segunda-feira, 21 de julho de 2014

Há 67 anos falecia o Servo de Deus Pe. João Batista Reus, SJ

Pax et bonum!

Hoje, 21 de julho, celebra-se a memória de São Lourenço de Bríndisi, frade menor capuchinho, sacerdote, Doutor da Igreja, que morreu em Lisboa, em Portugal, em 1619. Sua memória é celebrada nesta data nas duas formas do Rito Romano.
Não se sabe quando, mas cremos que, daqui a alguns anos, hoje também haverá uma outra memória facultativa, a memória do Servo de Deus Pe. João Batista Reus, SJ, cujo processo de beatificação existe desde os anos 50 do século passado, quando este, enfim, for declarado "Bem-aventurado" e, posteriormente, "Santo".
É um dia alegre para nós, da Associação Redemptionis Sacramentum, bem como para os fiéis alemães e para os muitos devotos que o conheceram pessoalmente ou não no Estado do Rio Grande do Sul, sobretudo na cidade de São Leopoldo.
Segue uma pequeníssima biografia do santo professor e místico da Sagrada Liturgia, para reforçar as virtudes e a fama deste grande sacerdote.
Que ele rogue a Deus pelo Novo Movimento Litúrgico em nossa pátria.

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Há 67 anos, no dia 21/07/1947, o Brasil perdia um padre jesuíta, missionário alemão, mas certamente ganhava mais um intercessor. Homem razoavelmente retraído, alto, sério, feições rígidas... era assim que este religioso, cerimoniário, professor de Liturgia e profundo amante do Sagrado Coração de Jesus escondia uma longa e maravilhosa vida mística que só se tornou melhor conhecida ao mundo depois de sua morte.
Falo do Servo de Deus Pe. João Batista Reus (a pronúncia de seu sobrenome é Róis) ou simplesmente Pe. Reus, como conhecido e venerado pelos milhares e milhares de peregrinos que pedem sua intercessão e que visitam seu túmulo em São Leopoldo-RS.
Nascido em Pottenstein, na Alemanha, a 10/07/1868, pisou em terras brasileiras, como sacerdote missionário jesuíta, no dia 15/09/1900. Viveu em nosso país 47 anos, a maior parte de sua vida. Exerceu seu ministério em Rio Grande, Porto Alegre e São Leopoldo, todas cidades do Rio Grande do Sul.
Encontrou, naquele início de século XX, um ambiente em parte hostil, onde concorriam o anti-clericalismo maçônico, as falsas doutrinas do espiritismo e outras superstições, maus exemplos de alguns sacerdotes e uma situação de pouca piedade e formação por parte de muitos leigos.
Foi professor, cuidou de capelas, trabalhou junto aos movimentos operários católicos, defendeu a fé contra o modismo das filosofias ateístas de então, foi capelão de religiosas, catequizou muitas crianças.
Tinha como horizonte a vontade de Deus e chegou a fazer um voto de sempre procurar o que sua consciência considerasse como o mais perfeito, por mais que isso lhe impusesse contrariedades e sacrifícios.
A providência divina o foi escondendo cada vez mais enquanto pouco a pouco lhe concedia com sempre maior liberalidade participar da intimidade do Senhor.
Em 07/09/1912 recebeu o dom dos estigmas invisíveis (não haviam chagas exteriores, no corpo, mas ele experimentava as dores, muitas vezes com intensidade quase insuportável), tornando-se, assim, o segundo sacerdote conhecido a receber tal graça, sendo o primeiro São Padre Pio (*25/05/1887 +23/09/1968), capuchinho italiano e seu contemporâneo, que recebera tal mercê dois anos antes.
Os favores místicos foram se multiplicando, sobretudo enquanto celebrava a Santa Missa, durante a qual quase sempre entrava em êxtase cerca de 3 vezes.
Favorecido como era, não poderia deixar de ser humilde. Era um sacerdote bastante mortificado e confessava-se todos os dias. Visitava o Sacrário em quase todas as horas, prolongava-se um pouco em adoração noturna semanalmente.
Chegou ainda a ser pároco por dois anos até, em 1914, tornar-se diretor espiritual do Seminário de São Leopoldo, cargo que levaria por muitos anos, e também aí professor. Em suas palavras enfatizava o cumprimento do dever, o domínio de si, a fidelidade na oração, a devoção a Nossa Senhora, Medianeira de todas as graças, e o amor ao Sagrado Coração de Jesus.
Pe. Reus não mais foi pároco, não apareceu diante de multidões a querer tocá-lo, não construiu hospitais, não foi mártir durante as revoluções e guerras, não fez tantas coisas como as fizeram outros santos naquele século. Era ele um silencioso agraciado aos pés do altar e na cruz de cada dia, como prolongamento do sacrifício em que nos tornamos hóstia com o Redentor. Alcançou uma santidade escondida, uma santidade desprezada, porque assim Deus quis.
Faleceu aos 79 anos, com asma e arteriosclerose, por volta das 16h30 de uma segunda-feira, sozinho, tranquilo e silencioso, enquanto um outro jesuíta lhe deixara para chamar imediatamente o reitor, vendo que chegava o último suspiro.
Muito desejava a morte, para chegar à posse plena de Deus, mas queria viver para difundir o Reino do Sagrado Coração nos corações dos que Cristo remiu.
A Causa da Beatificação foi aberta nos anos 50 e validada pela Santa Sé em 2013. O padre agora traz oficialmente o título de “Servo de Deus”.
Peçamos ao Pai que, pelos méritos deste seu servo, amadureçamos na fé, celebremos com maior profundidade a Sagrada Liturgia e amemos a Deus e ao próximo com mais desprendimento e disposição para o sacrifício.

Por Luís Augusto - membro da ARS

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