sábado, 26 de dezembro de 2009

Kalendas na Matriz de Teresina!


Pax et bonum!

Primeiramente desejo a todos um Feliz e Santo Natal!
Informamos que, pela primeira vez em Teresina (até que alguma fonte segura prove o contrário), o Anúncio do Natal ("Kalendas") foi cantado em latim.
A melodia foi a mesma usada na Missa Papal. A partitura pode ser baixada aqui.
Lamentamos não termos avisado com antecedência.

O cantor fui eu, Luís Augusto. No momento estava servindo como cerimoniário... Tivemos aqui um conflito de funções, mas foi a única disposição conveniente que encontramos, de acordo com os nossos recursos humanos na Paróquia Nossa Senhora do Amparo.

Outros detalhes:

- In nomine Patris
- Kyrie, de Angelis
- Sanctus, de Angelis
- Per ipsum
- Benedictio Dei omnipotentis
- Ite missa est, de Angelis
Além das patenas para a distribuição da Sagrada Comunhão.

Observação: perguntava-me o que significa a expressão "luna octava", que a cada ano é diferente (mudando a numeração). Fazendo alguns cálculos entendi que se trata do dia no mês lunar, ou seja, a partir da Lua Nova. Como neste ano ela caiu no dia 16 de dezembro, a noite do Natal (dia 24) foi o 8º dia depois desta data.


Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

"Et incarnatus est"...Adorando o Verbo Encarnado (Para não esquecer)

Alguns gestos litúrgicos, considerada a sua simplicidade, muitas vezes são, por nós, ignorados ou esquecidos. É o que acontece, corriqueiramente, com as inclinações e genuflexões, por exemplo. Mas aqui, quero me referir, particularmente, ao gesto de ajoelhar-se a certas palavras do Credo nas Solenidades da Anunciação do Senhor e do Natal.


Lembro-me da primeira Missa do Galo celebrada por S. S. Bento XVI, em 24/12/2005, em que o Papa se ajoelhou durante a oração do Credo. O comentarista afirmou que, naquele momento o Papa, resgatava um tradicional costume da Igreja, que se encontrava em desuso. Não me recordo se o Pontífice anterior deixou de fazê-lo. O certo é que eu, conquanto já me interessasse pelo assunto, desconhecia muitos detalhes (e continuo a desconhecer outros tantos) acerca da Sagrada Liturgia, pus-me em busca da norma litúrgica que embasou o gesto do Papa . Encontrei a na Instrução Geral do Missal Romano(IGMR) e no Ordinário da Missa. Só recentemente, pude vislumbrar com mais clareza, a proposta de “pedagogia litúrgica” de Bento XVI.


Pois bem, diz a IGMR:


137. O símbolo é cantado ou recitado pelo sacerdote com o povo (cf. n. 68), estando todos de pé. Às palavras E se encarnou pelo Espírito Santo, todos se inclinam profundamente, mas nas solenidades da Anunciação do Senhor e do Natal do Senhor todos se ajoelham.


Comparando essa norma com as rubricas que constam no ordinário, tem-se que:

Sendo rezado o Símbolo Apostólico, ajoelha-se às palavras “que foi concebido pelo poder do Espirito Santo; nasceu da Virgem Maria”;


Onde é rezado o Símbolo Niceno-Constantinopolitano, às palavras: “E se encarnou, pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.”


Ajoelhar-se torna-se uma expressão visível da adoração ao inefável mistério da Sagrada Encarnação do Verbo, em que Deus se rebaixa tomando a condição humana:


Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos.”(Fl 2, 8-10).


Não nos esqueçamos!


Por Edilberto Alves

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Papa João Paulo II é reconhecido Venerável


Papa Bento XVI, como era esperado, concedeu o Decreto da Heroicidade das Virtudes ao seu antecessor.

Como havía sido noticiado no site "Santos do Brasil", estava concluído o processo da heroicidade das virtudes na Congregação para as Causas dos Santos, e entregue o resultado ao Papa Bento XVI para que ele tomasse a decisão de conceder ou não o decreto ao Servo de Deus. Em audiência sábado, dia 19 de dezembro de 2009, o Papa emanou vários decretos:

- decretos de Heroicidade das Virtudes para 10 Servos de Deus (que se tornaram, assim, Veneráveis),

- decreto sobre o Martírio para um servo de Deus (que será então beatificado),

- decretos aprovando um milagre para 5 Veneráveis (que se tornarão então beatos)

- e decretos aprovando um milagre para 5 Beatos (que serão, então, canonizados).

Entre os servos de Deus que se tornaram veneráveis está também o Papa Pio XII, papa que enfrentou os terrríveis anos da segunda guerra mundial com grande coragem e determinação, e cuja figura foi alvo de inúmeros e injustos ataques, muitos anos após sua morte, como se ele tivesse sido um colaborador de Hitler. Felizmente, o próprio mundo hebraico tem trabalhado ultimamente para dar a conhecer , com grande quantidade de documentos e relatos de sobreviventes do holocausto, o quanto o Papa Pio XII atuou contra os planos de Hitler, salvando milhares de judeus da morte certa.

Falta, agora, a conclusão do processo do milagre.

Para que João Paulo II possa ser beatificado, falta concluir-se o processo do presunto milgre obtido por sua intercessão, a cura da religiosa francesa que sofria do mal de Parkinsson. Ao concluir-se esse processo, será submetido ao Papa Bento XVI, e caso ele queira conceder a este fato o reconhecimento de autêntico milagre, então tudo estará pronto para a beatificação.


Conclui-se a fase mais difícil e demorada da sua causa de canonização, bem como a mais significativa e importante, segundo o referido site.

Fonte: www.santosdobrasil.org

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Todos os Santos" e "Todos os Fiéis Defuntos"

Pax et bonum!
Vamos tratar da Solenidade de Todos os Santos e da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos.

Solenidade de Todos os Santos


Aspecto histórico:
Fazer memória de todos os santos conhecidos e desconhecidos tem sua origem já no séc. IV, no intercâmbio de memórias dos mártires entre as dioceses e no estabelecimento de dias em que se comemoravam juntos vários mártires.
No séc. VIII o papa Gregório III consagrou uma capela em honra de Todos os Santos e fixou o aniversário para 1º de novembro. 100 anos depois, Gregório IV estendeu a celebração para toda a Igreja.

Aspecto litúrgico:
Trata-se de uma Solenidade, tendo, portanto, o Gloria e o Credo, celebrada no dia 1º de novembro. No Brasil, é celebrada sempre no domingo seguinte ao dia 1º, caso este não seja domingo.
A cor usada é o branco.
O sentido do dia é a comemoração dos méritos de todos os santos e a súplica a Deus na confiança de ter a todos eles por intercessores.
A Igreja Militante pede auxílio à Igreja Triunfante.

Aspecto canônico e civil:
É festa de preceito nos termos do Cân. 1246.

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos


Aspecto histórico:
Desde muito cedo se vê que os cristãos vivos sempre rezaram pelos cristão já falecidos.
As primeiras manifestações eram as anotações dos nomes dos falecidos. Por volta do séc. VI, os beneditinos rezavam, num dia particular, por todos os religiosos falecidos da comunidade.
Por volta do séc. XI já era celebrada na Abadia de Cluny na data de 2 de novembro. Provavelmente foi estendida a toda a Igreja no séc. XIV.

Aspecto litúrgico:
É uma comemoração especial, não podendo ser enquadrada como memória, festa ou solenidade.
Não se reza o Gloria nem o Credo.
A cor usada é o roxo ou o preto.
O sentido do dia, bem expresso pelas três Orações do Dia, é a profissão de fé na ressurreição dos mortos e a purificação dos cristãos falecidos na graça, para que logo contemplem a Deus face a face e sem cessar.
A Igreja Militante dá auxílio à Igreja Padecente.

Aspecto canônico e civil:
No Brasil, feriado nacional.

Aspecto Teológico

Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - quer as que se devem ainda purificar no fogo do Purgatório, quer as que são recebidas por Jesus no Paraíso, logo que se separam do corpo, como sucedeu com o Bom Ladrão -, formam o Povo de Deus para além da morte, a qual será definitivamente vencida no dia da Ressurreição, em que estas almas se reunirão a seus corpos.
Cremos que a multidão das almas, que já estão reunidas com Jesus e Maria no Paraíso, constituem a Igreja do céu, onde gozando da felicidade eterna, vêem Deus como Ele é (cf. 1Jo 3,2), e participam com os santos Anjos, naturalmente em grau e modo diverso, do governo divino exercido por Cristo glorioso, uma vez que intercedem por nós e ajudam muito a nossa fraqueza, com a sua solicitude fraterna(34).
Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, a saber: dos que peregrinam sobre a terra, dos defuntos que ainda se purificam e dos que gozam da bem-aventurança do céu, formando todos juntos uma só Igreja. E cremos igualmente que nesta comunhão dispomos do amor misericordioso de Deus e dos seus Santos, que estão sempre atentos para ouvir as nossas orações, como Jesus nos garantiu: "Pedi e recebereis" (cf. Lc 10,9-10; Jo 16,24). Professando esta fé e apoiados nesta esperança, nós aguardamos a ressurreição dos mortos e a vida do século futuro.

(Solene Profissão de Fé, Paulo VI, 30/06/1968)

Por Luís Augusto - membro da ARS

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Compendium Eucharisticum" do Vaticano!!


Paz e bem!

Somente depois que a notícia já ressoou em inúmeros blogs é que tive conhecimento e agora realizo uma postagem relacionada.
Nesta quarta-feira (21/10 - ontem), ao fim da Audiência Geral, o Santo Padre recebeu do Cardeal Cañizares (prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos) uma cópia do "Compendium Eucharisticum".
A notícia saiu na ACI e no ZENIT.
A obra trata, dentre outras coisas, da correta celebração da Santa Missa. É a concretização de um compromisso manifestado no Sínodo dos Bispos de 2005, como se vê na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis (n. 93):

Utilidade dum Compêndio Eucarístico

No termo destas reflexões em que de boa vontade me detive sobre as indicações surgidas no Sínodo, desejo acolher também o pedido que os padres apresentaram para ajudar o povo cristão a crer, celebrar e viver cada vez melhor o mistério eucarístico. Cuidado pelos Dicastérios competentes, há-de ser publicado um Compêndio, que recolha textos do Catecismo da Igreja Católica, orações, explicações das Orações Eucarísticas do Missal e tudo o mais que possa demonstrar-se útil para a correta compreensão, celebração e adoração do sacramento do altar. Espero que este instrumento possa contribuir para que o memorial da páscoa do Senhor se torne cada dia sempre mais fonte e ápice da vida e da missão da Igreja; isto animará cada fiel a fazer da sua própria vida um verdadeiro culto espiritual.
Alguns blogs, como o WDTPRS, já dão alguns detalhes, como sejam:

- Dividido em 3 seções: doutrinal, litúrgico e devocional;
- Tem alguns apêndices: Livro IV da Imitação de Cristo; uma seção do Código de Direito Canônico de 1983; uma seção do Código Oriental sobre a Eucaristia de 1990;
- O prefácio é do Cardeal Cañizares;
- Fala claramente de duas formas do Rito Romano sendo de igual importância;
- A seção doutrinal contém trechos do decreto do Concílio de Trento, do Concílio Vaticano II; do Compêndio do Catecismo (sobre a Eucaristia); um comentário sobre as quatro Orações Eucarísticas;
- A seção litúrgica contém o Ordo Missae nas duas formas, dentre outras coisas;
- A parte devocional traz orações para antes e depois da Missa, para a paramentação e outras.

Agora é só aguardar a disponibilização do texto na internet e a tradução nas livrarias. O original em latim já está à venda na PaxBook ("livraria do Vaticano") pelo preço de US$ 48,61.

Postado por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Santa Sé confirma a passagem do maior grupo de anglicanos à Igreja Católica

Bem-aventurado Cardeal John Henry Newman
(o padre anglicano que se converteu e morreu como um santo cardeal católico)

.- Autoridades vaticanas anunciaram esta manhã a próxima publicação de uma Constituição Apostólica para responder aos “numerosos” pedidos de clérigos e fiéis anglicanos que desejam ingressar na Igreja Católica em comunhão plena.

Embora as autoridades não anteciparam cifras, sabe-se que um dos grupos que pediu dar este passo é a Comunhão Anglicana Tradicional, que conta com ao menos 400 mil pessoas, constituindo o maior grupo de anglicanos da história a ingressar naIgreja Católica.

Em uma conferência de imprensa celebrada esta manhã, o Cardeal Joseph Llevada, Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, explicou que a constituição “representa uma resposta necessária a um fenômeno mundial” e oferecerá um “modelo canônico único para a Igreja universal regulável a diversas situações locais, e em sua aplicação universal, eqüitativa para os ex-anglicanos”.

O modelo prevê a possibilidade da ordenação de clérigos casados ex-anglicanos, como sacerdotes católicos e esclarece que estes não poderiam ser ordenados bispos.

O Cardeal Llevada explicou que no documento “o Santo Padre introduziu uma estrutura canônica que provê a uma reunião corporativa através da instituição de Ordinariatos Pessoais, que permitirão aos fiéis ex-anglicanos entrar na plena comunhão com a Igreja católica, conservando ao mesmo tempo elementos do especifico patrimônio espiritual e litúrgico anglicano”.

“A atenção e a guia pastoral para estes grupos de fiéis ex-anglicanos será assegurada por um Ordinariato Pessoal, do qual o Ordinário será habitualmente nomeado pelo clero ex-anglicano", indicou o Cardeal, quem assinalou que ao menos uma vintena de bispos anglicanos solicitaram ingressar na Igreja Católica.

Do mesmo modo, explicou que a nova estrutura “está em consonância com o compromisso no diálogo ecumênico” e reiterou que "a iniciativa provém de vários grupos de anglicanos que declararam que compartilham a fé católica comum, como expressa o Catecismo da Igreja Católica, e que aceitam o ministério petrino como um elemento querido por Cristo para a Igreja. Para eles chegou o tempo de expressar esta união implícita em uma forma visível de plena comunhão".

O Cardeal Llevada sublinhou que "Bento XVI espera que o clero e os fiéis anglicanos desejosos da união com a Igreja Católica encontrem nesta estrutura canônica a oportunidade de preservar aquelas tradições anglicanas que são preciosas para eles e de acordo com a fé católica”.

“Assim que expressam em um modo distinto a fé professada usualmente, estas tradições são um dom que deverá ser compartilhado na Igreja universal. A união com a Igreja não exige a uniformidade que ignora as diversidades culturais, como demonstra a história do cristianismo. Além disso, as numerosas e diversas tradições hoje presentes na Igreja Católica estão todas enraizadas no princípio formulado por São Paulo em sua carta aos Efésios: ‘Um só Senhor, uma só fé, um só batismo’”, adicionou.

Finalmente, recordou que "nossa comunhão se reforçou por diversidades legítimas como estas, e estamos contentes de que estes homens e mulheres ofereçam suas contribuições particulares a nossa vida de fé comum".

Em uma declaração conjunta, os arcebispos de Westminster e Canterbury, respectivamente Vincent Gerard Nichols e Rowan Williams, afirmam que o anúncio da Constituição Apostólica "acaba com um período de incerteza para os grupos que nutriam esperanças de novas formas para alcançar a unidade com a Igreja Católica”.

“Agora é a vez dos que cursaram petições desse tipo à Santa Sé responderem à Constituição Apostólica", que é "conseqüência do diálogo ecumênico entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana", indicaram.

Dom Augustine DiNoia, que colaborou na redação da nova estrutura, recordou que “estivemos durante 40 anos a favor da unidade. As orações encontraram respostas que não antecipamos”.

Para o Arcebispo, ocorreu um “giro tremendo” no movimento ecumênico e rechaçou as acusações de quem chama de “dissidentes” a estes anglicanos. “Eles estão assentindo ao obrar do Espírito Santo para estar em união com Pedro, com a Igreja Católica”, precisou.

Dom DiNoia explicou que ainda se trabalha nos detalhes técnicos e estes Ordinariatos Pessoais poderiam sofrer variações em sua forma final. Os detalhes completos da Constituição Apostólica serão publicados em algumas semanas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pe. Pedro Balzi - requiescat in pace...

Hoje, por volta das 10h30 da manhã, entregou sua alma ao Bom Deus, aos 82 anos o Pe. Pedro (Pietro) Balzi, Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Paz.
Este sacerdote nasceu a 21 de dezembro de 1926, em Lausanne, na região francófona da Suíça.
Aos três anos foi morar em Ponte Nossa (Bergamo - Itália), comuna que não chega a 2000 habitantes.
Pe. Pedro foi ordenado sacerdote no dia 03 de junho de 1950. Trabalhou mais de 10 anos na Itália e depois foi enviado em missão para La Paz, na Bolívia, onde passou pouco mais de 20 anos.
Já por volta dos 60 anos de idade, pede ao seu bispo permissão para ser enviado para o Brasil, para ser missionário numa favela da zona sul de nossa querida Teresina - a então Vila do Facão (se não assim denominada, ao menos assim conhecida por alguns), hoje Vila da Paz.
Chegando em nossa cidade pelo ano de 1987, iniciou um incansável trabalho social, do qual são frutos uma fundação, escolas, creche, panificadora, uma fazenda de acompanhamento e recuperação de dependentes químicos (Fazenda da Paz), dentre outras coisas.
Há alguns meses houve a descoberta de um câncer nos ossos, que rapidamente se desenvolveu.
Depois de dias de intensas dores, veio a falecer. Conforme sua vontade, será sepultado aqui em Teresina, amanhã à tarde, no Cemitério São Judas Tadeu.
O Prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, decretou luto oficial de três dias.

Fac, quaesumus, Domine, hanc cum servo tuo defuncto misericordiam, ut factorum suorum in poenis non recipiat vicem, qui tuam in votis tenuit voluntatem: ut, sicut hic eum vera fides junxit fidelium turmis; ita illic eum tua miseratio societ angelicis choris. Per Christum Dominum nostrum.
Amen.

REQVIEM AETERNAM DONA EI, DOMINE.
ET LVX PERPETVA LVCEAT EI.
REQVIESCAT IN PACE.
AMEN.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Aos Bispos do Regional Nordeste I e IV em visita "AD LIMINA APOSTOLORVM"

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI
AOS PRELADOS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL
DOS BISPOS DO BRASIL DOS REGIONAIS NORDESTE 1 E 4
EM VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»

Sala do Consistório
Palácio Apostólico de Castel Gandolfo
Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009


Caríssimos Irmãos no Episcopado

Sede bem-vindos! Com grande satisfação acolho-vos nesta casa e de todo coração desejo que a vossa visita ad Limina proporcione o conforto e o encorajamento que esperais. Agradeço a amável saudação que acabais de dirigir-me pela boca de Dom José, Arcebispo de Fortaleza, testemunhando os sentimentos de afeto e comunhão que unem vossas Igrejas particulares à Sé de Roma e a determinação com que abraçastes o urgente compromisso da missão para reacender a luz e a graça de Cristo nas sendas da vida do vosso povo.

Queria falar-vos hoje da primeira dessas sendas: a família assentada no matrimônio, como «aliança conjugal na qual o homem e a mulher se dão e se recebem» (cf. Gaudium et spes, 48). Instituição natural confirmada pela lei divina, está ordenada ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole, que constitui a sua coroa (cf. ibid., 48). Pondo em questão tudo isto, há forças e vozes na sociedade atual que parecem apostadas em demolir o berço natural da vida humana. Os vossos relatórios e os nossos colóquios individuais tocavam repetidamente esta situação de assédio à família, com a vida saindo derrotada em numerosas batalhas; porém é alentador perceber que, apesar de todas as influências negativas, o povo de vossos Regionais Nordeste 1 e 4, sustentado por sua característica piedade religiosa e por um profundo sentido de solidariedade fraterna, continua aberto ao Evangelho da Vida.

Sabendo nós que somente de Deus pode provir aquela imagem e semelhança que é própria do ser humano (cf. Gen 1, 27), tal como aconteceu na criação – a geração é a continuação da criação –, convosco e vossos fiéis «dobro os joelhos diante do Pai, de quem recebe o nome toda paternidade no céu e na terra, que por sua graça, segundo a riqueza da sua glória, sejais robustecidos por meio do seu Espírito, quanto ao homem interior» (Ef 3, 14-16). Que em cada lar o pai e a mãe, intimamente robustecidos pela força do Espírito Santo, continuem unidos a ser a bênção de Deus na própria família, buscando a eternidade do seu amor nas fontes da graça confiadas à Igreja, que é «um povo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Lumen gentium, 4).

Mas, enquanto a Igreja compara a família humana com a vida da Santíssima Trindade – primeira unidade de vida na pluralidade das pessoas – e não se cansa de ensinar que a família tem o seu fundamento no matrimônio e no plano de Deus, a consciência difusa no mundo secularizado vive na incerteza mais profunda a tal respeito, especialmente desde que as sociedades ocidentais legalizaram o divórcio. O único fundamento reconhecido parece ser o sentimento ou a subjetividade individual que exprime-se na vontade de conviver. Nesta situação, diminui o número de matrimônios, porque ninguém compromete a vida sobre uma premissa tão frágil e inconstante, crescem as uniões de fato e aumentam os divórcios. Sobre esta fragilidade, consuma-se o drama de tantas crianças privadas de apoio dos pais, vítimas do mal-estar e do abandono e expande-se a desordem social.

A Igreja não pode ficar indiferente diante da separação dos cônjuges e do divórcio, diante da ruína dos lares e das conseqüências criadas pelo divórcio nos filhos. Estes, para ser instruídos e educados, precisam de referências extremamente precisas e concretas, isto é, de pais determinados e certos que de modo diverso concorrem para a sua educação. Ora é este princípio que a prática do divórcio está minando e comprometendo com a chamada família alargada e móvel, que multiplica os «pais» e as «mães» e faz com que hoje a maioria dos que se sentem «órfãos» não sejam filhos sem pais, mas filhos que os têm em excesso. Esta situação, com as inevitáveis interferências e cruzamento de relações, não pode deixar de gerar conflitos e confusões internas contribuindo para criar e gravar nos filhos uma tipologia alterada de família, assimilável de algum modo à própria convivência por causa da sua precariedade.

É firme convicção da Igreja que os problemas atuais, que encontram os casais e debilitam a sua união, têm a sua verdadeira solução num regresso à solidez da família cristã, lugar de confiança mútua, de dom recíproco, de respeito da liberdade e de educação para a vida social. É importante recordar que, «pela sua própria natureza, o amor dos esposos exige a unidade e a indissolubilidade da sua comunidade de pessoas, a qual engloba toda a sua vida» (Catecismo da Igreja Católica, 1644). De fato, Jesus disse claramente: «O que Deus uniu, o homem não separe» (Mc 10, 9), e acrescenta: «Quem despede a sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira. E se uma mulher despede o seu marido e se casa com outro, comete adultério também» (Mc 10, 11-12). Com toda a compreensão que a Igreja possa sentir face a tais situações, não existem casais de segunda união, como os há de primeira; aquela é uma situação irregular e perigosa, que é necessário resolver, na fidelidade a Cristo, encontrando com a ajuda de um sacerdote um caminho possível para pôr a salvo quantos nela estão implicados.

Para ajudar as famílias, vos exorto a propor-lhes, com convicção, as virtudes da Sagrada Família: a oração, pedra angular de todo lar fiel à sua própria identidade e missão; a laboriosidade, eixo de todo matrimônio maduro e responsável; o silêncio, cimento de toda a atividade livre e eficaz. Desse modo, encorajo os vossos sacerdotes e os centros pastorais das vossas dioceses a acompanhar as famílias, para que não sejam iludidas e seduzidas por certos estilos de vida relativistas, que as produções cinematográficas e televisivas e outros meios de informação promovem. Tenho confiança no testemunho daqueles lares que tiram as suas energias do sacramento do matrimônio; com elas torna-se possível superar a prova que sobrevém, saber perdoar uma ofensa, acolher um filho que sofre, iluminar a vida do outro, mesmo fraco ou diminuído, mediante a beleza do amor. É a partir de tais famílias que se há de restabelecer o tecido da sociedade.

Estes são, caríssimos Irmãos, alguns pensamentos que deixo-vos ao concluirdes a vossa visita ad Limina, rica de notícias consoladoras mas também carregada de trepidação pela fisionomia que no futuro possa adquirir a vossa amada Nação. Trabalhai com inteligência e com zelo; não poupeis fadigas na preparação de comunidades ativas e cientes da própria fé. Nestas se consolidará a fisionomia da população nordestina segundo o exemplo da Sagrada Família de Nazaré. Tais são os meus votos que corroboro com a Bênção Apostólica que concedo a todos vós, extensiva às famílias cristãs e diversas comunidades eclesiais com seus pastores e todos os fiéis das vossas diletas dioceses.


© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

SOLLEMNITAS BEATÆ MARIÆ VIRGINIS PERDOLENTIS


Pax et bonum!

Amanhã, 15 de Setembro, a Arquidiocese de Teresina celebra a Virgem Dolorosa, sua padroeira. Na Igreja Catedral se celebra como Solenidade e nas demais igrejas da Arquidiocese como Festa. No Calendário Romano Geral trata-se de uma Memória obrigatória.

A Festa era celebrada no terceiro domingo de setembro até o Papa São Pio X a transferir para o dia 15, logo após a grande Festa de hoje - a Exaltação da Santa Cruz -, onde ainda permanece.

Uma mensagem de João Paulo II sobre o Papa Pio VII nos fala desta comemoração "que, a 18 de Setembro de 1814, ele quis estender a toda a Igreja, em recordação das dores que afligiram a Igreja na época da Revolução francesa e da dominação napoleônica" (http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2000/jul-sep/documents/hf_jp-ii_spe_20000907_congregazioni-benedettine_po.html).
Aqui é interessante pensar na Mãe Santíssima e suas dores pelo seu Filho perseguido no seu Corpo místico, que é a Igreja (como o mesmo Senhor disse ao fariseu Saulo - cf. At 9,4-5).
Isto nos recorda os cristãos no Laos, Camboja e Mianmar, pelos quais o Santo Padre quer que rezemos neste mês de setembro, por causa das grandes dificuldades que muitas vezes encontram.

Todos são convidados para a Oração das Vésperas às 18h na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo, na Praça Rio Branco. Após as Vésperas segue a Procissão rumo à Igreja Catedral e, por fim, a Santa Missa solene.

Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"Versus orientem é a forma normal da celebração"


Latinista alemão e canonista, o Pe. Gero P. Weishaupt, perito da Pontifícia Comissão para Interpretação dos Textos Legislativos, fez algumas considerações sobre a legislação corrente relativa à direção da celebração da Santa Missa.

A celebração Versus Deum ainda permanece Lei Aplicável

A celebração "versus Deum" - junto com a Comunhão na boca e o latim como língua do culto - não é tópico da "reforma da reforma" da liturgia desejada pelo Papa Bento XVI, mas a implementação da lei aplicável. Debatida aqui, está a correção de um desenvolvimento mal orientado após o Concílio Vaticano II.

Concílio Vaticano II

É bem sabido que o Concílio Vaticano II não fez nenhum pronunciamento quanto à direção da celebração. Nem a constituição Sacrosanctum Concilium prescreve algo sobre a construção de novos altares. O primeiro documento não conciliar que fala algo sobre isso é a Instrução Inter Oecumenici, de 26 de setembro de 1964, que com suas normas alega ser uma concreta execução da Constituição sobre a Liturgia. O texto da instrução segue primeiro em latim e depois em português.

"Præstat ut altare maius extruatur a pariete seiunctum, ut facile circumiri et in eo celebratio versus populum peragi possit..." (Sacra Congregatio Rituum [1964] 898, N. 91).

"É melhor que o altar mor seja construído separado da parede, a fim de que alguém possa facilmente circundá-lo e a celebração de frente para o povo possa acontecer nele."

A principal colocação do texto é a separação do altar da parede (a pariete seiunctum).

Duas coisas ocorrem nesta sentença:

1. apenas uma recomendação é feita a respeito da separação do altar da parede (præstat = é melhor, é desejável)

2. a possibilidade, apenas, da celebração de frente para o povo é mencionada como propósito da separação do altar da parede (ut ... possit = a fim de que... alguém possa). Neste caso, o ut é interpretado como um "ut" final (a fim de que). Gramaticalmente, porém, uma interpretação consecutiva também é possível: ut = de modo que. Assim alguém pode traduzir como segue:

"É melhor que o altar mor seja construído separado da parede, de modo que alguém possa facilmente circundá-lo e a celebração de frente para o povo possa acontecer nele."

Se alguém, portanto, tomar o ut como consecutivo, o circundar e a celebração seriam uma consequência da separação do altar. Através desta mudança na lógica causal das colocações, a referência à celebração (versus populum) seria mais enfraquecida. O que importa ao legislador é a possibilidade de separar o altar da parede, não a celebração de frente para o povo. A última tem menor importância.

Seja qual for o caso, a instrução de 1964 fala apenas da possibilidade da celebração de frente para o povo. De maneira alguma se trata de uma prescrição. Em outras palavras: a celebração versus populum é permitida pela Inter Oecumenici, mas não prescrita.

O Missal de Paulo VI (o assim chamado "uso ordinário do Rito Romano")

Assim é consistente apenas que as rubricas do Missale Romanum do Papa Paulo VI ("Novus Ordo") não assumam a celebração versus populum, mas a celebração versus orientem (chamada de modo impróprio e teologicamente incorreto de "celebração de costas para o povo") quando dizem que o sacerdote, ao Orate, fratres, ao Pax Domini, ao Ecce Agnus Dei e ao Ritus conclusionis se volta para o povo. Esta indicação seria supérflua se as rubricas do Novus Ordo considerassem a celebração versus populum. Assim também o Missal pós-conciliar de Paulo VI assume que o sacerdote celebra a Missa voltado para o altar e não para o povo.

Antes mesmo da Comunhão do sacerdote ele diz explicitamente "ad altare versus", voltado para o altar. A terceira Editio typica do Missale Romanum revisado mantém essas rubricas (Missale Romanum [2002], Ordo Missæ, 515, No. 28, 600, No. 127, 601, No. 132 f., 603, No. 141).

A Institutio Generalis (Instrução Geral) de 2000

Enfim, neste contexto a Institutio Generalis da terceira Editio typica do Missale Romanum revisado publicado para fins de estudo em 2000 é pertinente. Lá se diz no No. 299:

Altare extruatur a pariete seiunctum, ut facile cirumiri et in eo celebratio versus populum peragi possit, quod expedit ubicumque possibile est.

"O altar seja contruído separado da parede, a fim de que" ou: de modo que "alguém possa facilmente circundá-lo e a celebração versus populum possa acontecer nele, o que é útil onde for possível".

Em contraste com a instrução Inter Oecumenici de 1964, a Institutio Generalis de 2000 acrescenta e explica que a construção do altar separado da parede é útil e benéfica (expedit). O benefício está relacionado à posição do altar, não à direção da celebração. Dela é meramente dito que se torna possível pela separação do altar da parede (peragi possit). Aqui, também, por essa razão, nenhum requerimento de uma celebração de frente para o povo é expressado.

Mas isso significa: Não há obrigação alguma de se celebrar versus populum. Isto também claramente resulta de uma resposta da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos de 25 de setembro de 2000: "Primeiramente se deve ter em mente que a palavra expedit não constitui obrigação, mas uma sugestão que se refere à construção do altar a pariete sejunctum [separado da parede] e à celebração versus populum [voltada para o povo]". Então, a Congregação explica ainda: "A cláusula ubi possibile sit [onde for possível] se refere a diferentes elementos, como, por exemplo, a topografia do local, a disponibilidade de espaço, o valor artístico do altar já existente, a sensibilidade das pessoas que participam nas celebrações numa igreja particular, etc." A Institutio Generalis de 2000, portanto, considera a celebração versus populum como uma possibilidade, sem excluir a celebração versus orientem, voltada para o oriente.

Conclusão

Legalmente, portanto, a celebração versus orientem é a forma normal da celebração. Por razões de espaço ou de arquitetura, é possível colocar o altar separado da parede, o que torna possível a celebração voltada para o povo, mas deve-se salientar que em tal altar a celebração versus populum não é mandatória, mas é provida como uma possibilidade.

Pe. Gero P. Weishaupt

Fonte (em inglês): The New Liturgical Movement

Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Recuperemos o amor à Eucaristia!

O Arcebispo de Lima chamou os fieis a praticar uma urbanidade (cortesia, afabilidade) eucarística, consistindo na boa educação da piedade, respeito e adoração ao Corpo de Cristo. Esta exortação foi feita na Missa Dominical que celebrou na Basílica Catedral de Lima, no domingo, 23 de agosto, XXI do Tempo Comum.

Recuperemos esse amor à Eucaristia, recebendo Jesus com o corpo e a alma limpos, na graça de Deus. Que se utilize essa pequena bandeja da comunhão, para que no caso de uma partícula da Hóstia se desprender, não caia no chão. Por isso esta urbanidade, que devemos ensinar [a todos] desde as crianças até aos mais idosos”, exortou durante sua homilia.

Assim mesmo, o Pastor de Lima recordou que a Igreja Universal ensina que a comunhão Eucarística se recebe na boca, e de uma maneira extraordinária – com permissão do bispo - na mão.

A comunhão Eucarística se recebe na boca para evitar o uso da mão suja em contato com o Corpo de Cristo. Nesta arquidiocese, todavia, há a permissão (para se receber o Corpo de Cristo na mão). Digo isto, porém, porque cada vez mais peço aos sacerdotes e religiosos que este respeito visível ao Corpo de Cristo se manifeste e que não se esteja entregando o Corpo de Cristo como quem distribui papeis”, mencionou.

O Arcebispo de Lima também recordou que a forma correta de receber Jesus na Eucaristia requer uma preparação pessoal para se estar na graça. E no momento de recebê-lo, deve-se mostrar um sinal visível de respeito, que pode ser a inclinação da cabeça e, muito mais recomendável, receber a Santa Eucaristia de joelhos.

O amor do Cura d'Ars à Eucaristia

Por fim, o Pastor de Lima recordou, neste Ano Sacerdotal, o Santo Cura d'Ars, São João Maria Vianney, como um exemplo a se imitar no amor a Deus na Eucaristia.

“Deve-se ter essa boa educação do Corpo de Cristo. Abramos com confiança o coração a Cristo, deixemos que nos conquiste. Como dizia o Santo Cura d'Ars: nossa única felicidade nesta terra consiste em amar a Deus e saber que ele nos ama. Que a Virgem Maria com sua humildade nos ensine a ser mais respeitosos quando nos aproximamos para receber o Corpo de Cristo”, concluiu.

Obs: os grifos são meus.

Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

domingo, 23 de agosto de 2009

Gripe A e tentativa de impor a comunhão na mão

Pax et bonum!

Acabei de colocar a postagem anterior para servir de referência sobre o que vamos tratar aqui.
Em algumas dioceses, ao que parece, do Brasil e do mundo, está havendo a tentativa de impor a comunhão na mão como "precaução" por causa do medo do contato da mão do sacerdote, ou de outros ministros, com a saliva de algum fiel que esteja com a nova gripe e que comungue recebendo o Corpo de Cristo diretamente na boca.
Aconteceu isto, por exemplo, pela Pastoral da Saúde de Portugal, diante do que o sr. cardeal patriarca de Lisboa, há pouco mais de um mês, teve que intervir. Transcrevo o documento oficial (os grifos são meus):

COMUNICADO DO CARDEAL-PATRIARCA DE LISBOA
AOS SACERDOTES DO PATRIARCADO DE LISBOA

Nos últimos dias fui surpreendido com a avalanche de notícias sobre as implicações dos cuidados de prevenção contra o vírus H1N1 (Gripe A), nas assembleias litúrgicas e nos actos de culto católico. Compreende-se que a Comissão Nacional da Pastoral da Saúde queira colaborar, dando conselhos e orientações úteis para a colaboração dos cristãos no esforço nacional de prevenção. Mas não lhe compete alterar ritos nem dar normas de alterações das regras da Liturgia. Neste contexto, como Bispo Diocesano, dou as seguintes orientações pastorais:

1. Devemos colaborar, no âmbito da nossa missão, com o esforço nacional de prevenção, sobretudo ajudando a criar uma mentalidade de cuidados específicos e de respeito pelos outros.

2. As orientações da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde que, como foi anunciado, vão ser enviadas às Paróquias, devem ser consideradas simples sugestões e não normas decididas pela autoridade eclesiástica.

3. No momento actual do processo, considero não haver ainda necessidade de alterar regras litúrgicas e modos de celebrar. A Liturgia se for celebrada com qualidade e rigor, garante, ela própria, os cuidados necessários. É o caso, por exemplo, da saudação da paz que se for feita com a qualidade litúrgica, não constitui, normalmente, um risco acrescido.

4. Na actual disciplina litúrgica, os fiéis podem optar por receber a sagrada comunhão na mão. Mas não podem ser forçados a fazê-lo. Se houver cuidado do ministro que distribui a comunhão e de quem a recebe, mais uma vez fazendo as coisas com dignidade, a comunhão pode ser distribuída na boca sem haver contacto físico.

5. Se as condições da “pandemia” se agravarem, poderemos estudar novas atitudes concretas, na instância canónica própria a quem compete decisões dessa natureza: o Bispo Diocesano, na sua Diocese, a Conferência Episcopal Portuguesa para todo o País, sempre em diálogo com o Santo Padre e os respectivos serviços da Santa Sé.

Lisboa, 17 de Julho de 2009

† JOSÉ, Cardeal-Patriarca


Por Luís Augusto - membro da ARS

D. Nicola Bux e a Comunhão na mão: “Lamento, mas não existe nenhum texto da Tradição que a sustente”.


Entrevista de D. Nicola Bux concedida a Bruno Volpe

Don Bux, qual é a maneira mais correta de comungar?

Diria que são duas. Há a posição de pé, recebendo a partícula na boca, ou de joelhos. Não vejo uma terceira via.

Falemos da posição vertical…

Está bem, não tenho nada contra ela. O importante é que o fiel esteja intimamente consciente do que vai receber, isto é, que não se aproxime da Comunhão com uma despreocupação que demonstra imaturidade e absoluta distância de Deus.

Comunhão de pé… mas o que é melhor?

Veja, até a Comunhão de pé, se feita com devoção, compunção e sentido do sagrado, não está mal. Seria belo e conveniente, sem dúvida, que a Comunhão (inclusive quando de pé) seja precedida por um sinal formal de reverência, ou seja, a cabeça coberta para as mulheres, o sinal da cruz ou uma inclinação de amor.

Mas, por que frequentemente as pessoas se aproximam da Comunhão como se fosse de um buffet?

Gosto desta expressão e em parte é também correta. Muitos se levantam mecanicamente e não sabem, e nem sequer imaginam, o que recebem. Pensa-se que a participação na Missa inclui automaticamente a Comunhão, à qual devem se aproximar somente aqueles que estão realmente na graça de Deus.

Nos últimos meses, o Papa Bento XVI tem administrado a Comunhão de joelhos…

Tem feito muito bem. Considero que o ajoelhar-se para receber a Comunhão ajuda a recolher o espírito e a compreender mais o mistério. Ajoelhar-se diante do Corpo de Cristo é um ato de amor e de humildade agradável a Deus, que nos faz reavaliar este sentido do sagrado atualmente à deriva e perdido, ou, ao menos, diminuído.

Em resumo, a Comunhão de joelhos ajuda o espírito…

Certamente, favorece o recolhimento e a espiritualidade. Considero que a posição de joelhos para receber a Comunhão é a que mais responde ao sentido do mistério e do sagrado.

E a comunhão na mão?

Lamento, mas não existe nenhum texto da Tradição que a sustente. Nem sequer o tomai e comei todos: não há nenhuma menção da mão e, se quisermos, os apóstolos eram sacerdotes e tinham o direito à Comunhão na mão. Os orientais não a permitem.

Numa igreja de Roma, a da Caravita, geralmente muito concorrida especialmente pela comunidade católica mexicana, um sacerdote jesuíta [...] faz os fiéis tomarem pessoalmente a partícula e molhá-la no cálice. É correto?

Trata-se de um abuso gravíssimo e intolerável, do qual faz bem em me avisar e do qual o bispo deve tomar consciência e conhecimento. Os parágrafos 88 e 94 [da Redemptionis Sacramentum] afirmam que não é permitido aos fiéis tomar por si mesmos a hóstia ou passar o cálice de mão em mão. Creio que a Comunhão não é válida. Analisarei o problema, mas estamos diante de um abuso inadmissível que deve ser reprimido o quanto antes.

Fonte em português: Fratres in unum
Fonte em espanhol: La Buhardilla de Jeronimo
Original em italiano: Pontifex

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"Resista, Maestro, resista!"

Oferecemos a tradução portuguesa (via tradução espanhola de La Buhardilla de Jerónimo) de uma valiosa entrevista de Monsenhor Domenico Bartolucci, de 92 anos, nomeado por Pio XII maestro “ad vitam” da Capela Sixtina, mas afastado do cargo em 1997 devido a uma intervenção de Mons. Piero Marini. Uma medida que foi vigorosamente rechaçada pelo então Cardeal Joseph Ratzinger. O título do post, de fato, faz referência às palavras do mesmo Ratzinger a Mons. Bartolucci meses antes de que este se retirasse do cargo.

A entrevista se trata de mais uma iniciativa do Abbé Stefano Carusi, do site Disputationes Theologicae, do Instituto do Bom Pastor. Em 2006, Mons. Bartolucci foi convidado a reger um concerto especial em honra ao Papa Bento XVI, concerto este que foi considerado como que um ato de desagravo tanto ao injustiçado Monsenhor como à verdadeira música sacra. Na mesma época, em entrevista concedida a Sandro Magister, Mons. Bartolucci declarou sobre Bento XVI: “Um Napoleão sem generais”.

***

Maestro, a recente publicação do Motu Proprio “Summorum Pontificum” trouxe um sopro de ar fresco no desolador panorama litúrgico que nos rodeia; também o senhor pode agora, portanto, celebrar a “Missa de sempre”.

Mas, para dizer a verdade, eu sempre a celebrei ininterruptamente, desde a minha ordenação… Por outro lado, teria dificuldade em celebrar a Missa no rito moderno, uma vez que nunca o fiz.

Nunca abolida, então?

São as palavras do Santo Padre, ainda que alguns finjam não entendê-las e mesmo que muitos no passado tenham sustentado o contrário.

Maestro, será necessário conceder aos difamadores da Missa antiga que ela não é “participada”…

Não digamos disparates! Conheci a participação dos tempos antigos tanto em Roma, na Basílica, como no mundo, como aqui abaixo no Mugello, nesta paróquia deste belo povo, um templo povoado de gente cheia de fé e piedade. O domingo, nas vésperas, o sacerdote poderia se limitar a entoar o “Deus in adiutorium meum intende” e logo pôr-se a dormir sobre o assento… os camponeses continuariam sozinhos e os chefes de família teriam pensado em entoar as antífonas.

Uma polêmica velada, Maestro, a respeito do atual estilo litúrgico?

Não sei se – ai de mim! – já estiveram num funeral: “aleluia”, aplausos, frases risonhas, alguém se pergunta se essa gente leu alguma vez o Evangelho; Nosso Senhor mesmo chorou sobre Lázaro e sua morte. Aqui, com este sentimentalismo insosso, não se respeita nem sequer a dor de uma mãe. Eu lhes havia mostrado como o povo assistia a uma Missa de defuntos, com que compunção e devoção se entoava aquele magnífico e tremendo “Dies Irae”.

A reforma não foi feita por gente consciente e doutrinariamente formada?

Desculpe-me, mas a reforma foi feita por gente árida, lhes repito, árida. E eu os conheci. Quanto à doutrina, o Cardeal Ferdinando Antonelli, de venerável memória, costumava dizer com freqüência: “como fazemos liturgistas que não conhecem a teologia?”

Estamos de acordo com o senhor, Monsenhor, mas é certo também que o povo não entendia…

Caríssimos amigos, leram alguma vez São Paulo: “não importa saber mais do que o necessário”, “é necessário amar o conhecimento ‘ad sobrietatem’”? Daqui a alguns anos se tentará entender a transubstanciação como se explica um teorema de matemática. Mas se nem sequer o sacerdote pode compreender até o fundo tal mistério!

Mas como se chegou, então, a esta distorção da liturgia?

Foi uma moda, todos falavam, todos “renovavam”, todos pontificavam, na esteira do sentimentalismo, de reformas. E as vozes que se levantavam em defesa da Tradição bimilenar da Igreja eram habilmente caladas. Inventou-se uma espécie de “liturgia do povo”… quando escutava estas frases me vinham à mente as palavras de meu professor do seminário que dizia: “a liturgia é do clero para o povo”, ela descende de Deus e não de baixo. Devo reconhecer, contudo, que aquele ar fétido se fez menos denso. As gerações de sacerdotes jovens são, talvez, melhores que as que as precederam, não têm os furores ideológicos dominados por um modernismo iconoclasta, estão cheios de bons sentimentos, mas lhes falta formação.

O que quer dizer, Maestro, com “lhes falta formação”?

Quero dizer que queremos os seminários! Falo daquelas estruturas que a sabedoria da Igreja elegantemente cinzelou durante os séculos. Não se dá conta da importância do seminário: uma liturgia vivida, os momentos do ano são vividos “socialmente” com os irmãos… o Advento, a Quaresma, as grandes festas que seguem a Páscoa. Tudo isso educa, e não se imagina quanto! Uma retórica tonta deu a imagem de que o seminário arruína o sacerdote, de que os seminaristas, afastados do mundo, permanecem fechados em si mesmos e distantes do povo. Todas fantasias para dissipar uma riqueza formativa plurissecular e para substituí-la depois com nada.

Retornando à crise da Igreja e ao fechamento de muitos seminários, o senhor é partidário de um retorno à continuidade da Tradição?

Olhe, defender o rito antigo não é ser do passado, mas ser “de sempre”. Veja, comete-se um erro quando a missa tradicional é chamada “Missa de São Pio V” ou “Tridentina”, como se fosse a Missa de uma época particular: é nossa Missa, a romana, é universal em todos os tempos e lugares, uma única língua desde a Oceania até o Ártico. Mas no que diz respeito à continuidade nos tempos, gostaria de lhes contar um episódio. Uma vez estávamos reunidos em companhia de um bispo, cujo nome não me lembro, numa pequena igreja de Mugello, e chegou a notícia da morte repentina de um irmão nosso, imediatamente propusemos celebrar uma missa, mas nos demos conta que só havia missais antigos. O bispo rechaçou categoricamente celebrar. Não o esquecerei nunca e reitero que a continuidade da liturgia implica que, salvo minúcias, se possa celebrar hoje com aquele velho missal empoeirado pego de uma estante e que há quatro séculos serviu a um predecessor meu em seu sacerdócio.

Monsenhor, se fala de uma “reforma da reforma” que deveria limar as deformações que vêm dos anos sessenta…

A questão é bastante complexa. Que o novo rito tenha deficiências é já uma evidência para todos e o Papa disse e escreveu várias vezes que deveria “olhar ao antigo”; contudo, Deus nos guarde da tentação das bagunças híbridas; a Liturgia, com o “L” maiúsculo, é a que vem dos séculos, ela é a referência, não se deve corrompê-la com compromissos “a Dio spiacenti e a l’inimici sui”. [que a Deus despraz e ao inimigo seu]

O que quer dizer, Maestro?

Tomemos como exemplo as inovações dos anos sessenta. Algumas “canções populares” beat e horríveis e tão em moda nas igrejas em 68, hoje já são fragmentos de arqueologia; quando se renuncia à perenidade da tradição para se afundar no tempo, se está condenado ao mudar das modas. Me vem à mente a Reforma da Semana Santa dos anos cinqüenta, feita com certa pressa sob um Pio XII já cansado. E bem, só alguns anos depois, sob o pontificado de João XXIII (quem, além do que se diga, em liturgia era de um tradicionalismo convencido e comovente), me chegou uma chamada de Mons. Dante, cerimoniário do Papa, que me pedia preparar a “Vexilla Regis” para a iminente celebração da Sexta-feira Santa. Respondi: “mas a aboliram”. No que me respondeu: “O papa quer”. Em poucas horas organizei as repetições de canto e, com grande alegria, cantamos de novo o que a Igreja havia cantado pelos séculos naquele dia. Tudo isso para dizer que, quando se fazem rasgos no tecido litúrgico, esses buracos são difíceis de cobrir e se vê! Em nossa liturgia plurissecular, devemos contemplá-la com veneração e recordar que, no afã de “melhorá-la”, corremos o risco de apenas lhe fazer danos.

Maestro, que papel teve a música neste processo?

Teve um rol importante por várias razões. O melindroso cecilianismo, ao qual certamente Perosi não foi alheio, introduziu com seus ares pegadiços um sentimentalismo romântico novo, que nada tinha a ver com aquela densidade eloqüente e sólida de Palestrina. Certas extravagâncias de Solesmes haviam cultivado um gregoriano sussurrado, fruto também daquela pseudo restauração medievalizante que tanta sorte teve no século XIX. Difundia a idéia da oportunidade de uma recuperação arqueológica, tanto na música como na liturgia, de um passado distante do qual nos separavam os assim chamados “séculos obscuros” do Concílio de Trento… Arqueologismo, em suma, que não tem nada a ver com a Tradição e que quer restaurar o que talvez nunca existiu. Um pouco como certas igrejas restauradas em estilo “pseudo-românico” por Viollet-le-Duc. Portanto, entre um arqueologismo que queria remeter-se ao passado apostólico, prescindindo dos séculos que nos separam deles, e um romantismo sentimental, que despreza a teologia e a doutrina numa exaltação do “estado de ânimo”, se preparou o terreno para aquela atitude de suficiência com relação ao que a Igreja e nossos Padres nos haviam transmitido.

O que quer dizer, Monsenhor, quando ataca Solesmes no âmbito musical?

Quero dizer que o canto gregoriano é modal, não tonal; é livre, não ritmado, não é “um, dois três, um dois três”; não se devia desprezar o modo de cantar de nossas catedrais para substituí-lo com um sussurro pseudo-monástico e afetado. Não se interpreta um canto do medievo com teorias de hoje, mas se o toma como chegou até nós; ademais, o gregoriano sabia ser também canto do povo, cantando com força nosso povo expressava sua fé. Isso Solesmes não entendeu, mas tudo isso seja dito reconhecendo o grande e sábio trabalho filológico que fez com o estudo dos manuscritos antigos.

Maestro, em que ponto estamos, então, da restauração da música sagrada e da liturgia?

Não nego que haja alguns sinais de recuperação. Contudo, vejo o persistir de uma cegueira, quase uma complacência por tudo que é vulgar, grosseiro, de mal gosto e inclusive doutrinariamente temerário… Não me peça, por favor, que dê um juízo sobre as “chitarrine” e sobre as “tarantelle” que ainda nos cantam durante o ofertório… O problema litúrgico é sério, não se deve escutar aquelas vozes que não amam a Igreja e que se lançam contra o Papa. E se se quer curar o enfermo, há de recordar que o médico piedoso faz a chaga purulenta…

Ad Orientem - palavras do Bispo de Tulsa - EUA


Renascimento de antigo rito traz múltiplas vantagens e algumas noções erradas

Porque a Missa é tão necessária e fundamental à nossa experiência Católica, a liturgia é um tópico constante em nossas conversas. Eis porque quando nos reunimos tão frequentemente refletimos sobre as orações e as leituras, discutimos a homilia, e - provavelmente - debatemos sobre a música. O elemento crítico nessas conversas é uma compreensão de que nós Católicos prestamos culto da maneira que o fazemos por causa daquilo que a Missa é: Sacrifício de Cristo, oferecido sobre os sinais sacramentais do pão e do vinho.
Se nossa conversa sobre a Missa deve "ter algum sentido", então nós temos que compreender esta verdade essencial: Na Missa, Cristo nos une a si, ao passo em que se oferece em sacrifício ao Pai pela redenção do mundo. Nós podemos nos oferecer deste modo porque nos tornamos membros de seu Corpo pelo Batismo.
Nós queremos recordar também que todos os fieis oferecem o Sacrifício Eucarístico como membros do corpo de Cristo. É errado pensar que somente o sacerdote oferece a Missa. Todos os fieis tomam parte na oblação, muito embora o sacerdote tenha um papel único. Ele permanece "na pessoa de Cristo", a Cabeça histórica do Corpo Místico, de modo que, na Missa, está o corpo de Cristo inteiro: Cabeça e membros juntos fazem a oblação.

Para a mesma direção

Desde tempos antigos, a posição do sacerdote e do povo refletia esta compreensão da Missa, uma vez que o povo rezava, de pé ou de joelhos, no lugar que visivelmente correspondia ao Corpo de Nosso Senhor, enquanto que o sacerdote estava junto do altar, à frente, como Cabeça.
Nós formávamos o Cristo inteiro - Cabeça e membros - tanto sacramentalmente pelo Batismo como visivelmente pela nossa posição e postura. Igualmente importante era que todos - celebrante e assembleia - olhavam para a mesma direção, uma vez que estavam unidos a Cristo, oferecendo ao Pai o único, irrepetível e aceitável sacrifício do próprio Cristo.
Quando estamos as mais antigas práticas litúrgicas da Igreja, encontramos o sacerdote e o povo voltados para a mesma direção, normalmente para o leste/oriente/nascente, na espera de que quando Cristo voltar, virá "do oriente". Na Missa, a Igreja mantém-se vigilante, aguardando a sua volta. Esta posição singular é chamada ad orientem, que simplesmente significa, "para o oriente".

Múltiplas vantagens

Por aproximadamente dezoito séculos tem sido norma litúrgica celebrar a Missa estando o sacerdote e o povo ad orientem. Deve haver sólidas razões para a Igreja ter mantido tal postura por tanto tempo. E há! A primeira de todas é que a liturgia Católica sempre manteve uma maravilhosa adesão à Tradição Apostólica. Nós vemos a Missa, e de fato toda a expressão litúrgica da vida da Igreja, como algo que temos recebido dos Apostólos e que se espera mantermos intacto (cf. 1Cor 11,23).
A segunda razão é que a Igreja guardou esta singular posição voltada para o leste por causa da maneira sublime com que ela revela a natureza da Missa. Mesmo alguém alheio à Missa, refletindo sobre o celebrante e os fieis estando voltados para a mesma direção, reconheceria que o sacerdote se encontra à frente do povo, que participa de uma única e mesma ação, que seria - ele notaria com uma reflexão um pouco maior - um ato de culto.

Uma inovação com consequências inesperadas

Nos últimos 40 anos, todavia, esta orientação partilhada foi perdida; agora o sacerdote e o povo acostumaram-se a se voltar para direções opostas. O sacerdote está de frente para o povo enquanto o povo está de frente para o sacerdote, ainda que a Oração Eucarística seja dirigida ao Pai e não ao povo.
Esta inovação foi introduzida após o Concílio Vaticano [II], em parte para ajudar o povo a compreender a ação litúrgica da Missa, fazendo com que vejam o que acontece, e em parte como uma conformação à cultura contemporânea onde se espera que pessoas que exercem autoridade estejam voltadas para aqueles a quem servem, como um professor atrás de sua escrivaninha.
Infelizmente tal mudança teve um número de efeitos imprevistos e bem negativos. O primeiro de todos, foi uma séria ruptura com a antiga tradição da Igreja. Segundo, dá-se a aparência de que o sacerdote e o povo estão numa conversa sobre Deus, mais do que num culto a Deus. Terceiro, coloca-se uma desordenada importância na personalidade do celebrante, por estar ele colocado numa espécie de palco litúrgico.

Recuperando o sagrado

Mesmo antes de sua eleição como sucessor de São Pedro, o papa Bento nos tem chamado a atenção para a antiga prática litúrgica da Igreja, a fim de se restaurar um culto Católico mais autêntico. Por esta razão, restaurei o venerável uso da posição ad orientem quando eu celebro a Missa na Catedral.
Esta mudança não pode ser interpretada erronamente como o Bispo "ficando de costas para os fieis", como se eu não desse atenção ou fosse hostil. Tal interpretação perde o foco de que, voltando-se para a mesma direção, a postura do celebrante e da assembleia torna explícito o fato de estarmos todos juntos caminhando para Deus. O sacerdote e o povo estão juntos nesta peregrinação.
Também seria uma noção equivocada olhar para a recuperação desta antiga tradição como sendo um mero "retrocesso". O papa Bento tem falado repetidamente sobre a importância de se celebrar a Missa ad orientem, mas sua intenção não é a de encorajar os celebrantes a se tornarem "antiquários litúrgicos". Antes, Sua Santidade deseja que descubramos o que esteve por trás desta tradição e a tornou viável por tantos séculos, a saber, a compreensão da Igreja de que o culto da Missa é primária e essencialmente o culto que Cristo oferece ao seu Pai.

D. Edward J. Slattery, bispo de Tulsa. Ad Orientem in Eastern Oklahoma Catholic - The Magazine of the Catholic Diocese of Tulsa - Setembro 2009, Volume 2.


Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

sábado, 15 de agosto de 2009

Santa Sé ensinando a celebrar a "Missa Antiga"

Pax et bonum!

Caríssimos, grande notícia!
Chegou tarde aos meus ouvidos, mas está ressoando "nos quatro cantos da internet"!
A Pontifícia Comissão Ecclesia Dei acaba de lançar um pack de dois DVDs sobre a Forma Extraordinária do Rito Romano. Isso mesmo!
O primeiro, até onde sei, que surgiu foi o da Administração Apostólica São João Maria Vianney (Brasil na frente!).

Logo apareceu, com grande qualidade, o Celebrare Missam Tridentinam (não é exatamente o título), da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Apareceram também os DVDs dos Cônegos Regulares de São João Câncio, que mantêm o ótimo site www.sanctamissa.org/.

E também, em grande produção, com a EWTN, o da Fraternidade Sacerdotal São Pedro.

Claro que devem existir outros por aí.

Por fim, aparece este subsídio OFICIAL da Santa Sé!
A apresentação é do Card. Hoyos e está em italiano, espanhol, francês e inglês.
No primeiro DVD há uma Missa Rezada e outras, como o Pontifical em Santa Maria Maggiore (se completo ou só em partes, não sei).
O segundo é o DVD didático propriamente dito, desde a preparação até a ação de graças.
Pelo que dizem, o pack é gratuito, cobrando-se somente as despesas de envio.
Os pedidos devem ser dirigidos a:

Pontificia Commissione Ecclesia Dei - Palazzo della Congregazione per la Dottrina della Fede
Piazza del Sant’Uffizio, 11 - 00193 ROMA - Tel. 06/69885213 - 69885494 - Fax 06/69883412

Um grande DEO GRATIAS!
Esperamos que tal atitude ajude a dissipar o extremismo daqueles que amam a Sagrada Liturgia pela metade, pondo de lado, desprezando ou rejeitando completamente a Forma Extraordinária do Rito Romano.

Nessas ocasiões eu me lembro de uma belíssima exortação de Santo Irineu de Lião (embora em um contexto um tanto diverso):

OPORTET QVÆ SVNT ECCLESIÆ CVM SVMMA DILIGENTIA DILIGERE

(É necessário amar com extremo amor tudo o que é da Igreja!)

Por Luís Augusto - membro da ARS

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Assim falou Romano Guardini...


Pax et bonum!
Há algumas semanas estive traduzindo o Cap. 7 da obra "O Espírito da Liturgia", do Pe. Romano Guardini. Esta obra inspirou, de certa forma, o livro "Introdução ao Espírito da Liturgia", do Card. Ratzinger, atualmente nosso Santo Padre.
O livro pode ser baixado em inglês aqui (site Sancta Missa).
O capítulo em questão se chama "A primazia do Logos sobre o Ethos". Muito interessante.
Como ainda falta revisá-lo, não o postarei, mas deixarei uma bela citação, que conclui o capítulo.

A liturgia tem algo em si que lembra as estrelas, sua eternidade e ainda assim seu curso, sua ordem inflexível, seu profundo silêncio, e o infinito espaço em que estão suspensas. É apenas em aparência, todavia, que a liturgia está separada e indiferente às ações e aos esforços e à posição moral dos homens. Pois na verdade é sabido que aqueles que vivem dela serão idôneos, saudáveis, perfeitos em espírito e verdade, e estarão em paz nas profundezas de seu ser; e que quando eles deixarem os limites sagrados para entrar na vida, serão homens de coragem.

Sobre o contexto e a ideia geral do capítulo, deixarei para falar disso quando postar o capítulo inteiro.
A comparação, embora um tanto poética, não deixa a verdade de lado em nome de "romantismos". Há quem pense que uma liturgia que não esteja permeada dos problemas e preocupações do cotidiano, questões políticas, querelas sociais, seja alienante.

Deixo a afirmação do autor para reflexão...

Por Luís Augusto - membro da ARS

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"Mãos erguidas em louvores para Deus"

Assim o refrão do Hino de Nossa Senhora do Amparo enxerga simbolicamente as duas torres da Igreja Matriz de Teresina.
Dia 07 (sexta-feira) iniciou o Novenário de Nossa Senhora do Amparo, padroeira de Teresina, que segue até o dia 16.
Até o sábado (dia 15), a Santa Missa para os paroquianos em geral estará sendo celebrada às 19h.
No dia 16 (Domingo), Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, dia também em que nossa capital completa 157 anos, nosso arcebispo D. Sérgio oferecerá o Santo Sacrifício às 8h30.
A Missa de hoje será cantada pela Schola Cantorum Cor Iesu Sacratissimum, que exercerá o ministério do canto litúrgico pela segunda vez, sendo a primeira em nossa própria Arquidiocese.
Agradecemos ao Pe. José de Pinho pelo convite.
O repertório é composto pelos cantos escolhidos pela Paróquia, para o novenário, mais o Kyriale de Angelis.

domingo, 2 de agosto de 2009

Deus no centro, não o homem


Pax et bonum!

Mui recentemente encontrei dois textos, não tão novos, mas bem interessantes. São duas entrevistas semelhantes tanto nas perguntas como nas respostas. As duas foram feitas por Bruno Volpe, do Pontifex. A primeira ao Card. Darío Castrillón Hoyos, ex-prefeito da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, e a segunda a Dom Albert Malcolm Ramjith, ex-secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e atual arcebispo de Colombo (Sri Lanka).

***

Eminência, o que é a Santa Liturgia?
Respondo assim: a Liturgia é a presença viva de Deus, tal como disseram também os Padres da Igreja, e a busca do sagrado. Uma Liturgia que não põe Deus no centro, não é católica. Para ser mais claro, na Liturgia, o sacerdote nunca deve ser protagonista, colocar-se em evidência. Citemos, por exemplo, o que aconteceu em Lourdes durante a recente viagem do Papa.

O que aconteceu?
Um sacerdote considerou oportuno, segundo o seu gosto, mudar as palavras da Ave Maria. Você percebe? Pretende-se mudar uma oração nascida da fé e pela mania de protagonismo.

Eminência, o que a Liturgia sofre hoje em dia?
Creio que diminuiu, ao menos em parte, o sentido do sagrado. O sentido místico e o valor da Cruz. Não compreendo certos celebrantes que se sentem grandes fazendo-se senhores e donos da Missa, que é o maior símbolo do amor de Deus pelo homem.

Por que algumas vezes, em nome de uma estranha ideia de criatividade litúrgica, ocorrem tantos abusos?
Quando o celebrante se enche de orgulho, inventando ou criando coisas, faz Cristo desaparecer de sua mente e coração. Esquece-o. Lembre que Cristo está sempre no primeiro lugar. Às vezes, nas Missas, falta o sentido de Deus, o Verbo Encarnado que, na Liturgia da Igreja, encontra sua glória. Uma pessoa humilde e simples chega à igreja e se ajoelha. Hoje ajoelhar-se causa estranheza, parece estar fora de tempo e de lugar.

O que pode dizer do Rito Romano antigo?
Que é belo. Que o latim deve ser valorizado nas escolas e nos seminários. Mas o centro continua sendo a Cruz e Cristo. Você pensa que Mozart escreveu certas belezas olhando para o mar? Não. Tinha Cristo e um “pedaço de pão”, que é a Sagrada Eucaristia, como ponto alto de suas inspirações.

O que pensa da Comunhão na mão?
A Liturgia se baseia também na Tradição. É necessário voltar a dar valor ao silêncio, à genuflexão, e compreender e fazer compreender, também às crianças, que não é belo tomar na mão o Corpo de Cristo, especialmente depois de pegar num brinquedo. Devemos respeitá-lo, reverenciá-lo. Com respeito, de joelhos, e sem tocá-lo.

Hoje, muitas vezes, briga-se pela Liturgia…
Isto está mal. A Liturgia não deve converter-se nunca em objeto de discussões. É o cúmulo brigarmos precisamente por causa do supremo ato de amor. Todos devem ser respeitosos quanto às ideias dos outros. Por exemplo, se o Papa está administrando a Comunhão aos fieis de joelhos, aqueles que querem que o sacramento se administre assim, cantam vitória. Se acontece o contrário, exultam os outros. Deste modo, não se progride…

O que é preciso?
Respeito, caridade e abandonar o orgulho. Com moderação, e o digo aos próprios “tradicionalistas”. São insaciáveis. Repito-o: insaciáveis. E assim fazem mal a nós e a si mesmos. Inundam você com cartas, escrevem na internet. Há aqueles que querem que a Basílica de Santa Maria Maior seja dedicada exclusivamente à Missa antiga. Repito-o: moderação e medida. Soberba e orgulho são o contrário do ato de Amor contido na Eucaristia.

Traduzido por Luís Augusto – membro da ARS

***

Excelência, o que é a Liturgia?
Poder-se-ia responder à sua pergunta apenas com uma afirmação: Actio Christi. Basta esta resposta para iluminar o tema que, por si, parece-me amplamente exaustivo.

Ao dizer Actio Christi, o que deseja expressar?
A definição da Liturgia não a dou eu, nem nenhum outro, mas está nas próprias atas do Concílio Vaticano II, no documento Sacrosanctum Concilium, ao qual dirijo minha atenção e convido você a fazer o mesmo: que ele seja lido junto com o Catecismo da Igreja.

Actio Christi… mas como conjugar isso com a ars celebrandi?
Repito que a Missa é mistério, transcendência, busca e glória de Deus. A Missa projeta-nos à glória de Deus e, portanto, é evidente que o protagonista do Sacrifício Eucarístico não é o homem, mas Deus.

Então, o senhor é contra uma visão antropológica da Liturgia…
Com certeza, mas não é ideia pessoal minha, mas da Igreja. Em resumo, considerar o homem como o eixo da celebração termina sendo uma brincadeira desagradável e, talvez, inclusive um engano. Creio que o verdadeiro mal da Liturgia consiste em outra coisa…

Em quê?
Orgulho, orgulho e, mais uma vez, orgulho! Destaco-o três vezes. Quando o homem, inclusive na Missa, pretende substituir a Deus cai no orgulho, como se lê também no Apocalipse. Uma visão orgulhosa e antropológica arruína a Liturgia e desfigura o sentido do sagrado.

Portanto, o homem não cria a Liturgia…
Absolutamente. O homem não cria nada. A Liturgia não é propriedade do homem, mas de Deus. Só Deus pode nos dar o Sacrifício da Missa. Na celebração é necessária a presença e a participação no mistério que se celebra. A Liturgia é uma ação bela e celestial, recordando uma vez mais o livro do Apocalipse…

Mas no tempo houve visões racionalistas querendo explicar inclusive aquilo que, por natureza, não é assim…
Insisto: a Missa, que não é um alegre espetáculo, é sacrifício, dom, transcendência. Logo requer participação, mas também doação e dar glória ao Senhor.

Por que o senhor fala de orgulho?
Faço referência a quando o homem, na celebração, pretende colocar-se no lugar de Deus. O protagonista da Missa é Deus, nunca o homem e, portanto, nunca o sacerdote celebrante.

O que é necessário para restituir a dignidade à Santa Missa?
Sobrietas: lembre-se desta palavra latina. A Missa deve ser sóbria, simples e elegante, pondo Deus no centro e não o homem. Deve-se recuperar a sobriedade, eliminando o orgulho terreno que, normalmente, realiza espetáculos.

Traduzido por Luís Augusto – membro da ARS