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Mostrando postagens com o rótulo Reforma da Reforma

A interpretação do Concílio e a renovação da Congr. para o Culto Divino

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Pax et bonum!
Há não muitos dias, o sub-secretário da Congregação para o Culto Divino, o Mons. Juan Miguel Ferrer Grenesche, participou de uma Conferência sobre canto gregoriano, na qual falou amplamente da interpretação do Concílio Vaticano II, dos verdadeiros inimigos da dita assembleia conciliar, das causas da crise pós-conciliar e da secularização intra-eclesial, assim como também dos desafios que seu dicastério tem adiante, a partir do Motu proprio “Quærit semper”, de Bento XVI, que pediu que a Congregação se dedicasse principalmente à promoção da Sagrada Liturgia. Segue uma tradução nossa que, assim como a versão espanhola, não é integral, embora seja suficiente para nosso intento.

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Todos conhecem a insistência e a centralidade que o Santo Padre Bento XVI desejou reservar durante todo o seu pontificado à correta e autêntica aplicação dos ensinamentos do Concílio Vaticano II. Mas isto é realmente uma novidade? Na verdade, não. Esta solicitude é, de fato, manifestação de um int…

Normas, para quê? Respondem João Paulo II, Cardeal Arinze e a Redemptionis Sacramentum

Pax et bonum!
Considero muito a propósito respondermos com o magistério da Igreja a uma dúvida pertinente, que às vezes povoa a mente de simples fieis, presbíteros ou até de estudiosos da Sagrada Liturgia: "Rubricas, normas, para quê?" Recordo no momento uma das perguntas de uma entrevista feita ao Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, da Arquidiocese de Cuiabá, sobre a Liturgia, bem como sua resposta:
Aos que querem a Missa mais sóbria, de acordo com as normas, com incenso, latim, paramentos bonitos, logo se lhes acusam de “rubricistas” ou de “obtusos”, “antiquados” e até de “fariseus”. Dizem que a Missa tem que ser “alegre”, com improvisação, sem se prender a fórmulas. Alegam que pra Jesus, “o que importa é o coração, é o interior”. Como responder a tudo isso? “Unum facere et alium non omittere”, Fazer uma coisa e não omitir a outra. Ou seja, observar as normas litúrgicas e obedecê-las não é algo que está divorciado com o coração. É necessário escolher as duas coisas. Obediê…

"A Sacrosanctum Concilium e a Reforma do Ordo Missæ", por Dom Alcuin Reid

Obsecramus pro Christo, reconciliamini Deo.
Pax et bonum! No dia 04 de agosto de 2011 eu publiquei aqui no blog a tradução do artigo"Sacrosanctum Concilium and the Reform of the Ordo Missæ" do então clérigo Dr. Alcuin Reid, da Diocese de Fréjus-Toulon, na França. Dois dias depois (06/08/11), fiz um público mea culpa, depois de ter sido exortado pelo autor a retirar a tradução da web, por não ter pedido permissão para a tradução e para a publicação. Mais dois dias (08/08/11) e o autor me pede a tradução para analisá-la, revisá-la e providenciar, provavelmente em novembro [de 2011], que eu a publique, sem mais nada dever. Com alegria, recebi no último dia 05 um novo email do autor, no qual também apresenta seu novo estado de vida: é monge da recente fundação beneditina na mesma Diocese. Neste email, vem em anexo a tradução revisada e corrigida, com permissão para ser publicada como antes. Caríssimo irmão, Dom Alcuin Reid, eu, pessoalmente, a ARS e todos os fiéis de língua portuguesa …

Por uma liturgia mais significativa... mas como?

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Et verbum caro factum est!
ROMA, 12 de MAIO de 2009 (Zenit.org).- Pergunta respondida pelo Pe. Edward McNamara, Legionário de Cristo, professor de liturgia no Ateneu Regina Apostolorum.

Pergunta: Atualmente parece haver uma mudança do espírito da liturgia para uma performance ritualística e mecânica. Sendo a nossa liturgia totalmente seca, muitos Católicos em várias partes da Índia estão indo para igrejas protestantes onde o culto é espontâneo, significativo e dá-lhes um senso de envolvimento e satisfação. Algumas das perguntas feitas para o senhor, bem como as respostas dadas, parecem não ser atraentes para a alma. Não deveríamos pensar em promover uma liturgia significativa à luz da cultura local e de suas necessidades? -- P.J., Dindigul, Índia

Resposta: Nós vez ou outra recebemos perguntas deste tipo, que tocam em assuntos fundamentais, relativos ao propósito e à natureza da liturgia. No decorrer dos anos, esta coluna [do Zenit] tem versado sobre vários pontos da liturgia, alguns dos q…

"O Antigo Missal Romano: perca e redescoberta" - parte 4/4

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Antes das mudanças, toda uma coroa de gestos reverentes tinha se acumulado em torno do sacramento do altar, e estes gestos davam um sermão eloquente, recordando constantemente o sacerdote e o povo da misteriosa presença do Senhor no Pão e no Vinho consagrados. Podemos ter certeza disto: nenhuma doutrinação teológica da parte dos chamados teólogos “iluminados” fez tão mal à crença dos católicos ocidentais quanto a comunhão na mão. Isto imediatamente aboliu todos os antigos cuidados quanto às partículas da Hóstia. É impossível, então, receber a comunhão na mão de modo reverente? Claro que é possível. Mas uma vez que a etiqueta da reverência existe e tem tido seu benefício, sua elevada influência sobre a consciência do fiel, é lógico que a retirada da etiqueta deu um claro sinal (e de modo algum apenas para os simples crentes). Que sinal foi esse? Que o grau de reverência de antes não era requerido. Isto por sua vez, logicamente, produziu a convicção — uma convicção que não se fez explíc…

"O Antigo Missal Romano: perca e redescoberta" - parte 3/4

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A própria reforma do Papa Paulo [VI] teve consequências pesadas, mas a forma com que ela foi levada a cabo, particularmente na maioria das dioceses da Europa e dos Estados Unidos, é que lançou ao lixo tudo o que, no Rito Paulino, ainda tinha ligação com a tradição católica. Neste ano do eixo, 1968, reforma tornou-se revolução. Começou com a liturgia. E aqui podemos ver o papel central dela na Igreja: tudo o mais, a teologia, a pessoa do sacerdote, a constituição hierárquica da Igreja, as orações cotidianas dos fiéis, o edifício da cultura católica, as obras missionárias, e por fim até os artigos centrais da fé, estava intimamente ligado à Liturgia. Com a liturgia, ou todos ficam firmes ou todos caem. A liturgia não era uma forma historicamente condicionada que poderia ser substituída ou adaptada para todas as necessidades cotidianas, sem que sua substância sofresse algum prejuízo. Isto seria óbvio até para as pessoas que equivocadamente pensavam que o amor pela liturgia tradicional er…

"O Antigo Missal Romano: perca e redescoberta" - parte 2/4

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Após esta prolongada introdução, retornarei agora ao desenvolvimento que teve lugar no despertar do Concílio Vaticano II. Algo então aconteceu e que nunca tinha acontecido antes. Era algo novo. Era novo de tal forma que os católicos só podiam olhar para isto com medo e apreensão. Eu tentei descrever o relacionamento da Igreja com a sua liturgia: por quase dois mil anos a liturgia da Igreja foi aceita sem questionamento como a presença corporal de Jesus, a Cabeça da Igreja. Era o corpo visível da Igreja. Para um católico esta visibilidade não é algo subordinado: ela não está subordinada a um mundo superior, invisível. O próprio Deus assumiu um corpo humano e até mesmo levou as chagas consigo para sua glória. Desde que o Deus-homem viu com nossos olhos e ouviu com nossos ouvidos, nossos sentidos (que são por natureza tão facilmente enganados) estão fundamentalmente habilitados para reconhecer a verdade. Como um resultado da Encarnação de Cristo o mundo material não é mais o reino da ilu…

"O Antigo Missal Romano: perca e redescoberta" - parte 1/4

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Pax et bonum!

Há algumas semanas encontrei uma palestra de Martin Mosebach, leigo católico e renomado escritor alemão, que foi proferida numa Convenção de Liturgia da Arquidiocese de Colombo, no Sri Lanka. Traduzi-a. Não é um texto de um "tradicionalista radical", tirado de sites "ultra-tradicionalistas" (como alguns gostam de apelidar maldosamente), mas é uma palestra de um encontro arquidiocesano. Só lembrando: o arcebispo de Colombo é Sua Eminência o Cardeal Albert Malcolm Ranjith, que já foi secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. O texto parece carregar um tom um tanto dramático, mas no fim das contas se descobre que trata da verdade, ainda que possivelmente aumentada, embora em pouquíssimos detalhes.  Por ser grande, postei em quatro partes. Pode-se vê-lo integralmente em pdf no Gloria.TV.
Muito bom, muito atual, muito realista!

Original: http://www.archdioceseofcolombo.com/news.php?id=1076

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ARQUIDIOCESEDE COLOMBO – SRI LANKA

Cardeal Burke sobre o Summorum Pontificum e a reforma litúrgica pós-conciliar

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Da entrevista concedida por Sua Eminência, o Cardeal Raymond Burke, Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, para a edição de maio de 2011 do noticiário católico francês La Nef.
Bento XVI, o amor do bom pastor
La Nef:Depois de três anos, que avaliação o senhor faz da aplicação do motu proprio Summorum Pontificum? Cardeal Burke: Em sua aplicação, eu verifico um interesse e uma apreciação sempre crescente pela forma extraordinária do Rito Romano, da parte do fiéis em geral e dos jovens católicos em particular. Excelentes iniciativas tomaram lugar no intuito de promover a formação quanto ao motu proprio e seus objetivos, previstos pelo Santo Padre quando de sua promulgação. Penso em numerosas conversas, discursos, debates individuais bem como conferências sobre a Sagrada Liturgia, que deram particular atenção à forma extraordinária do Rito Romano e à sua relação com a forma ordinária. No mais, vários livros e artigos foram publicados, tendo como fim um profundo estudo do motu …

A Teologia da Liturgia, por Card. Ratzinger - Parte IV (final e PDF)

Pax et bonum!

Quarta e última parte da conferência sobre Teologia Litúrgica, dada pelo CardealJoseph Ratzinger nas famosasJournees Liturgiques de Fontgombault, na França, em 2001. 

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6. O sacrifício espiritual

Finalmente, gostaria de apontar muito brevemente um terceiro caminho no qual a passagem do culto de substituição, aquele da imolação de animais, para o verdadeiro sacrifício, a comunhão com a oferta de Cristo, torna-se progressivamente mais clara. Entre os profetas antes do exílio, houve uma crítica extraordinariamente severa ao culto do templo, que Estêvão, para o horror dos doutores e sacerdotes do templo, resume em seu grande discurso, com algumas citações, notadamente este versículo de Amós: “Porventura, casa de Israel, vós me oferecestes vítimas e sacrifícios por quarenta anos no deserto? Aceitastes a tenda de Moloc e a estrela do vosso deus Renfão, figuras que vós fizestes para adorá-las!” (Am 5,25ss, At 7,42). Esta crítica que os profetas fizeram forneceu o fundamento espir…