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Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - O Card. Bacci e "A túnica rasgada" de Tito Casini

Pax et bonum!

Prosseguimos no início de 1967. Iríamos começar hoje a tradução da Alocução de Paulo VI ao Consilium, de 19/04/1967 quando, no mesmo texto francês, encontramos uma nota explicando que o Papa, defendendo o Card. Lercaro, em certo ponto, citou uma publicação que seria o livro "La tunica stracciata" (ou seja, "A túnica rasgada"), de Tito Casini (1897-1987), escritor italiano que produziu interessantes textos sobre as consequências más das mudanças que aconteciam após o Concílio. Pois bem, enquanto Paulo VI defendia o Card. Lercaro, o livro em questão tinha seu prefácio escrito pelo Card. Antonio Bacci. Achamos por bem traduzir o prefácio da obra, que estará citada na alocução que virá nas próximas postagens. O prefácio por si nos revela que a situação das arbitrariedades no campo litúrgico parece agravar-se. Se no ano anterior (1966) se falava das "ceias eucarísticas", vemos agora outras "missas", como a "missa beat". "L…

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - A Instrução Musicam Sacram

Pax et bonum!

Dos tempos do Papa Pio XII nos veio um documento sobre a Música Sacra. Trata-se da Encíclica Musicae Sacrae Disciplina, do Natal de 1955, que embora não tenha aparecido em nosso blog nalguma outra postagem, é muito digna de conhecimento e leitura, sobretudo por ser do punho deste grande Papa que muito amava a Sagrada Liturgia. Pois bem, no pós-Concílio, os dois dicastérios autores das reformas de que estamos falando nas postagens da série, ou seja, a Sagrada Congregação dos Ritos e o Consilium, trataram do assunto da música sacra numa instrução, conjunta, própria: a Musicam Sacram, de 05/03/1967. Nela há trechos interessantes sobre a participação, instrumentos, gêneros, desenvolvendo o que fora dito na Constituição do Concílio. As regras aí expostas deveriam ser consideradas como atuais e válidas, pois não houve outro documento do mesmo porte e qualificação posteriormente. Segundo o Pe. Edward McNamara, de quem já traduzimos alguns trechos de sua coluna de perguntas e re…

A Bula Consueverunt Romani Pontifices, de São Pio V

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Pax et bonum!

Hoje, memória de Nossa Senhora do Rosário, apresentamos, talvez pela primeira vez na web, a tradução da Bula (Constituição Apostólica) Consueverunt Romani Pontifices, do Papa São Pio V, na qual, segundo o Papa Paulo VI, o então Sucessor de Pedro "ilustrou e, de algum modo, definiu a forma tradicional do Rosário" (cf. Exort. Apost. Marialis Cultus, 42). Esta Bula o Papa São Pio V escreveu dois anos antes da gloriosa vitória dos cristãos sobre os invasores muçulmanos na Batalha de Lepanto, que hoje completa 442 anos. Esta vitória deu origem à Festa de Nossa Senhora da Vitória que depois ficou sendo chamada de Nossa Senhora do Rosário. Para o louvor de Cristo, nosso Deus e Senhor, e da Santíssima Virgem Maria.
CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA CONSUEVERUNT ROMANI PONTIFICES DO SANTO PADRE PIO V
Os Pontífices Romanos, e os outros Santos Padres, nossos predecessores, quando sob a pressão de guerras temporais ou espirituais, ou perturbados por outras provações, a fim de mais fa…

A humildade de Deus

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Que o homem todo se espante, que o mundo todo trema, que o céu exulte,  quando sobre o altar, nas mãos do sacerdote, está Cristo, o Filho de Deus vivo (Jo 11,27)! Oh! grandeza admirável, oh! condescendência assombrosa,  oh! humildade sublime, oh! sublimidade humilde,  que o Senhor de todo o universo, Deus e Filho de Deus,  se humilhe a ponto de se esconder, para nossa salvação,  nas aparências de um bocado de pão. Vede, irmãos, a humildade de Deus e derramai diante dele os vossos corações (Sl 61, 9);  humilhai-vos também vós para que ele vos exalte (1Pd 5, 6; Tg 4,10).
(São Francisco de Assis, Carta a toda a Ordem, 26-28)
Que hoje o abrasado São Francisco de Assis rogue pela cristandade, a fim de que cada católico redescubra o valor da Santa Missa!

O sangue dos mártires no Nordeste - Os bem-avenurados de Cunhaú e Uruaçu

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Pax et bonum!


Hoje, 03 de outubro, em nossa pátria, comemora-se a memória obrigatória dos Bem-aventurados Mártires de Cunhaú e Uruaçu, duas localidades do Estado do Rio Grande do Norte, no município de São Gonçalo do Amarante, não muito distantes da capital, Natal. Durante as invasões holandesas no nordeste do Brasil, no séc. XVII, surgem gloriosos,embora cruéis, os dois episódios de martírio que levaram 30 almas à beatificação, mas cerca de 150 para a glória do Céu. Destas 30 almas, sobressaem os nomes do Pe. André de Soveral, Pe. Ambrósio Francisco Ferro e Mateus Moreira. Os massacres, pela mão dos índios potiguares e dos holandeses calvinistas, aconteceram nos dias 16/07 (na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho de Cunhaú) e 03/10 (num porto de Uruaçu) de 1645. Portanto, completam-se neste ano, e hoje particularmente, 368 anos que o solo nordestino foi regado pelo sangue das testemunhas fiéis a Cristo, à Igreja, ao Papa, ao Rei e à Pátria. Os 30 heróis da fé foram beatif…

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - Sacrificium Laudis: o abandono do latim e a tristeza de Paulo VI

Pax et bonum!

Iniciaríamos a publicação de documentos do ano de 1967 quando nos damos conta de que tínhamos ignorado um importante e revelador documento de meados de 1966. Trata-se da Carta Apostólica Sacrificium Laudis, do Papa Paulo VI, "sobre a língua latina a ser usada no Ofício Litúrgico coral por parte dos religiosos obrigados ao coro", quem entendemos ser sobretudo os monges. Pois bem, havíamos dito que o ano de 1966 apresentou, fora do contexto das experiências oficiais e autorizadas, um grande número de experiências arbitrárias. Paulo VI, o Cardeal Lercaro e o Pe. Bugnini levantam a voz contra o que acontecia. Mas ainda assim essas vozes pareciam soar distante dos casos concretos, provavelmente à sombra da conivência dos bispos dos lugares em questão. Nesta Carta, Paulo VI, abalado e triste pelos pedidos de mudança do latim e do gregoriano, em prol do vernáculo e dos cantos modernos em voga, pergunta: "De onde saiu  e porque se difundiu, esta mentalidade e este…

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - Apresentação da Declaração sobre as iniciativas litúrgicas arbitrárias

Pax et bonum!

Neste período entre os anos de 1966 e 1967, reconhecidamente marcado por experiências litúrgicas não autorizadas e além dos limites, a Santa Sé, em seus dois órgãos responsáveis pela reforma litúrgica, emite uma Declaração. Um dos personagens principais dos trabalhos da reforma, o ainda Pe. Annibale Bugnini, faz a apresentação da Declaração, esclarecendo ou complementando, de certa forma, as palavras ali colocadas. Em breve seguirão duas postagens da série: - A tradução da alocução do papa Paulo VI aos membros do Consilium (abril/1967), na qual ele também falará das iniciativas arbitrárias, da dessacralização e onde também reafirmará sua confiança nos trabalhos oficiais. - A tradução da segunda instrução de implementação da Constituição Sacrosanctum Concilium, a Instrução Tres abhinc annos (maio/1967), na qual constam mudanças que teoricamente foram experimentadas a partir de 1965. Assim, teremos, de alguma maneira, a segunda forma do Missal após o Concílio. Nesta aprese…