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Mostrando postagens com o rótulo Pentecostes

O amor é um tesouro que encerra todos os bens - Meditação para o fim da Novena de Pentecostes

1. O amor é o tesouro de que fala o Evangelho, o qual nos cumpre adquirir a custo de tudo mais. A razão é porque ele é realmente aquele bem infinito que nos faz participantes da amizade de Deus. Aquele que acha Deus, acha tudo que pode desejar: Delectare in Domino, et dabit tibi petitiones cordis tui - "Deleita-te no Senhor, e ele te concederá as petições do teu coração". O coração humano está sempre procurando bens capazes de torná-lo feliz. Enquanto se dirige às criaturas para os obter, nunca se satisfaz, por mais que receba. Ao contrário, um coração que só quer a Deus, Deus lhe satisfará todos os desejos. Quais são com efeito os homens mais felizes na terra, senão os santos? E por quê? Porque só querem e buscam a Deus. Estando um príncipe a caçar, viu um solitário percorrendo a floresta, e perguntou-lhe o que fazia nesse deserto. "Mas vós, senhor", retorquiu logo o anacoreta, "que vindes buscar aqui"? - "Eu", acudiu o príncipe, "ando em…

Meditação sobre o Mistério de Pentecostes - fogo sobre as cinzas

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Era uma vez a quarta das cinzas. Era uma vez o domingo das línguas de fogo. Admirável que aqui o fogo apareça apenas depois das cinzas!
No caminho que tomamos desde aquele dia, em que ouvíamos falar da necessidade de nos convertermos e de crermos nas santas palavras do Senhor Jesus Cristo, recordávamos solenemente a irmã morte corporal e a certeza de sua vinda. Somos o pó. Estamos ainda neste caminho. Estamos mesmo neste caminho? Entre os quarenta dias de preparação penitencial, com fortíssima índole catequética e batismal, e os cinquenta dias de exultação e festa, levando a termo a preparação anterior, encontra-se um cenáculo, um jardim, um caminho, um monte, um sepulcro, como partes de um eixo que liga o primeiro tempo ao novo tempo. No sexto dia da criação, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança e inspirou nele o sopro da vida para que se tornasse um ser vivente e reinasse sobre toda a criação (cf. Gn 1,26-27;2,7). No sexto dia da Grande Semana, Deus se fez desfigurado, sem a…

Inicia-se hoje (10/05/13) a Novena de Pentecostes

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Pax et bonum!
Amados irmãos, ontem, no Calendário Romano Geral, celebrou-se a Solenidade da Ascensão do Senhor. Alguns lugares, contudo, como o Brasil, transferem, com autorização da Santa Sé, esta solenidade para o VII Domingo da Páscoa.
Pois bem, na sexta-feira da VI semana da Páscoa, ou seja, hoje, inicia-se no orbe católico a Novena de Pentecostes. Passada esta verdadeira quaresma de graça e alegria na presença do Senhor vitorioso e incorruptível, aguardamos agora o Prometido do Pai, o Dedo da Destra de Deus, o Espírito Santo. A antífona do Magnificat na Ascensão, em ambas as Formas do Rito Romano, reza:
Texto oficial:
O rex glóriæ, Dómine virtútum, 
qui triumphátor hódie super omnes cælos ascendísti, 
ne derelínquas nos órphanos; 
sed mitte promíssum Patris in nos, Spíritum veritátis, allelúia.
Versão da CNBB:
Jesus, ó Rei da glória, Senhor do universo,
que, hoje glorioso, subistes para os céus:
Mandai-nos vosso Espírito Prometido pelo Pai
e não nos deixeis órfãos. Aleluia.
Tradução livr…

A forma longa da Vigília de Pentecostes

Pax et bonum!

Esta postagem deveria ter surgido muito mais cedo, mas somente hoje encontrei certos materiais e textos a respeito. Trata-se da celebração prolongada da Vigília de Pentecostes, citada primeiramente em 1988, na Carta Paschalis Sollemnitatis, da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, mas só inserida em 2008 como suplemento dentro do Missale Romanum, na editio typica tertia emendata. Como ainda hoje não contamos com a tradução brasileira da edição típica terceira, e sobretudo agora, depois de 2008, com algumas emendas, não temos material oficial no Brasil, tal e qual se encontra no Missal latino atualmente. Um dos colaboradores do blog Pray Tell postou no último dia 23 (quarta-feira), os textos em inglês que, creio, são os oficiais, da nova tradução do Missal Romano nos Estados Unidos. Aproveitando este trabalho, segue uma versão nossa, embora tardia. A forma longa é interessante, prevendo-se a junção com as I Vésperas de Pentecostes, e esta certame…

"Qui procedis ab utroque" - um hino de mais de 800 anos ao Espírito Santo

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Pax et bonum!

Procurando na obra Paradisum Animae Christianae, já citada noutra postagem, orações a Deus Espírito Santo, encontrei um belo hino que começa com o verso "Qui procedis ab utroque". Todavia, dele encontrei mais de uma versão. Parece certo que seu autor é Adão de São Victor, um dos mais ilustres poetas litúrgicos, tido para alguns como o maior dos poetas latinos sacros da idade média. Francês, nasceu na segunda metade do séc. XII. Foi cantor na Catedral de Notre-Dame de Paris e depois viveu na Abadia de São Victor, em Paris, morrendo por volta de 1146. Depois da dissolução da Abadia, por conta da Revolução Francesa (séc. XVIII), seus trabalhos lá preservados foram parar na Bibliothèque Nationale, sendo encontrados posteriormente e publicados no séc. XIX. A letra do hino, abaixo transcrita, sendo cada estrofe seguida de uma tradução livre nossa (ligeira, despretensiosa, mais ou menos literal, apenas indicativa), foi tomada da obra Sacred Latin Poetry, de 1849, e é …

Pentecostes na Jerusalém do séc. IV

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Pax et bonum! 
Retornando aos belos testemunhos da "Peregrinação de Etéria", leiamos hoje como os cristãos celebravam Pentecostes na Cidade Santa. Mais uma vez o testemunhos destes católicos incansáveis nos interpela. Mais uma vez vemos, como já desde as outras celebrações do Tríduo Pascal, o forte sentido de vigília, que mantinha os cristãos em oração desde tarde da noite até o dia seguinte inteiro, suportando, como parecia ser uma amada tradição, subir o Monte das Oliveiras e de lá descer em procissão até a Cidade. O relato está na II parte da obra, no site Veritatis Splendor. Infelizmente, e não sei por qual motivo, a página só está acessível pelo cache do Google.
XLIII 1. [Pentecostes] E no quinquagésimo dia após a Páscoa, que é um domingo, dia em que maior é a fadiga para o povo, iniciam-se as comemorações, como sempre, a partir do primeiro canto do galo [talvez por volta das 3h da madrugada]; vela-se na Anástasis [=Santo Sepulcro], para que o bispo leia o texto que semp…

Catequese sobre o Espírito Santo, por São João Maria Vianney

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Ó, meus filhos, como é belo! O Pai é nosso Criador, o Filho é nosso Redentor e o Espírito Santo é nosso Guia... O homem por si só não é nada, mas com o Espírito Santo ele é grandioso. O homem é todo terreno e animal; nada além do Espírito Santo pode elevar sua mente às alturas. Por que os santos foram tão desapegados das coisas terrenas? Porque eles se deixaram guiar pelo Espírito Santo. (...) O Espírito Santo é luz e força. Ele nos ensina a distinguir entre a verdade e a mentira, entre o bem e o mal. Como lentes que aumentam os objetos, o Espírito Santo nos mostra o que é bom e o que é mau em tamanho grande. Com o Espírito Santo vemos tudo em suas verdadeiras proporções; vemos a grandeza das menores ações feitas por Deus, e a grandeza das menores faltas. (...) Assim, as menores imperfeições parecem-nos muito grandes, os menores pecados inspiram-nos horror. Esta é a razão por que a Santíssima Virgem nunca pecou. O Espírito Santo fê-la entender como o pecado é hediondo (...). As pesso…

A "Sequência de Ouro": Veni Sancte Spiritus

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É a Sequência para [a solenidade de] Pentecostes (a SEQVENTIA AVREA - "Sequência de Ouro"). É cantada na Missa desde Pentecostes até o sábado seguinte [na Forma Extraordinária] e é composta de dez estrofes da seguinte forma:

Veni, Sancte Spiritus,  Et emitte cælitus  Lucis tuæ radium.
Alguns hinologistas juntam em uma duas destas estrofes, sem dúvida para completar o esquema rítmico da terceira linha, como no caso de "Lauda Sion" [Sequência da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo] e "Stabat Mater" [Sequência da Solenidade de Nossa Senhora das Dores]. A característica peculiar do "Veni Sancte Spiritus", todavia, é a persistência, no decorrer hino, na mesma conclusão rítmica em 'ium'  em todas as estrofes, uma característica imitada na tradução de Dr. Neale (no "Manual de Orações de Baltimore"). Esta versão do hinologista anglicano só é menos popular que a do Ir. Caswall, que tanto é encontrada em hinários católicos e p…

O Espírito Santo na Liturgia (Orações do Dia)

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Orações do Dia (Collectae) retiradas do Missale Romanum, tanto na Forma Ordinária como na Extraordinária.
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Praesta, quaesumus, omnipotens Deus: ut claritatis tuae super nos splendor effulgeat; et lux tuae lucis corda eorum, qui per gratiam tuam renati sunt, Sancti Spiritus illustratione confirmet. (Vigília - F.E. - Dai, nós vos pedimos, ó Deus todo-poderoso, que fulgure sobre nós o esplendor de vossa claridade e que a luz da vossa luz, pela iluminação do Espírito Santo, confirme os corações dos que renasceram pela vossa graça.)
Deus, qui hodierna die corda fidelium Sancti Spiritus illustratione docuisti: da nobis in eodem Spiritu recta sapere; et de eius semper consolatione gaudere. (Solenidade - F.E. - Ó Deus, que hoje instruístes os corações dos fieis com a iluminação do Espírito Santo, dai-nos o reto saber, no mesmo Espírito, e o sempre gozar de sua consolação.)
Omnípotens sempitérne Deus, qui paschále sacraméntum quinquagínta diérum voluísti mystério continéri, praesta, ut, géntium …

Trechos da Divinum illud munus, de Leão XIII

Nada confirma tão claramente a divindade da Igreja como o glorioso esplendor de carismas que por toda parte a circunda: coroa magnífica que ela recebe do Espírito Santo. (...) Devemos amar o Espírito Santo, porque é Deus: Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças (Dt 6,5). E há de ser amado, porque é o Amor substancial eterno e primeiro, e não há coisa mais amável que o amor. E tanto mais o devemos amar quanto mais ele nos tem cumulado de seus imensos benefícios que, se por um lado atestam a benevolência daquele que dá, por outro exigem a gratidão da alma que os recebe. (...) Quanto somos e temos, tudo é dom da divina bondade que corresponde como própria ao Espírito Santo. (...) O homem cristão deve resplandecer em toda virtude, especialmente na pureza e na santidade, para não desagradar a tão grande hóspede, posto que a pureza e a santidade são as virtudes próprias de um templo. (...) Cconvém rogar e pedir ao Espírito Santo, cujo …

Começou ontem a Novena de Pentecostes

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Pax et bonum!
Iniciou ontem (14 de maio) em todo o orbe católico (ao menos deveria ser) a Novena de Pentecostes. A mesma tem claro mandato na Encíclica Divinum illud munus, do Papa Leão XIII, de 9 de maio de 1897, sobre a presença e a virtude admiráveis do Espírito Santo. Nela está escrito: Vede, veneráveis irmãos, os nossos avisos e exortações sobre a devoção ao Espírito Santo, e não duvidemos que, principalmente por virtude de vosso trabalho e solicitude, se hão de produzir frutos salutares no povo cristão. Certo que jamais faltará nossa obra em coisa de tão grande importância; mais ainda, temos a intenção de fomentar esse tão formoso sentimento de piedade por aqueles modos que julgarmos mais convenientes para tal fim. Entretanto, posto que Nós, agora há dois anos, por meio do breve Provida Matris, recomendamos aos católicos, para a solenidade de Pentecostes, algumas orações especiais a fim de suplicar pelo cumprimento da unidade cristã, cabe-nos agora acrescentar algo mais. Decretamos…

Sermão sobre Pentecostes, de São Leão Magno (séc. V)

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Todos os corações católicos sabem, caríssimos, que a solenidade de hoje deve ser celebrada como uma das festas mais importantes. Ninguém ignora ou contesta a reverência com que se deve festejar este dia, consagrado pelo Espírito Santo com o milagre excelente de seu dom. Sendo, na verdade, o décimo dia depois daquele em que o Senhor subiu ao céu, para se assentar à direita de Deus, refulge como o dia qüinquagésimo após a sua Ressurreição, e traz em si grandes mistérios, referentes a antigos e novos sacramentos, na mais clara manifestação de que a Graça foi prenunciada pela Lei e a Lei cumprida pela Graça. Sim, do mesmo modo como outrora, no monte Sinai, a Lei fora dada ao povo hebreu, libertado dos egípcios, no dia qüinquagésimo após a imolação do cordeiro, assim também, após a Paixão de Cristo, imolação do verdadeiro Cordeiro de Deus, é no qüinquagésimo dia desde sua Ressurreição que se infunde o Espírito Santo nos apóstolos e na multidão dos fiéis. O cristão diligente facilmente vê c…