quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

"Et incarnatus est"...Adorando o Verbo Encarnado (Para não esquecer)

Alguns gestos litúrgicos, considerada a sua simplicidade, muitas vezes são, por nós, ignorados ou esquecidos. É o que acontece, corriqueiramente, com as inclinações e genuflexões, por exemplo. Mas aqui, quero me referir, particularmente, ao gesto de ajoelhar-se a certas palavras do Credo nas Solenidades da Anunciação do Senhor e do Natal.


Lembro-me da primeira Missa do Galo celebrada por S. S. Bento XVI, em 24/12/2005, em que o Papa se ajoelhou durante a oração do Credo. O comentarista afirmou que, naquele momento o Papa, resgatava um tradicional costume da Igreja, que se encontrava em desuso. Não me recordo se o Pontífice anterior deixou de fazê-lo. O certo é que eu, conquanto já me interessasse pelo assunto, desconhecia muitos detalhes (e continuo a desconhecer outros tantos) acerca da Sagrada Liturgia, pus-me em busca da norma litúrgica que embasou o gesto do Papa . Encontrei a na Instrução Geral do Missal Romano(IGMR) e no Ordinário da Missa. Só recentemente, pude vislumbrar com mais clareza, a proposta de “pedagogia litúrgica” de Bento XVI.


Pois bem, diz a IGMR:


137. O símbolo é cantado ou recitado pelo sacerdote com o povo (cf. n. 68), estando todos de pé. Às palavras E se encarnou pelo Espírito Santo, todos se inclinam profundamente, mas nas solenidades da Anunciação do Senhor e do Natal do Senhor todos se ajoelham.


Comparando essa norma com as rubricas que constam no ordinário, tem-se que:

Sendo rezado o Símbolo Apostólico, ajoelha-se às palavras “que foi concebido pelo poder do Espirito Santo; nasceu da Virgem Maria”;


Onde é rezado o Símbolo Niceno-Constantinopolitano, às palavras: “E se encarnou, pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.”


Ajoelhar-se torna-se uma expressão visível da adoração ao inefável mistério da Sagrada Encarnação do Verbo, em que Deus se rebaixa tomando a condição humana:


Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos.”(Fl 2, 8-10).


Não nos esqueçamos!


Por Edilberto Alves

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