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Mostrando postagens com o rótulo Padres da Igreja

"Concentremos o espírito para orar", por Santo Agostinho

Pax et bonum!

No Ofício das Leituras desta segunda-feira da XXIX semana do Tempo Comum (Forma Ordinária do Rito Romano), Santo Agostinho, bispo de Hipona (séc. V), exorta-nos à constância do afeto e do desejo da vida divina, mesmo nas atividades corriqueiras da vida. Isto seria estar em oração contínua. Os grifos são nossos.
Da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo
 (Ep.130,9,18-10,20:CSEL44,60-63)        (Séc.V)

Em horas determinadas concentremos o espírito para orar Desejemos sempre a vida feliz que vem do Senhor Deus e assim oraremos sempre. Todavia por causa de cuidados e interesses outros, que de certo modo arrefecem o desejo, concentramos em horas determinadas o espírito para orar. As palavras da oração nos ajudam a manter a atenção naquilo que desejamos, para não acontecer que, tendo começado a arrefecer, não se esfrie completamente e se extinga de todo, se não for reacendido com mais frequência.   Por isso as palavras do Apóstolo: Sejam vossos pedidos conhecidos junto de Deus (…

"Católico(a)" - Parte 2

Pax et bonum!

Continuando com nossa tradução do artigo da Catholic Encyclopedia, segue a segunda parte.
Boa leitura!

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Consideramos longamente apenas a história e o significado do nome Católico(a). Voltamos agora para sua importância teológica, como tem sido enfatizada e formalizada pelos últimos teólogos. Sem dúvida a enumeração de quatro precisas "notas" pelas quais a Igreja se separa das seitas é de desenvolvimento comparativamente recente, mas a concepção de tais provas externas, como falado antes, baseia-se na linguagem de Santo Agostinho, São Optato e outros, em suas controvérsias com os hereges de seus tempos. Numa famosa passagem do tratado de Santo Agostinho "Contra Epistolam quam vocant Fundamenti", contra os donatistas, o santo doutor declara que, ao lado da intrínseca aceitabilidade da doutrina [da Igreja], "há várias outras coisas que mais justamente me mantêm no seio da Igreja", e depois de indicar a concordância na fé entre seus membros, …

"Católico(a)" - Parte 1

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Pax et bonum!

Ainda com a mente no Ano da Fé, e aproveitando a tradução anterior sobre o Símbolo Apostólico, poderíamos postar pormenores sobre todos os artigos do Credo, e de fato podemos fazer algo neste sentido. Todavia, gostaria de me deter no termo "Católico", aproveitando que a postagem anterior mostra que tal termo não consta no que se tem considerado como antiga forma romana do Credo. Alguém poderia questionar, portanto, o uso do termo, e outras pessoas poderiam desejar aprofundar-se no que significou e significa o nome "católico". Para isto, segue mais uma tradução de artigo da Catholic Encyclopedia, que achei por bem dividir em duas partes.
Boa leitura!

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A palavra católico(a) (katholikos, de katholou — que passa pelo todo, isto é, universal) ocorre em clássicos gregos como, por exemplo, em Aristóteles e Políbio, e era livremente usada pelos antigos escritores cristãos naquilo que podemos chamar de seu sentido primitivo e não-eclesiástico. Assim encontr…

"O Credo dos Apóstolos"

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Pax et bonum!

Há menos de um mês para a abertura do Ano da Fé, apresentamos esta tradução de mais um artigo da Catholic Encyclopedia, desta vez, sobre o Símbolo Apostólico.

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É uma fórmula contendo, em breves afirmações, ou "artigos", os princípios fundamentais da crença cristã, e tendo por seus autores, segundo a tradição, os Doze Apóstolos.
Origem do Credo

Por toda a Idade Média, acreditava-se geralmente que os Apóstolos, no dia de Pentecostes, enquanto ainda sob inspiração direta do Espírito Santo, compuseram nosso presente Credo entre si, cada um dos Apóstolos contribuindo com um dos doze artigos. Esta lenda data do séc. VI (cf. Pseudo-Agostinnho em Migne, P.L., XXXIX, 2189, e Pirmínio, ibid., LXXXIX, 1034), e é prenunciado ainda mais antes num sermãoa tribuído a Santo Ambrósio (Migne, P.L., XVII, 671; Kattenbusch, I, 81), que toma nota de que o Credo foi "montado, construído por doze operários distintos". Por volta do mesmo período (+- 400) Rufino (Migne, P.L…

O jeito cristão de orar - exortação do séc. III

Pax et bonum!

A segunda leitura do Ofício das Leituras (Liturgia das Horas - Forma Ordinária) do XI Domingo do Tempo Comum, do Tratado de São Cipriano de Cartago sobre a Oração do Senhor, constitui uma belíssima exortação sobre algumas qualidades da oração cristã.
Interessante como a oração que os Padres da Igreja nos ensinam dista das formas ruidosas e verbosas, inquietas, cheias de irreverentes familiaridades, que muito se vêem em algumas denominações cristãs, fora da Igreja, mas até mesmo dentro da Igreja de Cristo.
As palavras de São Cipriano parecem soprar no ouvido de nossas almas o desejo de uma intimidade cheia de temor. Ouçamo-lo:


Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir (Nn.4-6: CSEL 3,268-270) (Séc.III) Brote a oração do coração humilde Haja ordem na palavra e na súplica dos que oram, tranquilos e respeitosos. Pensemos estar na presença de Deus. Sejam agradáveis aos olhos divinos a posição do corpo e a moderação da voz. Porque se é próprio do irreve…

Pentecostes na Jerusalém do séc. IV

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Pax et bonum! 
Retornando aos belos testemunhos da "Peregrinação de Etéria", leiamos hoje como os cristãos celebravam Pentecostes na Cidade Santa. Mais uma vez o testemunhos destes católicos incansáveis nos interpela. Mais uma vez vemos, como já desde as outras celebrações do Tríduo Pascal, o forte sentido de vigília, que mantinha os cristãos em oração desde tarde da noite até o dia seguinte inteiro, suportando, como parecia ser uma amada tradição, subir o Monte das Oliveiras e de lá descer em procissão até a Cidade. O relato está na II parte da obra, no site Veritatis Splendor. Infelizmente, e não sei por qual motivo, a página só está acessível pelo cache do Google.
XLIII 1. [Pentecostes] E no quinquagésimo dia após a Páscoa, que é um domingo, dia em que maior é a fadiga para o povo, iniciam-se as comemorações, como sempre, a partir do primeiro canto do galo [talvez por volta das 3h da madrugada]; vela-se na Anástasis [=Santo Sepulcro], para que o bispo leia o texto que semp…