quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Justo Takayama Ukon - o caminho da obediência

Pax et bonum!

No dia 07 deste mês, em Osaka (Japão), foi beatificado, em Missa presidida pelo Cardeal Angelo Amato, mais um samurai católico, o senhor feudal Takayma Ukon, batizado com o nome de Justo, que viveu entre os séculos XVI e XVII.
Como noutras postagens sobre santos japoneses, repito que o foco da ARS e do blog é a Sagrada Liturgia, mas eu, de modo particular, tenho muita estima pelo Japão e, sobretudo, pelos cristãos que de lá recebem a honra dos altares. De qualquer forma, honrar os santos, especialmente no culto litúrgico, é algo sumamente importante e proveitoso para nós cristãos. Ao falar de seus exemplos, não deixo de tocar numa parte importante da Sagrada Liturgia.
O Concílio Vaticano II assim se expressa: "A Igreja inseriu também no ciclo anual a memória dos Mártires e outros Santos, os quais, tendo pela graça multiforme de Deus atingido a perfeição e alcançado a salvação eterna, cantam hoje a Deus no céu o louvor perfeito e intercedem por nós. Ao celebrar o 'dies natalis' (dia da morte) dos Santos, proclama o mistério pascal realizado na paixão e glorificação deles com Cristo, propõe aos fiéis os seus exemplos, que conduzem os homens ao Pai por Cristo, e implora pelos seus méritos as bênçãos de Deus" (Sacrosanctum Concilium, 104).
Antes dele, o grande Pio XII afirmava: "No decurso do ano litúrgico relembram-se não só os mistérios de Jesus Cristo, mas ainda as festas dos santos, nas quais, se bem que se trate de uma ordem inferior e subordinada, a Igreja tem sempre a preocupação de propor aos fiéis exemplos de santidade que os levem a adornar-se das mesmas virtudes do Divino Redentor. É necessário, com efeito, que imitemos as virtudes dos santos, nas quais brilha, de modo vário, a própria virtude de Cristo, porque dele foram imitadores (...). A liturgia põe diante de nossos olhos todos esses belos ornamentos de santidade, para que salutarmente os olhemos e para que 'nós que gozamos dos seus méritos sejamos inflamados pelos seus exemplos'". (Mediator Dei, 151-152)
Dito, isto apresento uma nova tradução nossa, aproveitando a dita beatificação. O texto está no site da CBCJ - Catholic Bishop's Conference of Japan, cujo link encontra-se ao fim do texto.

*****

Um homem que trilhou o caminho da obediência


Justo Takayama Ukon (1552-1615)

A Igreja Católica no Japão, desde seu início, teve uma história única entre outras nações do mundo. O evangelho introduzido por Francisco Xavier em 1549 espalhou-se pela terra e registros mostram que dentro de uns 40 anos o número de fiéis passou de 300.000. Todavia, em 1587, enquanto a Igreja ainda era jovem, o poderoso Toyotomi Hideyoshi (1537-1598) fez do Cristianismo o alvo de uma política de perseguição. Esta política somente ficou mais rígida com o passar dos anos, e no início do séc. XVII, se alguém fosse descoberto por carregar a fé Cristã, não somente ele, mas toda a sua família era executada. Esta política de proibição continuou por mais de 280 anos até 1873. Diz-se que sob esta política mais de 20.000 foram martirizados. Apesar dessas condições, a Igreja no Japão nunca morreu. Desde o início do séc. XVII, quando a perseguição tornou-se intensa, no decorrer dos mais de 200 anos que se seguiram, os fiéis, privados do auxílio de sacerdotes e religiosos, mantiveram sua fé.

A vida de Ukon

O famoso senhor feudal cristão Justo Takayama Ukon (1552-1615) lançou os fundamentos sobre os quais a Igreja descrita acima foi solidamente construída. Ukon é conhecido como um típico senhor feudal ativo em meados do século XVI, durante a última parte do século das guerras civis do Japão. Ukon encontrou-se com missionários jesuítas e foi batizado com a idade de 12 anos, junto com seu pai Dario. Ukon foi um vassalo ativo e de confiança de Oda nobunaga (1534-1582), que finalmente subjugou as longas guerras civis, bem como de Hideyoshi, sucessor de Nobunaga. Esses dois Shogun moveram-se no sentido de concentrar em si o controle sobre todo o Japão. Todavia, embora Hideyoshi tivesse demonstrado compreensão para com a Igreja, em 1587 ele subitamente deu uma reviravolta em sua política religiosa, ordenando a deportação de missionários, destruindo igrejas em Kyoto e Osaka, e impelindo os senhores feudais cristãos a renunciarem sua fé. Ukon, negando-se a renunciar sua fé, foi privado de sua posição e seu feudo foi atacado.
Após a morte de Hideyoshi, a família Tokugawa tomou o controle sobre o país inteiro e estabeleceu seu governo de xogunato em Edo (hoje Tokyo). Eles continuaram seguindo a política de proibir o Cristianismo. O xogunato temia a influência de Ukon, e em 1614 exilou-o para as Filipinas com mais de 300 cristãos. Chegando a Manila, receberam boas-vindas oficiais, mas logo Ukon caiu gravemente enfermo e morreu em Manila durante a noite de 3 de fevereiro de 1615, cerca de 40 dias depois de sua chegada. Foi-lhe dado um funeral com honras oficiais e foi sepultado nas Filipinas. Imediatamente após a sua morte, sua reputação como mártir se espalhou, e a investigação em prol de sua canonização foi iniciada. Naquela época era difícil coletar dados no Japão, de modo que o processo não pôde ser continuado. Hoje, todavia, a Igreja do Japão, em cooperação com a Igreja das Filipinas, perseguem ativamente a causa da canonização de Ukon.

A mensagem de Ukon para nós hoje: o princípio da escolha

Ukon frequentemente foi posto em situações em que escolhas de vida importantes e decisivas tinham de ser tomadas e não poderiam ser evitadas por um comandante militar pertencente à poderosa classe governante. Ele permaneceu na linha de frente quando os valores de Deus e do mundo entraram nos maiores conflitos. Escolhas decisivas que não podem ser evitadas têm de ser feitas por qualquer líder cristão em qualquer época. Ukon manteve princípios claros para escolher o rumo que levaria para Deus e para as decisões corretas. Corresponder ao amor de Deus que, a fim de amar sem limites e salvar a nós, pecadores, tomou sobre si o destino humano até a morte: este era o princípio básico de Ukon. Esta era a única coisa que ele mantinha sob a vista. Somente isto era o padrão das maiores decisões que ele fez durante sua vida. Não havia lugar para compromissos. O que moveu Ukon foi a crença de que permanecer no amor de Deus era o caminho para a felicidade humana.

Em 1578, Araki Murashige, senhor feudal de Ukon, opôs-se a Nobunaga, de quem era aliado. Murashige também impeliu seu poderoso subordinado, Ukon, para a revolta. O dilema de Ukon foi severo. Se ele aderisse a Murashige, a Igreja e os missionários seriam perseguidos por Nobunaga. Se ele aderisse a Nobunaga, as vidas de seu filho e de sua irmã mais nova, tomados como reféns por Murashige, estariam em perigo. Ele foi forçado a entrar em conflito com seu pai Dario, que apoiava Murashige. Como resultado de sua oração face a este sofrimento, Ukon decidiu visitar Nobunaga. Murashige, percebendo sua própria derrota, retornou os reféns para Ukon.

A maior decisão da vida de Ukon foi feita em 1587. O mais poderoso líder da época, Hideyoshi, declarou a proibição do cristianismo. Ao mesmo tempo ele deu estritas ordens a Ukon para abandonar o cristianismo, e se ele assim não fizesse, seu feudo seria confiscado e ele seria banido. Se ele apenas formalmente renunciasse a Igreja, ele receberia mais vantagens. Se ele não renunciasse sua fé, levaria uma deplorável vida de destituição. Ao mensageiro que lhe trouxe esta ordem de Hideyoshi, Ukon disse que visitaria Hideyoshi desarmado e lhe transmitiria seus pensamentos, acrescentando que, se devesse ser morto, estaria muito satisfeito. Ukon foi banido e levou uma vida de andarilho.

Quando Tokugawa Ieyasu chegou ao poder depois da morte de Hideyoshi, ele continuou a reforçar a proibição do Cristianismo e ordenou que Ukon, que ainda mantinha sua fé, deixasse o país. Ele partiu de Nagasaki, em 8 de novembro de 1614. Chegando a Manila, ficou gravemente enfermo e, durante a noite de 3 de fevereiro de 1615, foi chamado para o Senhor. Não apenas banido, mas morrendo no exílio, Ukon ganhou grande honra em Manila como um mártir, imediatamente após a sua morte. Atualmente, a Conferência dos Bispos Católicos do Japão pede sua canonização como um mártir.

Movimento descendente

Durante os séculos XVI e XVII, quando Ukon viveu, o Japão ainda era violentamente agitado pelas guerras civis. Era um tempo em que poderosos faziam suas manobras para conquistar riqueza, poder e fama. Era um tempo em que a sociedade buscava mover-se para cima. Ukon foi o tipo de pessoa abençoada com a desenvoltura para procurar uma vida melhor. Ukon não se iludiu pelas fortunas palpáveis e visíveis e continuou a manter sua visão puramente fixa na felicidade invisível e verdadeira, ainda que distante. Ukon não se enganou quanto ao caminho a ser escolhido. Foi o caminho do movimento descendente, como um discípulo do Senhor. Naquela época de guerra, em que todos lutavam para subir, Ukon escolheu a via do rebaixamento. Através de suas escolhas em cada conjuntura da vida, Ukon tornou-se visivelmente mais pobre. Todavia, o coração de Ukon tornou-se mais rico. O caminho descendente que Ukon tomou foi o caminho de Cristo, o caminho da cruz. Neste caminho descendente encontra-se Deus, que lá está esperando. Lá se encontra a firme esperança, porque como cristãos sabemos que Deus rebaixou-se e escolher tornar-se pobre para a salvação da humanidade. Ukon subiu com Jesus e foi recebido na presença do Pai.
Aqueles que vivem junto ao chão sabem que Deus está perto. Ukon ensina-nos isto.

Hoje em dia, quando somos levados a fazer escolhas entre vários valores que prometem felicidade, aqueles que aderem a Jesus podem aprender da vida de Ukon a seguir o Senhor diretamente, sem desvio ou erro.

Fonte: https://www.cbcj.catholic.jp/wp-content/uploads/2016/05/141127rev.pdf

Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

"Summorum Pontificum" no Seminário

Pax et bonum!

A matéria é de 2008..., mas o tema é importante e a leitura é recomendável. Trata-se de um bom trabalho que deveria estar presente em muitos outros lugares.
No tempo desta matéria a Santa Sé ainda não tinha falado sobre o assunto, digamos, de forma mais clara. Pois bem, na Instrução Universae Ecclesiae, de 30/04/2011, lemos no item 21:
"Aos Ordinários se pede que ofereçam ao clero a possibilidade de obter uma preparação adequada às celebrações na forma extraordinária, o que também vale para os Seminários, onde se deve prover à formação conveniente dos futuros sacerdotes com o estudo do latim e oferecer, se as exigências pastorais o sugerirem, a oportunidade de aprender a forma extraordinária do Rito".
Portanto, mais do que um empreendimento isolado, solitário ou arbitrário, introduzir e aplicar o Summorum Pontificum nos seminários e casas de formação é algo que segue fielmente o magistério da Igreja.

Nota: atualmente o Arcebispo da Arquidiocese de Filadélfia é D. Charles Chaput, sendo o Cardeal Justin Rigali o arcebispo emérito.

*****

Cardeal Rigali fala sobre introduzir os seminaristas ao Missal de 1962
Por Annamarie Adkins

Philadelphia, 14 de Março, 2008 (zenit.org). Desde que Bento XVI disse que a Missa celebrada de   acordo com o Missal Romano de 1962 promulgado pelo Bem-aventurado João XXIII deveria estar disponível para aqueles que a preferem, seminaristas deveriam ser ensinados a celebrá-la, diz o Cardeal Justin Rigali. 
O Papa esclareceu em sua carta apostólica "Summorum Pontificum" que há duas formas da liturgia no Rito Romano da Igreja Católica: ordinária e extraordinária. 
Para conhecer o que alguns bispos estão fazendo para implementar este documento nos seminários,   ZENIT conversou com o Cardeal Rigali, arcebispo de Philadelphia, sobre seus planos para introduzir os   seminaristas do St. Charles Borromeo Seminary à   forma extraordinária da Missa.
O Cardeal Rigali também sugeriu que padres ainda ativos no ministério deveriam familiarizar-se com o Missal de 1962.

Q: Que passos práticos estão sendo dados para incorporar "Summorum Pontificum" na vida e no   currículo do seminário? 
Cardeal Rigali: Primeiro haverá uma palestra sobre o "motu proprio", que elucida a teologia subjacente ao missal de 1962 de modo que os seminaristas tenham uma compreensão clara do "motu proprio" e da preocupação pastoral do Santo Padre quanto aos fiéis que têm um profundo amor pela liturgia Tridentina. Já que praticamente todos os seminaristas do St. Charles Borromeo Seminary cresceram participando da Missa conforme o "Novus Ordo" - Missal de Paulo VI - é importante oferecer uma exposição da Missa de acordo com o missal de 1962 - Missal do Bem-aventurado João XXIII. Ademais, o trabalho do curso do seminário sobre teologia, liturgia e história da Igreja cobrirá e explanará a iniciativa do Santo Padre. Isto   ajudá-los-á a ver a continuidade entre as duas expressões, mas também possibilitará a oportunidade de abordar as mudanças que tiveram lugar na liturgia seguindo o Concílio Vaticano II. Em algum momento no semestre da primavera, depois da palestra, a Santa Missa de acordo com a forma extraordinária será celebrada para toda a comunidade do St. Charles Borromeo Seminary. Isto demonstrará aos seminaristas a maneira corretamente litúrgica em que a forma extraordinária da Missa deve ser celebrada.

Q: O que no "Summorum Pontificum" levou o senhor a apoiar a incorporação deste documento na vida do St. Charles Borromeo Seminary? O senhor está prevendo uma maior demanda pela forma tradicional   da Missa no futuro? 
Cardeal Rigali: O Santo Padre indicou que a Missa de acordo com a forma extraordinária, bem como a   celebração dos sacramentos, deve estar disponível para os fiéis quando houver uma genuína necessidade pastoral. Vários membros de nosso clero nunca celebraram a Missa ou administraram os sacramentos conforme o missal de 1962 e os outros textos litúrgicos. A fim de prover as necessidades pastorais, quando aparecerem, os atuais seminaristas devem ter a oportunidade de ser adequadamente educados tanto para os rituais envolvidos como para a teologia que existe nestas formas. Atualmente eu não prevejo uma grande demanda pela celebração de acordo com a forma extraordinária da Missa. Na Arquidiocese de Philadelphia os pedidos que recebemos foram bem poucos. A maior parte dos católicos de hoje encontra satisfação espiritual na Missa como celebrada usando o Missal de Paulo VI, e ela permanece como forma ordinária da celebração. Dito isto, somos abençoados por ter duas paróquias, em diferentes áreas da arquidiocese, que celebram a Missa na forma extraordinária, que já ofereciam a Missa com o Missal Tridentino há algum tempo graças ao necessário indulto. Sou agradecido por estas paróquias proverem as necessidades pastorais e espirituais daqueles fiéis que preferem a forma extraordinária.  

Q: Alguns analistas do "Summorum Pontificum" têm dito que ele é primeiramente dirigido aos   sacerdotes, como um presente para eles. Qual é o ponto de vista do senhor? 
Cardeal Rigali: O "motu proprio" foi dado pelo Santo Padre para todos os católicos. Quanto aos sacerdotes, qualquer afirmação do Santo Padre sobre a liturgia ou qualquer mudança nas formas ou fórmulas litúrgicas dão aos sacerdotes a oportunidade de pensar e refletir sobre os mistérios que eles celebram na liturgia. Vários sacerdotes encontram nestas oportunidades um renovado senso de temor e apreciação pela liturgia e uma oportunidade de recomeçar a celebrar essas liturgia numa maneira mais   refletida, reverente e respeitosa. Neste sentido, "Summorum Pontificum" é um dom para todos os sacerdotes, porque encoraja-os, pela sagrada liturgia, a levar todo o povo para uma mais profunda comunhão de santidade com o Senhor.

Q: Os seminaristas estão no processo de formação, particularmente a formação litúrgica. Que efeito formativo o senhor acredita que terá nos seminaristas o aprender e celebrar a forma extraordinária da Missa? 
Cardeal Rigali: Estudar e aprender a Missa conforme o Missal de 1962 dará aos seminaristas a oportunidade de experimentar a continuidade entre as formas mais antigas e mais novas. Muito de nossa fé está fundamentado na continuidade e na tradição, na transmissão da fé de uma geração para a outra. Algumas vezes os rituais mudam e se desenvolvem, mas na essência permanecem os mesmos. Bento XVI afirmou em sua carta aos bispos, que acompanhava o "motu proprio": "Não existe qualquer contradição entre uma edição e outra do Missale Romanum. Na história da Liturgia, há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura. Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial. Faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na fé e na oração da Igreja, dando-lhes o justo lugar". O treinamento litúrgico que os seminaristas de St. Charles Borromeo recebem forma-os na reverência e na santidade, que por sua vez servirão aos fiéis a quem eles ministrarão quando forem ordenados.  

Q: Celebrar a Missa conforme o Missal do Bem-aventurado João XXIII afetará a maneira com que um sacerdote celebra a Missa segundo o "Novus Ordo"? 
Cardeal Rigali: Qualquer sacerdote que não está familiarizado com a forma extraordinária, ou que não celebrou mais há um certo tempo a liturgia de acordo com esta forma, provavelmente, e de forma muito natural, refletirá sobre a maneira com que ele celebra a Missa de acordo com o "Novus Ordo". Tal reflexão é positiva porque só pode levar a uma celebração mais reverente e digna da liturgia.

Q: O que os sacerdotes podem fazer para incorporar "Summorum Pontificum" em seu ministério sacerdotal?
Cardeal Rigali: St. Charles Borromeo Seminary está oferecendo um curso para sacerdotes que desejam ser educados e treinados quanto à celebração adequada da Missa conforme o Missal do Bem-aventurado João XXIII, para garantir a competência na língua latina e nas rubricas da forma extraordinária. Antes de empreender um experimento "practicum", a teologia por trás da liturgia e o "motu proprio" serão estudados. Tenho encorajado qualquer sacerdote, que possa desejar aprender a celebrar esta liturgia, a procurar as oportunidades educacionais a fim de que a liturgia possa ser celebrada de maneira orante e reverente.

Traduzido por Luís Augusto Rodrigues Domingues

Apêndice:

Página do St. Charles Borromeo Seminary: http://www.scs.edu/
Página da Arquidiocese de Filadélfia: http://archphila.org/

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Fotos da Missa do dia 20/01 - 8 anos da ARS, com Pe. Jorge Luís

Pax et bonum!
Salve Maria!

No último dia 20 rendemos culto ao único e verdadeiro Deus pelo oitavo aniversário de nossa Associação Redemptionis Sacramentum, grupo de fiéis criado em 14/01/2009, sob o impulso do pontificado do Papa Emérito Bento XVI e do Motu Proprio Summorum Pontificum, para fazer eco às palavras de Santo Irineu de Lião: "É preciso amar com extremo amor tudo que é da Igreja", mas especificamente no contexto da Sagrada Liturgia, procurando guardar e fomentar um "espírito litúrgico" que, segundo os dizeres do Servo de Deus Pe. João Baptista Reus, SJ, nosso patrono, "consiste em estudar, estimar, explicar, promover e defender a Liturgia".
É possível que grande parte dos que estiveram conosco nesta Santa Missa nunca tenham participado de uma celebração na Forma Extraordinária do Rito Romano. Pois bem, em ambas as formas, e mesmo em todos os ritos, quer ocidentais quer orientais, não obstante as grande e pequenas diferenças, a intenção da Santa Missa é a mesma: unirmo-nos ao Senhor Jesus Cristo, pelo Espírito Santo, e nos oferecermos, como seus membros, em sacrifício a Deus Pai: sacrifício de louvor e adoração, sacrifício de ação de graças, sacrifício de propiciação pelos pecados e sacrifício de impetração em que pedimos as graças que nos são necessárias. Sim, tudo isto devemos fazer hoje e sempre com Jesus Cristo Eucarístico, nosso Mediador e Sumo e Eterno Sacerdote, em toda Missa.
Mais do que ouvir e entender, mais do que acompanhar e ler, imolemos nosso coração no altar do Senhor, nesta adoração à Santíssima Trindade.
Agradecemos ao Revmo. Pe. Jorge Luís e ao seio eclesiástico ao qual pertence: a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, pela graça do apoio, da oração, da visita e desta celebração. A Associação Redemptionis Sacramentum o mantém em suas orações.
Pedimos a todos os que estiveram presentes, ou ao menos que desejaram estar, que roguem conosco a Deus para que sejam suscitados mais sacerdotes em nossa Arquidiocese que possam celebrar a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano, a fim de atender aos pedidos dos fiéis que a desejam, abrindo-lhes, assim, como diz a Santa Sé, este "tesouro precioso a ser conservado".








2007 - 2017: 10 anos para nada?

Pax et bonum!
Salve Maria!

Segue abaixo uma tradução nossa de uma das cartas do recomendado Paix Liturgique. Esta carta saiu em francês sob o número 576, publicada no dia 03/01 deste ano.
Nela há dados interessantes sobre a aplicação do Summorum Pontificum na França e o cansaço que certas situações têm causado nos fiéis, o que nos parece não ser algo exclusivo do país de Santa Teresinha do Menino Jesus.
O título fala por si só e leva a uma necessária reflexão: enfim, o que se ganhou nestes 10 anos?
Nossa tradução livre e não oficial está sendo publicada aqui com permissão de Paix Liturgique concedida no dia 22/01 por email.


***

O ano de 2017 marcará o décimo aniversário do motu proprio Summorum Pontificum de 7 de julho de 2007. O texto de Bento XVI, que entrou em vigor no dia 14 de setembro seguinte, dizia que o missal tradicional nunca foi abrogado e instaurava, ao menos teoricamente, um regime de liberdade quanto à celebração da antiga liturgia.
Teoricamente...
Com efeito, e sem negar a importância e o alcance do texto, que consideravelmente fez mudar os rumos e as mentalidades - e pelo que não cessamos de render graças -, é preciso constatar que na prática ele ainda não pôde atender às expectativas dos fiéis.
O objetivo da presente carta não é fazer um balanço do motu proprio, mas de tentar compreender por que, dez anos depois de Summorum Pontificum (SP), a situação francesa (N.T. e por que não dizer brasileira também e, quiçá, mundial?) parece relativamente congelada e não progride a não ser muito timidamente?

I - Uma triste constatação

"Não temos registros atuais; não há mais pedidos de missas relativas ao motu proprio com problemas nas dioceses francesas", pode-se ouvir hoje em dia nos escritórios da comissão Ecclesia Dei em Roma. Factualmente, isso está perfeitamente exato.
Contudo, isto quer dizer que não há mais problema litúrgico na França? Que tudo vai bem numa Igreja ansiosa por responder às aspirações litúrgicas de todos os seus fiéis? Não, na verdade os fiéis que pedem simplesmente acabaram por cansar-se.
Os meses que se seguiram à entrada em vigor do motu proprio de 2007 viram numerosas esperanças se manifestarem e múltiplos grupos de fiéis se dirigirem filialmente aos seus pastores para se beneficiar do tesouro que lhes oferecia teoricamente o texto pontifício. Certamente, excelentes resultados foram obtidos. Algumas paróquias abriram-se honestamente à liturgia tradicional (e continuam a fazê-lo até hoje). Outras, porém, fizeram-no traindo o espírito e a letra do motu proprio. Mas a grande maioria, ai!, permanece surda aos pedidos formulados pelas famílias. De tal modo que, no correr dos meses e anos, novos pedidos paroquiais tornaram-se mais e mais raros.
Esta falta de expressão de novos pedidos explica-se pela resignação dos fiéis, que compreenderam que a maioria dos bispos e dos padres não desejaria a paz litúrgica e faria tudo para privar de seu efeito o motu proprio de Bento XVI.
Má fé, manipulações grosseiras, calúnias e mentiras, nenhuma arma foi negligenciada por aqueles que deveriam ser os artesãos da unidade litúrgica (cf. SP Art. 5-§ 1).
Segundo os casos, respondem aos fiéis que pedem: "Vocês não são da paróquia" ou "Já existe uma celebração na diocese e o bispo julga que não é necessário criar outra" ou ainda "Falaremos com o conselho paroquial que estudará o pedido de vocês, daremos um retorno em seis meses". Utiliza-se também o argumento do número. Às vezes os fiéis não eram tão numerosos, enquanto noutros lugares, como em Vaucresson na diocese de Nanterre, eram muitos e foram acusados de pôr em perigo o equilíbrio paroquial.
Um sacerdote benevolente, mas em fim de mandato, explicava aos fiéis que pediam, que era melhor "aguardar a chegada do [seu] sucessor", enquanto o que chegava pedia a eles que "deixassem o tempo para ele se instalar", etc, etc.
Resumindo, o essencial das reações eclesiásticas, sob o cajado das autoridades episcopais, foi organizar o freio e a recusa, manter o apartheid litúrgico e desanimar os mais decididos fiéis. Naturalmente, e nossas cartas fornecem provas abundantes (certos leitores criticam-nos dizendo que somos muito otimistas!), existem belas exceções diocesanas e paroquiais. Mas, no passar de uma década, elas constituem sempre exceções a uma regra que permanece sendo a negação.
O povo fiel tem consciência. Já faz um bom tempo que ele compreendeu que a vontade de "chegar às periferias" ou de "acolher a diferença" não passava de um encantamento usado na mídia e que não era linha de conduta para uso intra-eclesial.

II - No entanto...

Nem tudo é negativo no negativo. O motu proprio de 2007 tem pelo menos o mérito de permitir ao motu proprio de 1988 (Ecclesia Dei) começar a ser melhor e mais aplicado. Com efeito, enquanto o artesão do Summorum Pontificum é teoricamente o padre da paróquia, o tratamento dos pedidos tem sido, na prática e contrariando o espírito e a letra do motu proprio de 2007, quase sempre decidido no nível episcopal, como mandava o Ecclesia Dei há uns quase 30 anos atrás. Isto provavelmente é o que os bispos chamam de "viver com o seu tempo"...
Resta que, se os bispos desejassem realmente a paz litúrgica, eles teriam há muito tempo feito com que de alguma forma os fiéis tivesse concretamente acesso a esta forma de celebração pelo menos nas catedrais e nas igrejas mais centrais, num primeiro momento. Eles teriam feito da liturgia tradicional um tesouro acessível a qualquer católico que o quisesse e não mais uma peça de museu reservada aos fiéis que escolheram deixar suas paróquias por lugares de culto próximos a reservas indígenas.
Neste ano do décimo aniversário do motu proprio Summorum Pontificum queremos recordar que segundo as múltiplas sondagens realizadas por organismos profissionais e independentes entre 2008 e 2011, pelo menos 1 a cada 3 católicos franceses praticantes participaria ao menos uma vez por mês da celebração da forma extraordinária do rito romano se fosse proposta em sua paróquia.
Estas estatísticas, verificadas no tempo, no espaço e em diferentes institutos de sondagem solicitados, jamais foram levadas em conta, nem mesmo debatidas pela hierarquia católica. 
A omertà (N.T. termo napolitano que designa o voto de silêncio dos membros da máfia) organizada sobre os estudos científicos e a recusa de toda discussão sobre os dados estatísticos falam muito sobre os preconceitos litúrgicos que continuam a reinar na França. E se as pesquisas de opinião assustam os bispos - que anseiam por elas quando se trata de assuntos políticos -, por que não considerar a realidade das missas dominicais?
Por toda parte em que a experiência Summorum Pontificum tem sido tentada honestamente, a um ritmo dominical/semanal e num horário familiar, por um padre benevolente, ela tem sido um sucesso e em nada esvaziou o lugar de culto vizinho. Não mais que os bancos das capelas da Fraternidade São Pio X.
Neste início de 2017, fazemos um voto para que a nova geração de sacerdotes que se levanta, que não tem as olheiras ideológicas dos mais velhos, aplique honestamente e com liberdade de espírito o motu proprio de Bento XVI, sob o cuidado de bispos finalmente prontos para dar prova de realismo, se não de benevolência, pastoral. É tempo de aceitar a realidade tal qual é, a saber: que em cada paróquia francesa, uma parte consistente de fiéis participaria de boa vontade na forma extraordinária do rito romano se a ocasião lhe fosse oferecida pelo pároco.
O resto não passa de langue de buis (N.T. entendo que seja o mesmo que "langue de bois", expressão que designa conversa fiada, politicamente correta, confusa ou dúbia para distorcer uma realidade; palavrório).

Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

8 anos da ARS e Missa na Forma Extraordinária (20/01 - sexta-feira)

Pax et bonum!
Salve Maria!

No último dia 14 (sábado) nossa Associação Redemptionis Sacramentum completou 8 anos de existência, em meio a idas e vindas, quedas e reerguimentos, vitórias e derrotas.
Seguimos, com nossas dificuldades, desejando cultivar e difundir um genuíno espírito litúrgico, seja na vida de cada membro ou amigo da ARS, seja nas ações que fizemos ou faremos enquanto grupo. Este "espírito litúrgico", conforme o Servo de Deus Pe. João Baptista Reus, SJ, a quem escolhemos como patrono, "consiste em estudar, estimar, explicar, promover e defender a Liturgia" e resume bem os objetivos de nossos trabalhos.
Pois bem, aproveitando o último dia de permanência do muito estimado Pe. Jorge Luís (da Administração Apostólica Pessoa São João Maria Vianney) aqui em Teresina-PI, e para render graças pelos 8 anos da ARS, teremos a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano nesta sexta-feira (dia 20), às 19h, na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo (Rua Rui Barbosa, entre as praças Marechal Deodoro da Fonseca ou "Praça da Bandeira" e a Praça Rio Branco, no centro da cidade).
Convidamos você e sua família para rezarem conosco e se oferecerem a Deus - o que se deve fazer em toda Missa - nesta ocasião especial.
A Missa será votiva em honra do único e verdadeiro Deus, a Santíssima Trindade, acrescida das orações da missa pro gratiarum actione (em ação de graças).
Compartilhe a notícia/convite com seus amigos.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Ordo dominical para 2017

Pax et bonum!
Feliz Natal!
Feliz ano novo!

Nossos amigos de Recife publicaram o Ordo (equivalente a um breve diretório litúrgico) dominical contendo as indicações litúrgicas para os domingos do ano de 2017, para as celebrações na Forma Extraordinária do Rito Romano.
Confira nos links abaixo:
Trata-se de um subsídio bastante útil, seja para sacerdotes, coroinhas, cantores e demais fiéis que participam das celebrações.

Atenção: Missa na Forma Extraordinária em Caxias-MA (12/01)

Pax et bonum!
Feliz Natal!
Feliz Ano Novo!

O muito estimado Pe. Jorge Luís, ainda próximo a nós, celebrará a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano em Caxias-MA, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no centro da cidade.
Aos amigos teresinenses, timonenses, caxienses e de outras cidades próximas, fica o convite para conhecerem o uso mais antigo do Rito Romano, oportunidade infelizmente ainda rara para esta região.
Você ainda não conhece a Missa na Forma Extraordinária? Quer aprender um pouco mais sobre as partes da Missa e como participar interiormente de cada uma delas? Acesse este documentário e aproveite. 
Veja também algumas perguntas e respostas sobre a promoção da Missa na Forma Extraordinária.


Para chegar à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, confira a localização abaixo: