caminho da cidade.
Sofriam fome e também sofriam sede,
e sua vida ia aos poucos definhando. R. 
3. Mas gritaram ao Senhor na aflição,
e ele os libertou daquela angústia.
Pelo caminho bem seguro os conduziu
para chegarem à cidade onde morar. R. 
4. Agradeçam ao Senhor por seu amor
e por suas maravilhas entre os homens!
Deu de beber aos que sofriam tanta sede
e os famintos saciou com muitos bens! R. 

7. Após a terceira leitura (Sobre os ossos secos e o Espírito de Deus: Ez 37,1-14) e o Salmo 106(107).
Oremos.
Senhor, Deus de poder, que restaurais o que caiu,
e preservais o que restaurastes,
aumentai, nós vos pedimos, os povos
que serão renovados pela santificação do vosso nome,
a fim de que todos que foram lavados pelo Santo Batismo
possam sempre ser conduzidos por vós.
Por Cristo, nosso Senhor.
R. Amém.

Ou
Ó Deus, que nos fizestes renascer pela palavra da vida,
derramai sobre vós o vosso Santo Espírito,
para que, caminhando na unicidade da fé,
alcancemos em nossa carne
a glória incorruptível da ressurreição.
Por Cristo, nosso Senhor.
R. Amém.

Ou
Possa o vosso povo exultar para sempre, ó Deus,
em renovada juventude espiritual,
de modo que, alegrando-se agora na glória restaurada de nossa adoção,
mantenhamos, em confiante esperança, o olhar adiante
rumo ao gozo do dia da ressurreição.
Por Cristo, nosso Senhor.
R. Amém.

Quarta Leitura - Jl 3,1-5
Leitura da Profecia de Joel - Assim diz o Senhor: “Derramarei o meu espírito sobre todo ser humano, e vossos filhos e filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos e vossos jovens terão visões; também sobre meus servos e servas, naqueles dias, derramarei o meu espírito. 3Colocarei sinais no céu e na terra, sangue, fogo e rolos de fumaça; o sol se transformará em trevas e a lua, em sangue, antes de chegar o dia do Senhor, dia grandioso e terrível. Então, todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo, pois, no monte Sião e em Jerusalém, haverá salvação, como disse o Senhor, entre os sobreviventes que o Senhor chamar”. - Palavra do Senhor.
Graças a Deus.

Salmo Responsorial - Sl 103(104),1-2a,24.35c.27-29bc-30 (R. 30) 
[Salmo da Vigília de Pentecostes]
R. Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.
Ou Aleluia, Aleluia, Aleluia.
1. Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
Ó meu Deus e meu Senhor, como és tão grande!
De majestade e esplendor vos revestis
e de luz vos envolveis como num manto. R. 
2. Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras,
e que sabedoria em todas elas!
Encheu-se a terra com as vossas criaturas.
Bendize, ó minha alma, ao Senhor! R. 
3. Todos eles, ó Senhor, de vós esperam
que a seu tempo vós lhes deis o alimento;
vós lhes dais o que comer e eles recolhem,
vós abris a vossa mão e eles se fartam. R. 
3. Se tirais o seu respiro, eles perecem
e voltam para o pó de onde vieram;
enviais o vosso espírito e renascem
e da terra toda a face renovais. R. 

8. Após a quarta leitura (Sobre o derramamento do Espírito: Jl 3,1-5) e do Salmo 103(104).
Oremos.
Cumpri para nós a vossa graciosa promessa,
ó Senhor, nós vos pedimos, de modo que pela sua vinda
o Espírito Santo possa fazer de nós, diante do mundo, testemunhas
do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
Que vive e reina para sempre.
R. Amém.

9. O sacerdote entona o hino Glória a Deus nas alturas.

10. Concluído o hino, o sacerdote diz a Oração do dia da forma comum, abaixo.

Oração do dia
Oremos.
Deus eterno e todo-poderoso, quisestes que o mistério pascal se completasse durante cinquenta dias, até a vinda do Espírito Santo. Fazei que todas as nações dispersas pela terra, na diversidade de suas línguas, se unam no louvor do vosso nome. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
R. Amém.

11. Então o leitor proclama a leitura do Apóstolo (Rm 8,22-27), e a Missa continua normalmente.

Quinta Leitura - Rm 8,22-27
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos - Irmãos: Sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo. Pois já fomos salvos, mas na esperança. Ora, o objeto da esperança não é aquilo que a gente está vendo; como pode alguém esperar o que já vê? Mas, se esperamos o que não vemos, é porque o estamos aguardando mediante a perseverança. Também o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis. E aquele que penetra o íntimo dos corações sabe qual é a intenção do Espírito. Pois é segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos. - Palavra do Senhor.
Graças a Deus.

Aleluia
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Vinde, Espírito Divino,
e enchei com vossos dons os corações dos fiéis;
e acendei neles o amor com um fogo abrasador! R.

Evangelho - Jo 7,37-39
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. 
Glória a vós, Senhor.
No último dia da festa, o dia mais solene, Jesus, em pé, proclamou em alta voz: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Aquele que crê em mim, conforme diz a Escritura, rios de água viva jorrarão do seu interior”. Jesus falava do Espírito, que deviam receber os que tivessem fé nele; pois ainda não tinha sido dado o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado. - Palavra da Salvação. 
Glória a vós, Senhor.

Oração sobre as oferendas
Infundi, ó Deus, a bênção do vosso Espírito nas oferendas aqui presentes para que se acenda em vossa Igreja aquela caridade que revela ao mundo o mistério da salvação. Por Cristo, nosso Senhor.
R. Amém.

Antífona da Comunhão - Jo 7,37
No último dia da festa, Jesus clamava: Se alguém tiver sede, venha a mim, e beba, aleluia!

12. Se as Vésperas são rezadas unidas à Missa, depois da Comunhão com a Antífona da Comunhão, canta-se o Magnificat, com sua antífona própria das Vésperas. Diz-se depois a Oração depois da Comunhão e o restante, como de costume.

Depois da Comunhão
Aproveite-nos, ó Deus, a comunhão nesta Eucaristia, para que vivamos sempre inflamados por aquele Espírito que derramastes sobre os vossos Apóstolos. Por Cristo, nosso Senhor.
R. Amém.

13. Convém que se use a fórmula para a Bênção Solene.

Deus, o Pai das luzes, que iluminou os corações dos discípulos, derramando sobre eles o Espírito Santo, vos conceda a alegria de sua bênção e a plenitude dos dons do mesmo Espírito.
Amém!
Aquele fogo, descido de modo admirável sobre os discípulos, purifique os vossos corações de todo mal e vos transfigure em sua luz.
Amém!
Aquele que na proclamação de uma só fé reuniu todas as línguas vos faça perseverar na mesma fé, passando da esperança à realidade.
Amém!
Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho + e Espírito Santo.
Amém!

Para despedir o povo, o diácono ou, na falta dele, o próprio sacerdote canta ou diz:
Ide em paz, e o Senhor vos acompanhe, aleluia, aleluia!
Graças a Deus, aleluia, aleluia!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

"Qui procedis ab utroque" - um hino de mais de 800 anos ao Espírito Santo

Pax et bonum!

Procurando na obra Paradisum Animae Christianae, já citada noutra postagem, orações a Deus Espírito Santo, encontrei um belo hino que começa com o verso "Qui procedis ab utroque". Todavia, dele encontrei mais de uma versão.
Parece certo que seu autor é Adão de São Victor, um dos mais ilustres poetas litúrgicos, tido para alguns como o maior dos poetas latinos sacros da idade média. Francês, nasceu na segunda metade do séc. XII. Foi cantor na Catedral de Notre-Dame de Paris e depois viveu na Abadia de São Victor, em Paris, morrendo por volta de 1146.
Depois da dissolução da Abadia, por conta da Revolução Francesa (séc. XVIII), seus trabalhos lá preservados foram parar na Bibliothèque Nationale, sendo encontrados posteriormente e publicados no séc. XIX.
A letra do hino, abaixo transcrita, sendo cada estrofe seguida de uma tradução livre nossa (ligeira, despretensiosa, mais ou menos literal, apenas indicativa), foi tomada da obra Sacred Latin Poetry, de 1849, e é igual à da obra Oeuvres poétiques d'Adam de St. Victor, cujos textos foram posteriormente publicados numa edição inglesa, em 1881.
Que por este hino nossa alma considere com mais gratidão o inestimável dom do Espírito Santo, Senhor adorável, Paráclito, Defensor nosso, para o qual nos preparamos nestes últimos dias da Páscoa.

Hino ao Espírito Santo ou Da Festividade de Pentecostes

QUI PROCEDIS AB UTROQUE,
genitore genitoque
pariter, Paraclite,
(Vós que de cada um procedeis,
 do que gera e do gerado
 igualmente, Paráclito.)

Redde linguas eloquentes,
fac ferventes in te mentes
flamma tua divite.
(Tornai as línguas eloquentes,
 afervorai em vós as mentes
 com vossa chama ricamente.)

Amor Patris Filiique,
par amborum et utrique
compar et consimilis;
(Amor do Pai e do Filho,
igual a ambos e a cada um
semelhante e parecido.)

Cuncta reples, cuncta foves,
astra regis, coelum moves,
permanens immobilis.
(Tudo encheis, tudo aqueceis,
os astros regeis, os céus moveis,
permanecendo imóvel.)

Lumen carum, lumen clarum,
internarum tenebrarum
effugas caliginem.
(Luz amada, luz tão clara,
das trevas interiores
retirais as densas nuvens.)

Per te mundi sunt mundati;
tu peccatum et peccati
destruis rubiginem.
(Por vós são lavados os que são do mundo;
vós destruís o pecado
e do pecado a ferrugem.)

Veritatem notam facis,
et ostendis viam pacis
et iter iustitiae.
(Fazeis aparecer a verdade,
mostrais a via da paz
e da justiça o caminho)

Perversorum corda vitas,
et bonorum corda ditas
munere scientiae.
(Evitais os corações dos perversos,
e falais aos corações dos bons
com o dom da ciência.)

Te docente nil obscurum,
te praesente nil impurum;
sub tua praesentia
(Quando ensinais não há obscuro,
quando estais junto, nada impuro,
sob a vossa presença.)

Gloriatur mens iucunda,
per te laeta, per te munda
gaudet conscientia.
(Glorie-se a mente feliz,
por vós alegre, por vós purificada
regozije a consciência.)

Tu commutas elementa;
per te suam sacramenta
habent efficaciam:
(Vós mudais os elementos,
e de vós os sacramentos
têm a sua eficácia.)

Tu nocivam vim repellis,
tu confutas et refellis
hostium nequitiam.
(Repelis a força nociva,
refreais e rebateis
a maldade dos inimigos.)

Quando venis, corda lenis;
quando subis atrae nubis
effugit obscuritas.
(Quando vindes, os corações acalmais;
quando passais, das nuvens negras,
se esvaem as trevas.)

Sacer ignis, pectus ignis
non comburis, sed a curis
purgas, quando visitas.
(Fogo santo, o peito inflamais,
não queimais, mas purificais
das ansiedades, quando visitais.)

Mentes prius imperitas
et sopitas et oblitas
erudis et excitas.
(As mentes antes ignorantes,
sonolentas e esquecidas,
instruís e despertais.)

Foves linguas, formas sonum,
cor ad bonum facit pronum
a te data caritas.
(Repartis as línguas, dais o som,
inclinais o coração ao que é bom,
ao amor, o vosso dom.)

O iuvamen oppressorum,
o solamen miserorum,
pauperum refugium,
(Ó auxílio dos oprimidos,
ó conforto dos miseráveis,
ó refúgio dos pobres.)

Da contemptum terrenorum,
Ad amorem supernorum
Trahe desiderium.
(Dai o desprezo dos bens terrenos
e, ao amor dos bens celestes,
atraí o desejo.)

Pelle mala, terge sordes,
et discordes fac concordes,
et affer praesidium.
(Afastais os males, limpai as impurezas,
e uni os que estão em discórdia,
e dai-nos proteção.)

Tu qui quondam visitasti,
docuisti, confortasti
timentes discipulos,
(Vós que, quando primeiramente viestes,
ensinastes, confortastes,
os discípulos medrosos,)

Visitare nos digneris,
nos, si placet, consoleris
et credentes populos.
(Dignai-vos visitar-nos,
se quiserdes, consolai-nos
e ao povos que têm fé.)

Par maiestas personarum,
par potestas est earum,
et communis deitas:
(Igual na majestade das Pessoas,
igual no poder também sois
e na comum divindade.)

Tu procedens a duobus,
coaequalis es ambobus;
in nullo disparitas.
(Vós, procedendo dos dois,
igual sois a ambos;
sem disparidade em coisa alguma.)

Quia tantus es et talis,
quantus Pater est et qualis,
servorum humilitas
(Pois tanto e tal sois,
quanto e qual é o Pai,
ó humildade dos servos)

Deo Patri Filioque
Redemptori, tibi quoque
laudes reddat debitas. Amen.
(A Deus Pai e ao Filho
Redentor, e a vós também
o devido louvor. Amém.)

Uma partitura gregoriana com quase todas estas estrofes está disponível aqui.
Algumas informações sobre o autor foram tiradas da Catholic Encyclopedia.

Por Luís Augusto - membro da ARS

"O modo de comunicar o sinal da paz na Santa Missa"

Pax et bonum!

Chegando aos últimos dias do Tempo Pascal, segue a nossa tradução de um interessante estudo do Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, sobre o gesto da paz na Santa Missa.
Esperamos que ele contribua para uma melhor compreensão deste momento nas celebrações.

DEPARTAMENTO DAS CELEBRAÇÕES LITÚRGICAS
DO SUMO PONTÍFICE
O modo de comunicar o sinal da paz na Santa Missa
São Pedro e São Paulo, apóstolos
"Quando o leitor acabou, aquele que preside toma a palavra para incitar e exortar à imitação dessas belas coisas. Em seguida, levantamo-nos todos juntamente e fazemos orações por nós mesmos [...] e por todos os outros [...]. Terminadas as orações, damo-nos um ósculo uns aos outros" (Justino de Nablus, Apologia I, 65). Estas palavras de São Justino, escritas por volta de 155, apresentam-nos pela primeira vez o sinal da paz durante a Santa Missa.
Um primeiro aspecto que chama a nossa atenção, ao lermos este antiquíssimo testemunho, é o momento em que tal gesto tem lugar dentro da celebração: na conclusão da Liturgia da Palavra e antes da apresentação dos dons. Um segundo ponto que podemos evidenciar é o modo em que é realizado: "Damo-nos um ósculo uns aos outros". Esta expressão nos liga subitamente a diversos trechos do Novo Testamento, em que se fala da saudação feita com o ósculo santo, o beijo da caridade (ex: cf. Rm 16,16; 1Cor 16,20; 2Ts 5,26; 1Pd 5,14). Com efeito, por vários séculos o modo de dar a paz foi o ósculo, o beijo. Ele era dado entre os fiéis do mesmo sexo, com exceção dos catecúmenos - segundo a advertência da [obra que leva o nome de] Tradição Apostólica. Deste modo se desenvolvia a saudação da paz entre os fiéis na Igreja antiga. Mais tarde, a paz partirá do celebrante e se dará segundo a hierarquia (assim parece testemunhado já no Ordo Romanus I [do fim do séc. VII ou início do séc. VIII]). No séc. IX, o celebrante beija o altar, como sinal da paz comunicada por Cristo, e a transmite ao diácono; deste passa ao subdiácono e em seguida a alguns membros do clero. Em algumas ocasiões, alguns fiéis beijavam o "porta-paz", de que falaremos mais adiante.
Não é claro nem mesmo para os estudiosos em que momento o beijo foi substituído pelo abraço, mas parece certo que em todas as liturgias, ocidentais e orientais, percebe-se um processo de estilização do gesto em si. No que diz respeito à liturgia latina, o beijo na boca - atestado por inúmeros documentos até o Pontifical de Patrizio Piccolomini (+1496) e Giovanni Burcardo (+1506) - aterna-se com o beijo sobre o ombro, que se encontra às vezes no séc. XV e no Pontifical de Durando, do fim do séc. XIII. No último decênio do séc. XV, introduz-se ainda o beijo no rosto. Um último toque deste processo de estilização do gesto da paz encontra-se no séc. XIV, no qual alguns missais, por exemplo o de Bayeux, mencionam a prescrição de dar a paz através de um instrumento particular, o "osculatório" (osculatorium). Este intrumento de transmissão da paz era às vezes uma patena, um evangeliário, mas mais frequentemente uma "tabula pacis".


Exemplos de porta-paz
É no Missal de São Pio V, e em particular no Ritus servandus in celebratione Missæ (X, 3 [1962]), que se encontra a institucionalização do "osculatório": "se a paz é dada, [o sacerdote] beija o altar no meio e o instrumento da paz que lhe foi dado pelo ministro que está ajoelhado à sua direita, ou seja, do lado da Epístola, e diz: 'A paz esteja contigo'. O ministro responde: 'E com o teu espírito'. Se não houver quem receba do celebrante a paz com o instrumento, desta forma, não se dá a paz...". No que diz respeito à Missa solene, os ministros - diz o Missal de 1570 - aproximam mutuamente a face esquerda, sem se tocar, abraçando-se a uma certa distância. Como dizia com precisão a Sagrada Congregação dos Ritos, este abraço consiste em que "o diácono põe seus braços sob os braços do celebrante" (SRC 2915, Tuden., 23/05/1846, t. 2, p. 337).
Trecho do Ritus servandus de 1962 falando do instrumento da paz.
Trecho do Ritus servandus de 1570 falando do abraço da paz.
Diácono dá a paz a um clérigo, em Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano
Diácono dá a paz ao subdiácono, em Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano 
Diácono dá a paz ao subdiácono, em Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano 
Na editio typica tertia do Missal Romano (2008), é deixado livre o modo de dar a paz e se delega às Conferências Episcopais* a faculdade de estabelecer, "de acordo com a índole e os costumes dos povos, o modo de realizá-lo" (IGMR, n. 82, cf. n. 390). Recorda-se porém que convém que "cada qual expresse a paz de maneira sóbria apenas aos que lhe estão mais próximos" (IGMR, n. 82). O celebrante pode dar a paz aos ministros, permanecendo no presbitério. O mesmo far-se-á caso queira dar a paz a alguns dos fiéis (cf. Instrução Redemptionis Sacramentum, n. 72).
Bento XVI recorda que "nada tira ao alto valor do gesto a sobriedade necessária para se manter um clima apropriado à celebração, limitando, por exemplo, a saudação da paz a quem está mais próximo" (Exort. Apost. Sacramentum Caritatis, n. 49). Este esclarecimento faz-se muito oportuno, porque é preciso recordar que a paz cristã tem sua fonte em Deus por meio de Jesus Cristo (cf. Jo 14,27; 16,33; Rm 1,7; Ef 2,14; Fl 4,7; Cl 3,15, etc.). O termo paz é entendido como compêndio de todo bem, dom messiânico por excelência e fruto do Espírito Santo.
É certo que o gesto da paz possui uma clara dimensão horizontal, que já notávamos em São Justino; porém desde tempos muitos antigos se encontra nele uma forte dimensão vertical. Não é uma simples paz humana já conquistada, ou que pode ser encontrada através da amizade ou da solidariedade. Trata-se, ao invés, da paz de Cristo ressuscitado - dele que é a nossa paz - comunicada através de seu Espírito, artífice da paz dos corações de todos os fiéis na Igreja. Na realidade, não pode haver paz que não tenha sua origem na Trindade. "A assembléia litúrgica tira sua unidade da 'comunhão do Espírito Santo', que congrega os filhos de Deus no único corpo de Cristo. Ela ultrapassa as afinidades humanas, raciais, culturais e sociais" (Catecismo da Igreja Católica, n. 1097).
Seria desejável que houvesse um retorno às intuições de alguns protagonistas do movimento litúrgico: recuperar o gesto da paz entre os fiéis, o qual só procede de Deus mesmo, como simbolizam o beijo do altar e a ordem hierárquica em sua transmissão. Assim recordava Pius Parsch: "O beijo da paz é sobretudo um símbolo sublime da comunhão dos fiéis entre si e com Cristo. Já que o beijo da paz provém do altar, que representa Cristo, é Cristo, portanto, que beija aqueles que participam do Santo Sacrifício; e este beijo se transmite de um a outro, fazendo de todos os fiéis uma unidade íntima que incorpora Cristo" (Sigamos la Santa Misa, L. Gili, Barcelona, 1954, p. 128). E Romano Guardini insistia na necessidade da transmissão "per ordinem" do rito da paz, como se prescrevia no Missal de 1570, dado que permite sublinhar que na liturgia a verticalidade se sobrepõe à horizontalidade: "aquilo que nos mantém unidos uns aos outros é a presença de Deus" (Cf. R. Guardini, El espíritu de la liturgia, Cuadernos Phase 100, Barcelona 1999, p. 34).

Obs: as imagens não constam no original.
*: Na edição brasileira da IGMR lemos a seguinte nota: "A CNBB, na XI Assembléia Geral de 1970 decidiu que 'o rito da paz seja realizado por cumprimento entre as pessoas do modo com que as mesmas se cumprimentam entre si em qualquer lugar público'". Particularmente, considero esta nota muito liberal. Talvez aqui esteja a raiz do comportamento distraído e irreverente de tantos fiéis neste momento da celebração.

Apêndice (para a Forma Extraordinária do Rito Romano)
As regras para dar a paz, segundo o Servo de Deus Pe. João Baptista Reus:
O modo de dar a paz obedece às seguintes regras (Miss.; Cær. Ep.):
1. Quem dá a paz, não faz inclinação antes, mas só depois, exceto o Celebrante.
2. Quem recebe a paz, tem de fazer inclinação antes e depois.
3. Quem dá a paz, põe as mãos juntas aos ombros do outro.
4. Quem recebe a paz, põe as palmas das mãos debaixo dos braços do outro, sinistris genis sibi invicem appropinquantibus (aproximando um ao outro a face esquerda).
5. Pax tecum. Resposta: Et cum spiritu tuo, mesmo se o que dá a paz não for diácono. Pois é o espírito do Celebrante, que se comunica.
6. Os leigos não podem receber a paz por abraço nem com uma patena (decr. 269; 416), mas só pelo porta-paz beijado por quem dá e por quem recebe a paz.

Fonte: REUS, Pe. João Baptista. Curso de Liturgia. III Edição. Pág. 375.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Pentecostes na Jerusalém do séc. IV

Pax et bonum! 

Retornando aos belos testemunhos da "Peregrinação de Etéria", leiamos hoje como os cristãos celebravam Pentecostes na Cidade Santa. Mais uma vez o testemunhos destes católicos incansáveis nos interpela.
Mais uma vez vemos, como já desde as outras celebrações do Tríduo Pascal, o forte sentido de vigília, que mantinha os cristãos em oração desde tarde da noite até o dia seguinte inteiro, suportando, como parecia ser uma amada tradição, subir o Monte das Oliveiras e de lá descer em procissão até a Cidade.
O relato está na II parte da obra, no site Veritatis Splendor. Infelizmente, e não sei por qual motivo, a página só está acessível pelo cache do Google.

XLIII
1. [Pentecostes] E no quinquagésimo dia após a Páscoa, que é um domingo, dia em que maior é a fadiga para o povo, iniciam-se as comemorações, como sempre, a partir do primeiro canto do galo [talvez por volta das 3h da madrugada]; vela-se na Anástasis [=Santo Sepulcro], para que o bispo leia o texto que sempre lê aos domingos e é o que se refere à Ressurreição do Senhor; a seguir, tudo se passa, na Anástasis, como de costume, o ano inteiro. 
2. Ao nascer do dia, dirige-se o povo todo à igreja maior, isto é, ao Martyrium [=por trás do Calvário], e também aí, tudo quanto é costume fazer-se, faz-se; pregam os sacerdotes e a seguir o bispo; tudo se faz conforme a lei, isto é, a Oblação segue o rito observado aos domingos. Mas nesse dia, apressa-se a dispensa no Martyrium para que se dê antes da hora terceira (=9h). E após a Missa no Martyrium, todos, sem exceção, entoando hinos, conduzem o bispo a Sion [=o Cenáculo], de modo, porém, a estar em Sion à terceira hora, exatamente [hora em que o Espírito Santo desceu no cenáculo, segundo as Escrituras].
3. Aí lêem o trecho dos Atos dos Apóstolos que narra como desceu o Espírito sobre eles para que, em todas as línguas, todos entendessem o que diziam [At. 2,1-12]; a seguir, de acordo com o rito, celebra-se a missa. E os presbíteros lêem, aí, esse passo dos Atos dos Apóstolos porque, segundo se lê, esse é o lugar em Sion, há agora aí outra igreja, onde, outrora, após a Paixão do Senhor, estava reunida a multidão com os apóstolos quando o fato se deu, tal como acima o descrevemos. Segue-se a Missa de acordo com o rito, faz-se a Oblação, e, no instante em que se dispensa o povo, toma a palavra o arquidiácono e diz: "Hoje, imediatamente após a sexta hora (=12h), todos devemos estar presentes no Eleona [Monte das Oliveiras], na igreja do Imbomon [lugar da Ascensão]".
4. Recolhe-se o povo todo, portanto, cada qual à sua casa, para descansar; e, imediatamente após o almoço, vão ao Monte das Oliveiras, isto é, ao Eleona, todos na medida de suas forças, de maneira tal, porém, que nem um só cristão permanece na cidade e não há um só que para lá não se dirija
5. E, chegando eles ao Monte das Oliveiras, isto é, ao Eleona, vão primeiro ao Imbomon, que é a elevação de onde subiu o Senhor aos céus, e aí sentam-se o bispo, os sacerdotes e o povo; e fazem leituras e dizem, intercalando-os, hinos e recitam antífonas atinentes a esse dia e lugar; também as orações que intercalam contêm, sempre, expressões que convêm ao dia e lugar; lêem ainda o passo do evangelho referente à Ascenção do Senhor [Mc. 16,19; Lc. 24,50-51] e, nos Atos dos Apóstolos, o trecho que fala da Ascenção do Senhor aos céus, após a Ressurreição [At. 1,4-11]. 
6. E são, depois disto, abençoados os catecúmenos e os fiéis; à nona hora (=15h) desce e, cantando hinos, vão à igreja do Eleona, isto é, à gruta onde o Senhor se detinha e instruía os seus apóstolos. Quando chegam, já passa da hora décima (=16h); comemoram aí o Lucernare, fazem uma prece, os catecúmenos são abençoados e, depois, os fiéis. E logo descem daí, com hinos, todos sem exceção, em companhia do bispo, recitando hinos e antífonas relativos a esse dia; assim vêm, passo a passo, até o Martyrium
7. É noite quando chegam às portas da cidade e a procissão segue à luz de, talvez, duzentos círios de igreja, por causa do povo; e visto que da porta da cidade há um bom pedaço até a igreja maior, isto é, o Martyrium, chegam bem tarde, à segunda hora da noite (=20h), talvez, porque é devagar, bem devagar que vão o tempo todo, por causa do povo, a fim de que, mesmo indo a pé, não se canse. E, ao se abrirem as portas grandes que dão para o mercado, entra o povo todo no Martyrium, com o bispo, entoando hinos. Uma vez na igreja, dizem hinos, fazem uma prece, abençoam-se os catecúmenos e depois os fiéis; daí, de novo, com hinos, dirigem-se à Anástasis.
8. Igualmente, chegando à Anástasis, recitam hinos e antífonas, fazem uma oração, abençoam-se os catecúmenos e depois os fiéis; o mesmo se faz também junto à Crux. E, de novo, daí, o povo cristão, em peso, entoando hinos, acompanha o bispo a Sion.
9. Chegando, fazem leituras apropriadas; dizem Salmos e antífonas, rezam uma oração, abençoam-se os catecúmenos e depois os fiéis, e dispensa-se o povo. Após a dispensa, aproximam-se todos do bispo, a fim de beijar-lhe a mão, e, a seguir, voltam todos a casa à meia-noite, talvez. Suportam, pois, a maior fadiga nesse dia, visto que, desde o primeiro cantar do galo, velam na Anástasis, e, a seguir, durante o dia inteiro, não descansam nunca; e, de tal forma se estendem todas as celebrações que, só à meia-noite, após o término do ofício em Sion, é que voltam para casa.

Por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 22 de maio de 2012

Catequese sobre o Espírito Santo, por São João Maria Vianney



Ó, meus filhos, como é belo! O Pai é nosso Criador, o Filho é nosso Redentor e o Espírito Santo é nosso Guia... O homem por si só não é nada, mas com o Espírito Santo ele é grandioso. O homem é todo terreno e animal; nada além do Espírito Santo pode elevar sua mente às alturas.
Por que os santos foram tão desapegados das coisas terrenas? Porque eles se deixaram guiar pelo Espírito Santo. (...)
O Espírito Santo é luz e força. Ele nos ensina a distinguir entre a verdade e a mentira, entre o bem e o mal. Como lentes que aumentam os objetos, o Espírito Santo nos mostra o que é bom e o que é mau em tamanho grande. Com o Espírito Santo vemos tudo em suas verdadeiras proporções; vemos a grandeza das menores ações feitas por Deus, e a grandeza das menores faltas. (...) Assim, as menores imperfeições parecem-nos muito grandes, os menores pecados inspiram-nos horror. Esta é a razão por que a Santíssima Virgem nunca pecou. O Espírito Santo fê-la entender como o pecado é hediondo (...).
As pessoas mundanas não têm o Espírito Santo, ou se o possuem, é apenas por um momento. Ele não permanece com elas; o ruído do mundo manda-o embora.
Um cristão que é guiado pelo Espírito Santo não tem dificuldade em deixar os bens deste mundo, e correr rumo aos do céu; ele conhece a diferença entre eles. (...) Para o homem que se põe sob a condução do Espírito Santo parece não haver mundo; para o mundo, parece não haver Deus... Nós devemos, portanto, ver por quem estamos sendo guiados. Se não for pelo Espírito Santo, trabalhamos em vão (...).
Tome numa mão uma esponja toda ensopada e na outra uma pedrinha; aperte-as igualmente. Nada sairá da pedra, mas da esponja sairá uma abundância de água. A esponja é a alma cheia do Espírito Santo, e a pedra é o coração frio e duro que não é habitado pelo Espírito Santo. (...)
O Espírito Santo forma pensamentos e sugere palavras nos corações dos justos... Aqueles que têm o Espírito Santo não produzem nada de ruim; todos os frutos do Espírito Santo são bons. Sem o Espírito Santo tudo é frio; portanto, quando sentirmos que estamos perdendo nosso fervor, devemos imediatamente fazer uma novena ao Espírito Santo para pedir-lhe fé e amor...
Vejam, quando fazemos um retiro ou celebramos um Jubileu, ficamos cheios de bons desejos: estes bons desejos são o hálito do Espírito Santo, que passou sobre nossas almas e renovou tudo, como o vento quente que derrete o gelo e traz de volta a primavera... (...) Quando temos o Espírito Santo, o coração se abre de par em par e se banha no amor divino. Um peixe nunca reclama de ter muita água ao seu redor, e nem um bom cristão reclama de estar longamente com o bom Deus. 
Há algumas pessoas que acham a religião algo cansativo, e isto é porque elas não têm o Espírito Santo.
Se alguém perguntasse aos condenados: "Por que vocês estão no inferno?" Eles responderiam: "Porque resistimos ao Espírito Santo". E se alguém perguntasse aos santos: "Por que vocês estão no Céu?" Eles responderiam: "Porque demos ouvidos ao Espírito Santo". Quando os bons pensamentos vêm à nossa mente, é o Espírito Santo que está nos visitando. (...)
Sem o Espírito Santo, os mártires teriam caído como folhas das árvores. (...) 
Como é belo, meus filhos, ser acompanhado pelo Espírito Santo! Ele é deveras um bom guia. E pensar que há quem não o siga... (...)
O Espírito Santo conduz-nos como uma mãe conduz pela mão seu filho de dois anos, como alguém que enxerga guia um outro que é cego. (...)
A descida do Espírito Santo era necessária, para tornar cheia de frutos aquela colheita de graças. É como um grão de trigo que vocês plantam no chão; sim, mas é preciso o sol e a chuva para fazê-lo crescer e tornar-se espiga.
Deveríamos dizer em cada manhã: "Ó Deus, enviai-me o vosso Espírito, para ensinar-me o que sou eu e o que sois vós".

Trechos de The Blessed Curé of Ars in his Catechetical Instructions, Instructions on the Catechism, Chapter III.

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

domingo, 20 de maio de 2012

Ascensão do Senhor

Pax et bonum!
O Senhor subiu ao céu, aleluia!
Pintura do séc. XV
Na quinta-feira passada, 40º dia após a Páscoa, celebrou-se no calendário universal a Solenidade da Ascensão do Senhor.
Em alguns países, por motivos pastorais, decidiu-se colocar esta celebração no domingo seguinte, isto é, hoje, como é o caso aqui no Brasil.
Segue a tradução do breve artigo da Catholic Encyclopedia sobre a Solenidade.

***


No quadragésimo dia após o Domingo de Páscoa, comemora-se a Ascensão de Cristo ao céu, de acordo com Mc 16,19, Lc 24,51 e At 1,2.
Na Igreja Oriental esta festa é conhecida como analepsis, acesso, entrada, e também como episozomene, a salvação, denotando que pela ascensão até sua glória Cristo completou a obra de nossa redenção. O termo usado no Ocidente, ascensio e, ocasionalmente, ascensa, significa que Cristou se elevou por seu próprio poder. A tradição designa o Monte das Oliveiras, próximo de Betânia, como o lugar de onde Cristo deixou a terra. A festa cai numa quinta-feira. É uma das festas ecumênicas ao lado das comemorações da Paixão, da Pásca e de Pentecostes, dentre as mais solenes no calendário, tem uma vigília [que permanece na Forma Extraordinária do Rito Romano] e, desde o séc. XV, uma oitava, que foi separada para uma Novena em preparação para Pentecostes, segundo as diretrizes de Leão XIII.

História
A observância desta festa é de grande antiquidade. Embora não haja documentação escrita sobre ela anterior ao séc. V, Santo Agostinho diz que ela é de origem apostólica, e fala sobre ela de modo que demonstra que se trata de uma observância universal na Igreja há muito tempo antes dele. Menção frequente dela é feita nos escritos de São João Crisóstomo, São Gregório de Nissa e na Constituição Apostólica. A Peregrinação de Etéria fala da vigília desta festa e da própria festa, sendo que ela acontecia na igreja construída sobre a gruta em Belém, onde Cristo nasceu (Duchesne, Christian Worship, 491-515). Pode ser que antes do séc. V o fato narrado nos Evangelhos tenha sido comemorado juntamente com a festa da Páscoa ou de Pentecostes. Alguns acreditam que o muito debatido 43º decreto do Concílio de Elvira (ano 300) condenando a prática de se observar uma festa no 40º dia depois da Páscoa e negligenciando manter-se Pentecostes no 50º dia, implica que o uso daquele tempo era comemorar a Ascensão junto com Pentecostes. Representações do mistérios [da Ascensão] são encontradas em dípticos e afrescos datados do séc. V.

Costumes
Certos costumes estavam ligados à liturgia desta festa, tais como a bênção de feijões e de uvas depois do memento dos defuntos no Cânon da Missa, a bênção dos primeiros frutos, passada depois para as Rogações, a bênção de uma vela, o uso de mitras pelo diácono e o subdiácono, a extinção do círio pascal, e procissões triunfantes com tochas e estandartes fora das igrejas para comemorar a entrada de Cristo no Céu. Pe. Daniel Rock recorda o costume inglês de levar adiante na procissão um estandarte com o desenho de um leão sobre um dragão, para simbolizar o triunfo de Cristo sobre o maligno em sua ascensão. 

Em algumas igrejas a cena da Ascensão é vividamente reproduzida pela elevação de uma figura de Cristo sobre o altar através de uma abertura no teto da igreja. Em outras, enquanto se fazia subir uma figura de Cristo, fazia-se descer uma figura do demônio.
Na liturgia, geralmente este dia celebra a conclusão da obra de nossa salvação, o penhor de nossa glorificação com Cristo, e sua entrada no Céu com nosso natureza humana glorificada.

Fonte: Wynne, John. "Feast of the Ascension." The Catholic Encyclopedia. Vol. 1. New York: Robert Appleton Company, 1907. Disponível em http://www.newadvent.org/cathen/01767b.htm.

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

sábado, 19 de maio de 2012

Orações litúrgicas para pedir chuva

Pax et bonum!

Em janeiro do ano passado recomendamos as orações para pedir bom tempo, por conta das enchentes, inundações e consequentes deslizamentos de terra, que vitimaram centenas de pessoas no estado do Rio de Janeiro.
Nestes dias voltamos o olhar para nosso nordeste, sobretudo para nosso Piauí.

Alguns noticiários já consideram a seca atual como uma das piores nos últimos 30 anos, em alguns estados.
No Piauí são 114 municípios, até onde tomamos conhecimento, em situação de emergência. No nordeste inteiro são 833, afetando cerca de 4 milhões de pessoas. Plantações estão se perdendo e animais morrem de fome e sede.
Obviamente os governos municipais, estaduais e federal devem fazer algo. Os cristãos também devem fazer algo a respeito, ajudando os mais afetados na medida de suas possibilidades. É uma ocasião forçosa para se exercitarem as boas obras. Institutos de pesquisa, desenvolvimento e sustentabilidade também devem colocar esforços na busca de soluções contra o agravamento destas situações.
Todavia, não contamos apenas com esse tipo de auxílio, mas também com a oração, com o bom Deus, único e verdadeiro, de quem nos vem todo bem e toda graça.
Nós da ARS, portanto, pedimos humildemente aos sacerdotes das regiões afetadas, que celebrem o Santo Sacrifício pedindo a Deus o dom das chuvas, conforme está no Missal Romano. A Missa para isto não está no Missal Romano à toa. Sua eficácia não é, nunca foi e jamais será mágica, mas vem do sacrifício de Cristo; vem da promessa de Deus Pai de ouvir nossa oração feita em nome de Cristo, nosso Senhor, no Espírito Santo; vem da autoridade da Igreja, Esposa de Cristo, quando unida ao seu Senhor, em oração.
Depois da oração litúrgica, certamente recomendamos o terço com a súplica pelas chuvas e é bom que se considere a importância de relembrar ao povo a necessidade de se viver em santidade.
Os fieis leigos também podem inserir a Collecta e a Postcommunio abaixo em sua oração particular, intercedendo pelos irmãos que sofrem nestes tempos.
"Se seguirdes minhas leis e guardardes os meus preceitos e os praticardes, eu vos darei as chuvas nos seus tempos." (Lv 26,3)
Seguem as orações litúrgicas com traduções livres nossas.

Para a Forma Ordinária (Missæ et orationes ad diversa)
AD PETENDAM PLUVIAM
Collecta
Deus, in quo vívimus, movémur et sumus, plúviam nobis tríbue congruéntem, ut, præséntibus subsídiis sufficiénter adiúti, sempitérna fiduciálius appetámus.
Per Dóminum...
(Deus, em quem vivemos, nos movemos e somos, concedei-nos a chuva na medida certa, a fim de que, ajudados suficientemente pelos bens presentes, cheguemos com confiança aos bens eternos.)

Para a Forma Extraordinária (Orationes diversæ)
AD PETENDAM PLUVIAM
Oratio
A mesma acima.

Secreta
Oblátis, quǽsumus, Dómine, placáre munéribus: et opportúnum nobis tríbue plúviæ sufficiéntis auxílium.
Per Dóminum...
(Aplacai-vos, Senhor, nós vos pedimos, pelos dons oferecidos, e concedei-nos o oportuno auxílio da chuva necessária.)

Postcommunio
Da nobis, quǽsumus, Dómine, plúviam salutárem: et áridam terræ fáciem fluéntis cæléstibus dignánter infúnde.
Per Dóminum...
(Dai-nos, Senhor, nós vos pedimos, a chuva benéfica, e derramai complacente as ondas do céu sobre a terra seca.)

Oração Preparatória para a Confissão Sacramental

Pax et bonum!

Encontrei no ótimo site Preces Latinæ uma oração de preparação para a Confissão. Recomendo-a a todos, sobretudo aos que estiverem desejando confessar-se ainda antes de Pentecostes, para retomarem parte na vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, antes do fim do santo Tempo Pascal.
Segue uma tradução livre minha (que em alguns lugares pode não estar tão literal). Todavia, serve para apresentar a beleza desta oração, dirigida a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo, que certamente há de ser feita movida pelo Espírito Santo, para cuja descida estamos em Novena nestes dias.
O texto original, latino, é pelo menos do séc. XVII. Encontra-se na obra Paradisum Animæ Christianæ, de Jacob Merlo Horst. Porventura esta obra encontra-se inteira e gratuita no Google Books, bem como uma posterior edição em inglês, sob o título literal Paradise of the Christian Soul.

Conditor cæli et terræ, Rex regum et Dominus dominantium, qui me de nihilo fecisti ad imaginem, et similitudinem tuam et me proprio tuo sanguine redemisti, quem ego peccator non sum dignus nominare, nec invocare, nec corde cogitare.
Te suppliciter deprecor, et humiliter exoro, ut clementer respicias me servum tuum nequam. Et miserere mei, qui misertus fuisti mulieri Cananeæ, et Mariæ Magdalenæ: qui pepercisti publicano, et latroni in cruce pendenti.
Tibi confiteor, Pater piissime, peccata mea, quæ si volo abscondere, non possum tibi, Domine. Parce mihi, Christe, quem ego nuper multum offendi cogitando, loquendo, operando, et in omnibus modis, in quibus ego fragilis homo et peccator peccare potui, mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.
Ideo, Domine, precor tuam clementiam, qui de cælo pro mea salute descendisti, qui David a peccati lapsu erexisti, parce mihi, Domine, parce mihi Christe, qui Petro te neganti pepercisti. Tu es Creator meus et Redemptor meus, Dominus meus et Salvator meus, Rex meus et Deus meus.
Tu es spes mea et fiducia mea, gubernatio mea et auxiliatio mea, consolatio mea et fortitudo mea, defensio mea et liberatio mea, vita mea, salus mea et resurrectio mea, lumen meum et desiderium meum, adiutorium meum et patrocinium meum.
Te deprecor et rogo adiuva me, et salvus ero: guberna me et defende me: conforta me et consolare me: confirma me et lætifica me: illumina me et visita me. Suscita me mortuum, quia factura et opus tuum sum.
Domine, ne despicias me, quia famulus et servus tuus sum, quamvis malus, quamvis indignus et peccator: sed qualiscumque sim, sive bonus, sive malus, semper tuus sum. Ad quem ego fugiam, nisi ad te vadam? Si tu me eiicis, quis me recipiet? Si tu me despicis, quis me aspiciet?
Recognosce me ergo indignum ad te refugientem, quamvis sim vilis et immundus: quia si vilis et immundus sum, potes me mundare: si cæcus sum, potes me illuminare: si infirmus sum, potes me sanare: si mortuus et sepultus sum, potes me resuscitare ; quia maior est misericordia tua, quam iniquitas mea: maior est pietas tua, quam impietas mea: plus potes dimittere, quam ego committere: et plus parcere quam ego peccator peccare.
Non ergo despicias, Domine, neque attendas multitudinem iniquitatum mearum: sed secundum multitudinem miserationum miserere mei, et propitius esto mihi maximo peccatori.
Dic animæ meæ, "Salus tua ego sum". Qui dixisti, "Nolo mortem peccatoris, sed magis ut convertatur et vivat": converte me, Domine, ad te, et noli irasci contra me.
Deprecor te, clementissime Pater, propter misericordiam tuam, supplico et exoro, ut perducas me ad bonum finem, et ad veram pænitentiam, puram confessionem, et dignam satisfactionem omnium peccatorum meorum. Amen.

***
Criador do céu e da terra, Rei dos rei e Senhor dos senhores, que me criastes do nada à vossa imagem e semelhança, e que me redimistes com o vosso próprio sangue, a quem não sou digno de nomear, invocar ou considerar com o coração.
Peço-vos suplicante, e humildemente rogo, que olheis clemente para mim, vosso servo sem valor. E tende piedade de mim, vós que tivestes compaixão da mulher cananeia e de Maria Madalena, vós que poupastes o publicano e também o ladrão na cruz.
A vós confesso, Pai piíssimo, os meus pecados, os quais, Senhor, se quiser esconder, de vós não posso. Perdoai-me, ó Cristo, a quem tanto ofendi recentemente, pensando, falando, agindo, e de todos os modos segundo os quais eu, homem frágil e pecador, pude pecar, por minha culpa, minha culpa, minha maior culpa.
E rogo, Senhor, a vossa clemência, vós que, para a minha salvação, descestes do céu; vós que reerguestes Davi de sua queda no pecado, perdoai-me, Senhor. Perdoai-me, ó Cristo, vós que poupastes a Pedro que vos negou. Vós sois meu Criador e meu Redentor, meu Senhor e meu Salvador, meu Rei e meu Deus.
Vós sois minha esperança e minha confiança, minha direção e meu auxílio, minha consolação e minha fortaleza, minha defesa e minha libertação, minha vida, minha salvação e minha ressurreição, minha luz e meu desejo, minha ajuda e meu amparo.
Rogo-vos e peço-vos: ajudai-me e serei salvo, governai-me e defendei-me, confortai-me e consolai-me, confirmai-me e alegrai-me, iluminai-me e visitai-me. Levantai-me dentre os mortos, pois sou obra vossa.
Senhor, não me desprezeis, pois sou vosso servo, ainda que tão mau, tão indigno e pecador. Seja o que eu for, bom ou mau, sou sempre vosso. Junto a quem me refugiarei se não junto de vós? Se me mandais embora, quem me acolherá? Se me desprezais, quem lançará um olhar sobre mim?
Reconhecei-me, embora indigno, procurando refúgio em vós, por mais vil e imundo que eu seja, pois se sou vil e imundo, podeis lavar-me; se sou cego, podeis iluminar-me; se estou enfermo, podeis curar-me; se estou morto e sepultado, podeis ressuscitar-me; pois é maior a vossa misericórdia do que a minha iniquidade; maior a vossa piedade do que a minha impiedade; mais podeis remir do que eu cometer; e mais podeis perdoar do que eu, pecador, pecar.
Não me desprezeis, Senhor, nem considereis a multidão de minhas iniquidades, mas, segundo a multidão de vossas misericórdias, tende piedade de mim, e sede-me propício, a mim, o maior de todos os pecadores.
Dizei à minha alma: "Sou a tua salvação", vós que dissestes: "Não quero a morte do pecador, mas que ele volte e tenha vida". Convertei-me, Senhor, para vós, e não vos ireis contra mim.
Peço-vos, Pai clementíssimo, pela vossa misericórdia, suplico e rogo que me guieis a um bom fim, à verdadeira penitência, a uma confissão pura e a uma digna satisfação de todos os meus pecados. Amém.

Por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 15 de maio de 2012

Lançamento: "Liber Cantualis" dos Arautos do Evangelho

Pax et bonum!

É bem recente a publicação do Liber Cantualis "Os mais belos Cânticos Gregorianos" por parte da Editora Lumen Sapientiae, em São Paulo.
A obra, que é uma espécie de compêndio de Canto Gregoriano, é organizada pelos Arautos do Evangelho, já conhecidos, no contexto, por alguns CDs.
Pois bem, no impulso dado à genuína música sacra da Igreja Católica de Rito Romano, desde São Pio X, sobretudo, até Bento XVI, surge esta obra, talvez primeira no Brasil com este escopo.
O auxílio pode ser grandioso nas 282 páginas, pois normalmente é preciso comprar um Graduale ou um Liber Usualis, pela internet, no exterior.
Não há informações de preço, mas já enviamos um email pedindo mais informações.
A notícia, bem como um link com páginas de amostra, está aqui.

sábado, 5 de maio de 2012

Amanhã (06/05) - Missa e Posse Canônica de D. Jacinto Sobrinho, Arcebispo de Teresina

Pax et bonum!

O dia esperado, pelo qual se elevaram tantas preces a Deus, finalmente chega: o início do ministério de nosso novo Arcebispo. Portanto, fazendo eco do convite já presente nas Paróquias e em algumas redes sociais, há alguns dias, sintam-se todos alegremente convidados:

Só repetindo:
Data: Amanhã (06 de maio de 2012)
Hora: 18h
Local: Catedral Metropolitana de Nossa Senhora das Dores (Praça Saraiva, centro de Teresina)


Algumas paróquias estão organizando ônibus próprios. Aos que vão de veículo próprio recordamos a dificuldade de estacionamento, caso não se chegue com certo adiantamento.
Bendito seja Deus!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Faleceu o Pe. José Aires de Morais

Pax et bonum!

Fomos informados do falecimento, ontem (03/05), do Pe. José Aires de Morais.
Este idoso sacerdote completaria seus 95 anos em 2013, e os 70 anos de sacerdócio em 2014.
Infelizmente não tenho muito a falar sobre ele, e só participei uma vez da Santa Missa celebrada por ele, em sua casa na Rua Barroso, na esquina com a Av. José dos Santos e Silva.
Na Missa, mesmo com poucas pessoas, ele falava num microfone, pela fraqueza de sua voz. Até onde sei, sempre nesta Missa, às 17h ou 17h30, participavam irmãos e irmãs da Toca de Assis.
Nesta única Missa de que participei percebi o quão é interessante ver um homem desgastado pelo tempo esforçando-se para celebrar com temor, com obediência às rubricas, com senso de profundidade, com olhar de quem apalpava um tanto do grandioso mistério do místico Calvário de nossos altares.
Rezemos por sua alma. Tantos anos, pecados, por conta da fraqueza humana, mas também quantos atos de virtude, quantas provas do amor a Deus e aos irmãos!




Requiem æternam dona ei, Domine. Et lux perpetua luceat ei.
Que junto do Altíssimo rogue por nós.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Normas, para quê? Respondem João Paulo II, Cardeal Arinze e a Redemptionis Sacramentum

Pax et bonum!

Considero muito a propósito respondermos com o magistério da Igreja a uma dúvida pertinente, que às vezes povoa a mente de simples fieis, presbíteros ou até de estudiosos da Sagrada Liturgia: "Rubricas, normas, para quê?"
Recordo no momento uma das perguntas de uma entrevista feita ao Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, da Arquidiocese de Cuiabá, sobre a Liturgia, bem como sua resposta:

Aos que querem a Missa mais sóbria, de acordo com as normas, com incenso, latim, paramentos bonitos, logo se lhes acusam de “rubricistas” ou de “obtusos”, “antiquados” e até de “fariseus”. Dizem que a Missa tem que ser “alegre”, com improvisação, sem se prender a fórmulas. Alegam que pra Jesus, “o que importa é o coração, é o interior”. Como responder a tudo isso?
“Unum facere et alium non omittere”, Fazer uma coisa e não omitir a outra. Ou seja, observar as normas litúrgicas e obedecê-las não é algo que está divorciado com o coração. É necessário escolher as duas coisas. Obediência das normas e soprar sobre estas normas, que são letra morta, o Espírito com o qual elas foram elaboradas. O espírito que é uma verdadeira tradição espiritual da Igreja. Por isso, essa dicotomia é uma falsa alternativa. Seria como pedir a uma pessoa que escolhesse entre o corpo e a alma, dizendo a ela ou ela fica com a alma ou ela fica com o corpo. A única resposta possível é dizer: eu não escolho, eu fico com os dois. Eu fico com a norma litúrgica e fico com o coração.
Partindo para a resposta sobre o "por quê" das rubricas, leiamos o que nos dizem o Cardeal Arinze e o Beato João Paulo II.
Em 2003, este Papa nos dizia de modo muito convincente, em sua Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia (n. 52):

Temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos. Uma certa reação contra o "formalismo" levou alguns, especialmente em determinadas regiões, a considerarem não obrigatórias as "formas" escolhidas pela grande tradição litúrgica da Igreja e do seu magistério e a introduzirem inovações não autorizadas e muitas vezes completamente impróprias.
Por isso, sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios. O apóstolo Paulo teve de dirigir palavras ásperas à comunidade de Corinto pelas falhas graves na sua celebração eucarística, que tinham dado origem a divisões (skísmata) e à formação de facções (airéseis) (cf. 1 Cor 11, 17-34). Atualmente também deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebração da Eucaristia. O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja. Precisamente para reforçar este sentido profundo das normas litúrgicas, pedi aos dicastérios competentes da Cúria Romana que preparem, sobre este tema de grande importância, um documento específico, incluindo também referências de carácter jurídico. A ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu carácter sagrado nem a sua dimensão universal.
Um ano depois veio à luz o documento referido pelo Papa - a Instrução Redemptionis Sacramentum. Na apresentação dela, disse o Cardeal Francis Arinze, então Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos:
Poder-se-ia levantar a interrogação acerca do sentido das normas litúrgicas. A criatividade, a espontaneidade, a liberdade dos filhos de Deus e um bom sentido ordinário não são acaso suficientes? Por que motivo o culto de Deus deveria ser regulamentado por intermédio de rubricas e de normas? Não é suficiente ensinar ao povo simplesmente as elevadas beleza e natureza da liturgia?
As normas litúrgicas são necessárias, porque "nela (na liturgia) o Corpo Místico de Jesus Cristo Cabeça e membros presta a Deus o culto público integral. Por isso, toda a celebração litúrgica, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo, que é a Igreja, é ação sagrada por excelência" (Sacrosanctum concilium, 7). O ápice da liturgia é a celebração eucarística. Ninguém se deveria admirar se, ao longo dos tempos, a santa Igreja nossa Mãe desenvolveu palavras, ações e, por conseguinte, linhas diretrizes, em relação a este ato supremo do culto. As normas eucarísticas foram elaboradas para exprimir e salvaguardar o mistério eucarístico e, além disso, para manifestar que é a Igreja que celebra este jubiloso sacrifício e este sacramento.
É evidente que não é suficiente uma conformidade exterior. A participação na Eucaristia exige a fé, a esperança e a caridade, que se manifestam inclusivamente mediante atos de solidariedade com as pessoas que se encontram em necessidade. (...)
Vinculada ao que se disse, há uma tentação a que se deve resistir: isto é, a de pensar que prestar atenção aos abusos litúrgicos constitui uma perda de tempo. Já se escreveu que os abusos sempre existiram e que sempre hão de existir; por conseguinte, deveríamos preocupar-nos sobretudo com a formação e as celebrações litúrgicas positivas.
Esta objeção, parcialmente verdadeira, pode induzir-nos ao equívoco. Nem todos os abusos a propósito da sagrada Eucaristia têm a mesma importância. Alguns deles ameaçam tornar o sacramento  inválido. Outros manifestam uma carência de fé eucarística. Outros ainda  contribuem para  semear confusão entre o povo de Deus e tendem a desconsagrar as celebrações eucarísticas. Os abusos não devem ser subestimados.
Sem dúvida, todos os membros da Igreja têm necessidade de uma formação litúrgica. Em conformidade com o Concílio Vaticano II, "é absolutamente necessário que se resolva em primeiro lugar o problema da formação litúrgica do clero" (Sacrosanctum concilium, 14). Contudo, é também verdade que "num contexto eclesial ou noutro existem abusos que contribuem para obscurecer a fé reta e a doutrina católica acerca deste sacramento admirável" (Ecclesia de Eucharistia, 10). "Não raro, os abusos fundamentam-se num falso conceito de liberdade" (Instrução, 7). "Com efeito, atos arbitrários não favorecem uma renovação efetiva" (Ibid., n. 11), como almeja o Concílio Vaticano II. "Tais abusos nada têm a ver com o espírito autêntico do Concílio e devem ser corrigidos pelos Pastores, com uma atitude de determinação prudente" (João Paulo II, Carta Apostólica por ocasião do 40º aniversário da Constituição conciliar sobre a liturgia, Spiritus et sponsa, 15).
Como reza a Instrução: "A quem modifica os textos litúrgicos com a sua própria autoridade, é importante recordar que a sagrada Liturgia, de fato, está intimamente ligada aos princípios da doutrina, e o uso de textos e ritos não aprovados comporta, por conseguinte, o debilitamento ou a perda do nexo necessário entre a lex orandi e a lex credendi" (n. 10).
Em 19 de março de 2004, a Instrução foi definitivamente aprovada pelo Papa. No dia 25 seguinte, a Instrução foi publicada. A ela devemos o nome de nossa Associação, e é no espírito do magistério que a publicou que desejamos trabalhar para a glória de Deus e a santificação dos homens.
Convidamos nossos leitores a (re)descobrirem o ensino salutar contido naquelas páginas, louvadas por alguns, desprezadas por tantos, contudo vivas e válidas:
Instrução Redemptionis Sacramentum, sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia
Antes da conclusão legal da Instrução, reza sua última afirmação: "Quisque enim semper meminerit se esse sacrae Liturgiae servitorem" - "Cada um lembre-se sempre que é servidor da sagrada Liturgia".

Por Luís Augusto - membro da ARS