segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Como deve ser o toque da sineta/carrilhão na Consagração?

Pax et bonum!

Algo que às vezes causa dúvidas entre coroinhas é a forma de se tocar a sineta/carrilhão. Quantos toques? Como se tocar?
Há um bom tempo respondemos a um email de uma leitora com esta dúvida, mais especificamente na hora da Consagração. Como poderá ser dúvida de mais alguém, transcrevemos nossa resposta. 
Não se pretendeu escrever um tratado ou um manual sobre a sineta/carrilhão, mas apenas dar o direcionamento geral, segundo a Igreja.

Pax et bonum, caríssima N..
Bem, passemos diretamente para os livros litúrgicos, para vermos o que ele nos dizem do toque da sineta/campainha/carrilhão.
No Missal de 1962 (Forma Extraordinária do Rito Romano), no Ritus Servandus in Celebratione Missæ (VIII, 6) lemos o seguinte:
Interim dum Celebrans elevat Hostiam, accenso prius intorticio (quod non exstinguitur, nisi postquam Sacerdos Sanguinem sumpserit, vel alios communicaverit, si qui erunt communicandi in Missa), minister manu sinistra elevat fimbrias posteriores Planetæ, ne ipsum Celebrantem impediat in elevatione brachiorum; quod et facit in elevatione Calicis; et manu dextera pulsat campanulam ter ad unamquamque elevationem, vel continuate quousque Sacerdos deponat Hostiam super Corporale, et similiter postmodum ad elevationem Calicis.
ou seja
"Enquanto o celebrante eleva a Hóstia, estando já as tochas acesas (que não se apagam senão após o sacerdote tomar o Sangue ou os outros terem comungado, se houver comungantes na Missa), o ministro eleva as extremidades posteriores da planeta (casula) com a mão esquerda, para que não se impeça o celebrante de elevar os braços, o que também faz na elevação do Cálice, e com a mão direita toca a sineta três vezes em cada elevação, ou de modo contínuo até que o sacerdote deponha a Hóstia sobre o corporal, e igualmente durante a elevação do Cálice".
Assim, na forma mais antiga da Missa, toca-se tradicionalmente:
- Quando o padre faz a primeira genuflexão, antes de elevar;
- Quando a Hóstia/o Cálice está elevada(o);
- Quando o padre faz a segunda genuflexão, depois de elevar.
Este é o fundamento das três badaladas curtas.
No Missal de 1970, em sua edição de 2002, na Institutio Generalis Missalis Romani (n. 150), lemos o seguinte:
Paulo ante consecrationem, minister, pro opportunitate, campanulae signo fideles monet. Item pulsat campanulam ad unamquamque ostensionem, iuxta cuiusque loci consuetudinem.
ou seja
"Um pouco antes da Consagração, o ministro, segundo a ocasião, adverte os fieis com um sinal da sineta. Toca-a também a cada elevação, segundo os costumes do lugar".
Assim, vemos que a forma do toque não é rígida, fixa.
Podemos dizer, todavia, que as três badaladas são a forma mais tradicional.
Padronizar pode ser algo bom; fica melhor para se ensinar. Tenha-se o cuidado de, sobretudo entre os coroinhas, alguns não debocharem dos menos experientes ou que tocam diferente. Ensine-se que a Igreja não fixa um modo na Missa na Forma Ordinária. Na Missa na Forma Extraordinária, porém, o ideal é que se faça como o Missal manda.
Como na Missa na Forma Ordinária o sacerdote não faz uma primeira genuflexão, o primeiro toque poderia ser dado logo que se terminasse de proferir a consagração, o segundo no ponto mais alto da elevação, e o terceiro quando o sacerdote fizesse a genuflexão.
Esperamos ter ajudado.
Deus abençoe você.
Uma observação é que há lugares em que, na Forma Extraordinária, toca-se uma vez na primeira genuflexão do sacerdote, três vezes durante a elevação e mais uma vez na segunda genuflexão, para cada consagração.
O vídeo abaixo pode exemplificar o uso que, particularmente, considero mais tradicional.



Por Luís Augusto - membro da ARS

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