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Mostrando postagens com o rótulo Liturgia das Horas

Cor arca legem continens - o histórico Hino das Laudes da Solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus (letra, vídeo e partitura

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Pax et bonum!

Hoje os cristãos celebram a inflamadíssima caridade divina do Senhor Jesus Cristo, cujo símbolo é o coração físico do Verbo Encarnado. Já havendo uma postagem sobre a doutrina e o culto da Solenidade de hoje, gostaríamos apenas de apresentar um pouco do belo Hino "Cor arca legem continens", do séc. XVIII. Este Hino pertence às Laudes, historicamente, e está ainda nas Laudes na Forma Extraordinária do Rito Romano. Na Forma Ordinária ele tomou lugar no Ofício das Leituras.
1. Cor, arca legem cóntinens, 
non servitútis véteris, 
sed grátiæ, sed véniæ, 
sed et misericórdiæ.
2. Cor sanctuárium novi 
Intemerátum féderis, 
templum vetústo sánctius, 
velúmque scisso utílius.
3. Te vulnerátum cáritas 
ictu paténti vóluit, 
amoris invisíbilis 
ut venerémur vúlnera.
4. Hoc sub amóris sýmbolo 
passus cruénta et mýstica, 
utrúmque sacrifícium 
Christus Sacérdos óbtulit.
*Versão antiga: 5. Quis non amántem rédamet? 
Quis non redémptus díligat, 
et Corde in isto séligat 
ætérna tabernácula?
Versã…

Ofício de Tenebrae (Trevas) na Forma Extraordinária do Rito Romano

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Pax et bonum!

A Agência Motus Liturgicus, canal oficial de comunicação da Academia Internacional de Estudos Litúrgicos "São Gregório Magno", pertencente à Militia Sanctae Mariae (Ordem dos Cavaleiros de Nossa Senhora ou Companhia Regular e Militante dos Cavaleiros de Nossa Senhora), preparou uma versão bilíngue do tradicional Ofício das Trevas (Tenebrae) que é constituído de Matinas e Laudes do Ofício Divino da quinta-feira, sexta-feira e sábado da Semana Santa. Precioso trabalho para esses tempos de redescoberta e revalorização. Para saber mais, bem como efetuar o download, acesse a página oficial:  http://www.movimentoliturgico.org/oficio-das-trevas-na-forma-extraordinaria/ Para conhecer mais sobre a MSM - Militia Sanctae Mariae, fundada em 1945 na França e presente em alguns países, inclusive no Brasil, acesse o site oficial:
http://miliciadesantamaria.com.br/

Sobre o Natal do Senhor

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Pax et bonum!
Eis a nossa primeira postagem do novo ano civil, conforme o tempo foi nos permitindo.
Ainda gozando de mais alguns dias do Tempo do Natal, e estando no que também pode se chamar de Tempo da Epifania (conforme a forma extraordinária do Rito Romano), é conveniente meditarmos e tentarmos haurir ainda mais algumas boas reflexões destas grandes solenidades de nosso Salvador, Jesus Cristo. Não é preciso falarmos tanto sobre a necessidade de "recristianizarmos o Natal". Todos sabemos o quão este período foi sendo despojado de seu sentido cristão e mesmo religioso (de um modo amplo). As confraternizações encheram muitas bocas de "espírito natalino" ou de "magia do natal", expressões vagas que indicam uma simples embora absurda ignorância ou uma tentativa de apagar da memória humana a recordação e a devida gratidão, além da própria e necessária adoração, diante do Deus que se revestiu de nossa fragilidade, encarnando-se para nos remir de nossos pecado…

A Festa de Santo André, Apóstolo

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Pax et bonum!

Sendo dia 30, celebramos a Festa de Santo André, apóstolo, protóclito (o primeiro chamado), mártir e irmão de São Pedro. Não foi ele considerado por São Paulo como uma das colunas principais da Igreja (segundo ele, Pedro, Tiago e João), mas nele encontramos a dinâmica da evangelização: ouviu o anúncio [de João] ("Ecce Agnus Dei"... "audierunt eum"), seguiu ("secuti sunt Iesum"), teve a companhia do Senhor ("Ubi manes?"..."Venite et videbitis"), indo até onde ele habitava ("apud eum manserunt die illo"), e, voltando e encontrando seu irmão (Simão), anunciou ter encontrado o Senhor ("Invenimus Messiam") e igualmente conduziu-o até ele ("adduxit eum ad Iesum") (cf. Jo 1,35-42).
Este Santo Apóstolo tem, para o Patriarcado de Constantinopla, importância tão grande quanto a de São Pedro para nós, católicos romanos. Os calendários orientais celebram o Apóstolo igualmente no dia de hoje, o que dá a en…

Orações e leituras do Ano Litúrgico cantadas em latim em canais do Youtube

Pax et bonum!

Recentemente encontramos no Youtube três canais com o canto de orações da Missa, leituras da Missa e leituras do Ofício das Leituras, em latim, dos livros da Forma Ordinária do Rito Romano. Além de ser boa para assimilação de pronúncias (embora haja alguns acentos mais próximos de alguma língua moderna), é boa também para a compreensão de melodias. Todavia, é mais um "santo entretenimeno" para os que gostam da língua latina.
Canal com Leituras da Missa - Lectionarium Missae: http://www.youtube.com/user/IoannesAlpinus/videos Canal com Orações da Missa - Missale Romanum: http://www.youtube.com/user/IoannesAlpinus2/videos Canal com Leituras do Ofício das Leituras - Officium Lectionis (Liturgia Horarum): http://www.youtube.com/user/IoannesAlpinus3/videos
Como exemplo, o canto do Evangelho da Solenidade de nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo (último domingo, dia 24/11):

Por Luís Augusto - membro da ARS

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - A Instrução TRES ABHINC ANNOS

Pax et bonum!

Prosseguindo com nossa série de documentos da reforma litúrgica, e ainda no ano de 1967, chegamos a um segundo passo contendo várias mudanças na Santa Missa. Esta Instrução situa-se menos de 4 anos depois da Constituição Conciliar sobre a Liturgia e menos de 3 anos depois da primeira Instrução para aplicação da reforma, a Inter Oecumenici. Sendo assim, a Missa renovada tal como apareceu em 1965 não viria a durar 3 anos, pois mais um conjunto de mudanças acabava de aparecer. Provavelmente estas falaram mais alto que as primeiras, e de maneira mais próxima estariam a preparar para a, digamos, completa mudança que tomaria lugar com o Missal novo, em 1969/70. Dentre as mudanças destacam-se a diminuição dos beijos no altar, das genuflexões e dos sinais da cruz, bem como a permissão de rezar todo o Cânon em voz alta na Missa com o povo. Também é nesta Instrução que vemos as horas maiores (Laudes e Vésperas) podendo ser rezadas com apenas 3 dos 5 salmos e uma "brecha"…

"Concentremos o espírito para orar", por Santo Agostinho

Pax et bonum!

No Ofício das Leituras desta segunda-feira da XXIX semana do Tempo Comum (Forma Ordinária do Rito Romano), Santo Agostinho, bispo de Hipona (séc. V), exorta-nos à constância do afeto e do desejo da vida divina, mesmo nas atividades corriqueiras da vida. Isto seria estar em oração contínua. Os grifos são nossos.
Da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo
 (Ep.130,9,18-10,20:CSEL44,60-63)        (Séc.V)

Em horas determinadas concentremos o espírito para orar Desejemos sempre a vida feliz que vem do Senhor Deus e assim oraremos sempre. Todavia por causa de cuidados e interesses outros, que de certo modo arrefecem o desejo, concentramos em horas determinadas o espírito para orar. As palavras da oração nos ajudam a manter a atenção naquilo que desejamos, para não acontecer que, tendo começado a arrefecer, não se esfrie completamente e se extinga de todo, se não for reacendido com mais frequência.   Por isso as palavras do Apóstolo: Sejam vossos pedidos conhecidos junto de Deus (…

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - Discurso de Paulo VI no fechamento da VIII Sessão Plenária do "Consilium"

Pax et bonum!

Prosseguimos no primeiro semestre de 1967; agrava-se a situação das mudanças arbitrárias; o mundo católico prossegue celebrando há 2 anos a Missa simplificada, segundo as alterações da Inter Oecumenici, de 1964; publicações aparecem com críticas à Reforma ou antes à "reforma" anárquica que se faz em vários lugares, ignorando o que realmente vem da Santa Sé; o Consilium já trabalha nas novas orações eucarísticas, possivelmente no novo ritual das ordenações e, em pouco tempo, um documento oficial citará a Comunhão de pés; após menos de 3 anos é erigida formalmente a Foederatio Internationalis UNA VOCE, da qual falaremos em outra postagem. Ao fim da oitava sessão do "Consilium", o Papa Paulo VI demonstra sua gratidão, sua confiança e seu apoio ao "Consilium" e seus trabalhos. Ao mesmo tempo reconhece cada vez mais preocupado aquilo que veio a chamar de "uma tendência a 'dessacralizar' (...) a Liturgia (...) e com isso, fatalmente, …

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - A Instrução Musicam Sacram

Pax et bonum!

Dos tempos do Papa Pio XII nos veio um documento sobre a Música Sacra. Trata-se da Encíclica Musicae Sacrae Disciplina, do Natal de 1955, que embora não tenha aparecido em nosso blog nalguma outra postagem, é muito digna de conhecimento e leitura, sobretudo por ser do punho deste grande Papa que muito amava a Sagrada Liturgia. Pois bem, no pós-Concílio, os dois dicastérios autores das reformas de que estamos falando nas postagens da série, ou seja, a Sagrada Congregação dos Ritos e o Consilium, trataram do assunto da música sacra numa instrução, conjunta, própria: a Musicam Sacram, de 05/03/1967. Nela há trechos interessantes sobre a participação, instrumentos, gêneros, desenvolvendo o que fora dito na Constituição do Concílio. As regras aí expostas deveriam ser consideradas como atuais e válidas, pois não houve outro documento do mesmo porte e qualificação posteriormente. Segundo o Pe. Edward McNamara, de quem já traduzimos alguns trechos de sua coluna de perguntas e re…

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - Sacrificium Laudis: o abandono do latim e a tristeza de Paulo VI

Pax et bonum!

Iniciaríamos a publicação de documentos do ano de 1967 quando nos damos conta de que tínhamos ignorado um importante e revelador documento de meados de 1966. Trata-se da Carta Apostólica Sacrificium Laudis, do Papa Paulo VI, "sobre a língua latina a ser usada no Ofício Litúrgico coral por parte dos religiosos obrigados ao coro", quem entendemos ser sobretudo os monges. Pois bem, havíamos dito que o ano de 1966 apresentou, fora do contexto das experiências oficiais e autorizadas, um grande número de experiências arbitrárias. Paulo VI, o Cardeal Lercaro e o Pe. Bugnini levantam a voz contra o que acontecia. Mas ainda assim essas vozes pareciam soar distante dos casos concretos, provavelmente à sombra da conivência dos bispos dos lugares em questão. Nesta Carta, Paulo VI, abalado e triste pelos pedidos de mudança do latim e do gregoriano, em prol do vernáculo e dos cantos modernos em voga, pergunta: "De onde saiu  e porque se difundiu, esta mentalidade e este…

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - Apresentação da Declaração sobre as iniciativas litúrgicas arbitrárias

Pax et bonum!

Neste período entre os anos de 1966 e 1967, reconhecidamente marcado por experiências litúrgicas não autorizadas e além dos limites, a Santa Sé, em seus dois órgãos responsáveis pela reforma litúrgica, emite uma Declaração. Um dos personagens principais dos trabalhos da reforma, o ainda Pe. Annibale Bugnini, faz a apresentação da Declaração, esclarecendo ou complementando, de certa forma, as palavras ali colocadas. Em breve seguirão duas postagens da série: - A tradução da alocução do papa Paulo VI aos membros do Consilium (abril/1967), na qual ele também falará das iniciativas arbitrárias, da dessacralização e onde também reafirmará sua confiança nos trabalhos oficiais. - A tradução da segunda instrução de implementação da Constituição Sacrosanctum Concilium, a Instrução Tres abhinc annos (maio/1967), na qual constam mudanças que teoricamente foram experimentadas a partir de 1965. Assim, teremos, de alguma maneira, a segunda forma do Missal após o Concílio. Nesta aprese…

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - Uma nota do Consilium sobre as experiências litúrgicas (1966)

Pax et bonum!

Dando continuidade à nossa série, estamos ainda no final de 1966. Pouco antes da Declaração vaticana ser publicada, vem à luz uma Nota do Consilium sobre as experiências litúrgicas. A causa da nota é a multiplicação de atos que cabem no que chamamos de anarquia litúrgica de 1966, na postagem anterior. O órgão vaticano, máximo responsável direto pelas mudanças oficiais na liturgia romana, cita o Cardeal Lercaro afirmando que Deus não abençoa tais iniciativas pessoais.
EXPERIÊNCIAS LITÚRGICAS Nota do "Consilium" de Liturgia
Sob o título de "Experiências litúrgicas", o Notitiae, órgão oficial do Consilium para a aplicação da Constituição sobre a liturgia, publicou em francês o seguinte artigo, sem assinatura, no topo do número de dezembro de 1966 (publicado em Roma no fim de dezembro):
Encarregado de preparar a reforma dos livros litúrgicos, o "Consilium" trabalha duro por quase três anos, com a colaboração dedicada e competente de 200 experts. Mu…

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - Uma declaração vaticana contra a anarquia litúrgica de 1966

Pax et bonum!

Finalmente depois de tanto tempo temos o prazer de prosseguir com nossa série de postagens com traduções referentes ao período da reforma litúrgica imediatamente posterior ao Concílio Vaticano II. Nossa última postagem da série trouxe a lume várias citações dos escritos do Cardeal Antonelli, escritos que apresentam de maneira surpreendente os bastidores da reforma. Estamos agora no final do ano de 1966. Lembramos que em 07/03/65 entrou em vigor o Ordo Missae "renovado". Ou seja, há mais de um ano o orbe católico inteiro, digamos, celebra a Santa Missa com um rito não novo, mas simplificado. Todavia, a "tentação das experiências", como falou o Pe. Bugnini, move ainda muita gente para uma verdadeira anarquia litúrgica que tinha raízes há mais tempo. A Sagrada Congregação dos Ritos e o Consilium, juntos, emitem a seguinte declaração, que viria a ser publicado em italiano no dia 5 de janeiro de 1967, no L'Osservatore Romano:
Declaração da Sagrada Congr…