sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Leituras sobre o Concílio Vaticano II, para o Ano da Fé

Pax et bonum!

O Ano da Fé será um importante evento da vida eclesial a comemorar o Jubileu de Ouro da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II.
O Papa Bento XVI proclamou mais este Ano da Fé (um primeiro foi proclamado pelo Papa Paulo VI, em 1967) através da Carta Apostólica Porta Fidei,  no dia 11/10/11. 
A Congregação para Doutrina da Fé fez seguir uma Nota com indicações pastorais, em 06/01 deste ano.
Desde o discurso à Cúria Romana em dezembro de 2005, uma espessa nuvem que cobria o evento conciliar e tudo que lhe diz respeito parece ter começado a se dissipar. Entramos, portanto, num período bastante salutar de uma maior compreensão do XXI Concílio Ecumênico da história da Igreja.
Sem entrar no mérito de todas as discussões a respeito, queremos propor algumas leituras, frutos de almas dedicadas a Deus e à Igreja e livres da paixão tanto dos que enaltecem um Vaticano II que não existe, quanto dos que rejeitam e maldizem o XXI Concílio Ecumênico da Igreja.


O RENO SE LANÇA NO TIBRE - O CONCÍLIO DESCONHECIDO
- Escrita pelo Pe. Ralph Wiltgen, SVD, trata-se da primeira e mais "quente" obra sobre o Concílio (escrita em 1967), dado que o autor trabalhou nele como jornalista, tendo acompanhado minuciosamente os debates conciliares.
- A edição em português é da Editora Permanência. Pode ser comprada aqui.
- Uma breve análise da obra, por Dom Estêvão Bettencourt, OSB, pode ser vista aqui.
O CAVALO DE TRÓIA NA CIDADE DE DEUS
- Obra de Dietrich von Hildebrand, grande pensador católico alemão do séc. XX. Provavelmente a segunda (cronologicamente) obra das mais relevantes sobre o Concílio. Igualmente escrito originalmente no ano de 1967.
- A edição brasileira está digitalizada e disponível para download aqui.
- Também ainda pode ser encontrada para venda na Estante Virtual.
CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II - UM DEBATE A SER FEITO
- Escrita por Mons. Brunero Gherardini, cônego da Basílica de São Pedro, veio a lume em 2009.
- A edição brasileira é da Editora Pinus. Pode ser comprada aqui.
- O prefácio escrito por D. Mario Oliveri pode ser lido aqui.
O CONCÍLIO VATICANO II - UMA HISTÓRIA NUNCA ESCRITA
- Escrita pelo Prof. Roberto de Mattei, historiador italiano de renome, foi publicada em 2010.
- No mês passado foi noticiada uma tradução portuguesa lusitana, da editora Caminhos Romanos, e que pode ser conferida aqui.
- Uma longa e interessante entrevista com o autor, em que emergem partes do conteúdo da obra, pode ser lida aqui.

Por Luís Augusto - membro da ARS

7 comentários:

Fernaanda disse...

Hummm....com exceção do livro de Hildebrand todos os outros são contra o CVII, certo?

Não li os outros 3 livros mas alguns "amigos" da FSSPX usam estes lisvros para chamar o Papa Bento XVI de modernista e não católico.

Vocês leram estes livros? Podem dar informações mais precisas?

Obrigada

ARS disse...

Olá, Fernanda.
Errado. Nenhum desses aí é contra o Concílio.
Eles são contra a hermenêutica errada do Concílio.
Aqui cabe aquele ditado: o abuso não tolhe o uso.
É fato que algumas pessoas acabam entendendo errado também o que estes livros tentam explicar.
Na ARS nós iniciamos um estudo sobre o Concílio. Temos o livro "O Reno" e o livro do Mons. Brunero.
Como falamos na postagem, os autores são "almas dedicadas a Deus e à Igreja e livres da paixão tanto dos que enaltecem um Vaticano II que não existe, quanto dos que rejeitam e maldizem o XXI Concílio Ecumênico da Igreja".
Pax et bonum!

Anônimo disse...

Para Mons.Gherardini o problema é mais complexo que o da simples interpretações. Não é uma questão de hermenêutica apenas. Em outros escritos ele trata dos diferentes níveis de assentimento que o Concílio requer (o nível genérico do concílio ecumênico como um concílio ecumênico; o nível específico como pastoral;
o nível de referência a outros concílios;o nível de inovações). Problemas maiores surgem no último nível despido de autoridade doutrinal, nos quais seria possível identificar descontinuidades.
Exemplo disso seria o papel da Igreja no mundo segundo a GS: "A Igreja promove diálogo para realizar fins que indubitavelmente são sublimes – progresso, paz – que a afasta de sua tarefa específica que é a de pregar o Evangelho, tornar real e aplicar os méritos da Redenção, e propagar o reino de Deus: em tudo, tudo que tem a ver com a vida da graça até o momento da Parusia". Outro ponto de ruptura - nos textos conciliares - para Gherardini é a doutrina do sacerdócio: “Entretanto, devemos dizer algumas palavras com relação a um aspecto do aggiornamento conciliar. Isso é particularmente importante para mim, porque é uma parte da tradição Tridentina e porque está em conformidade com a realidade sacramental do sacerdote. É dele que desejo falar agora. [...] Tanto na Lumen gentium 28/1, que diz textualmente: “Os sacerdotes [...] são consagrados para pregar o Evangelho,” quanto na Presbyterorum Ordinis 13/2, que voluntariamente coloca o ministério da Palavra no mais alto lugar nas funções do sacerdote, vemos uma modificação clara da tradição Tridentina, de acordo com a qual o sacerdote é ‘ad conficiendam eucharistiam.’ Evidentemente, ele está destinado a outras finalidades, mas tudo está colocado depois do sacrifício Eucarístico”

Gherardini não culpa apenas o pós-concílio pelos exageros, mas identifica problemas mesmo nos textos conciliares e princípios que animaram o CVII. Para ele, o chamado "espírito do concílio" já está presente no Concílio: "“Se desejam continuar culpando apenas o pós-concílio, podem, de fato, fazê-lo, porque, efetivamente, ele não é absolutamente isento de culpa. Mas seria necessário também não se esquecer que ele é o filho natural do Concílio, e extraiu do Concílio esses princípios sobre os quais, exasperando-os, basearam seus conteúdos mais devastadores”.
Paz e bem,
Rafael

Anônimo disse...

Mas uma citação de Gherardini acerca da doutrina do sacerdócio nos textos do concílio:
“Conseqüentemente, como pode ser coerente declarar que tal reviravolta radical da tradição Tridentina também é perfeitamente coerente com o magistério precedente, e constitui o material de validade infalível, irreformável e dogmática? Admito candidamente que não compreendo.”
Rafael

Fernanda disse...

Muito obrigada pelo esclarescimento.

Vou ler sem preocupação.

In Christo Rege,
Fernanda

geraldo disse...

Dizer que o CVII não existe, vocês estão de brincadeira.

ARS disse...

Olá, Geraldo.
Compreenda o que escrevemos: "...dos que enaltecem um Vaticano II que não existe..."
Aqui estamos falando do Vaticano II da fantasia, ou seja, que não se encontra em seus textos. Entenda-se desta forma, relativa aos textos, nossa expressão "não existe".
Por exemplo, alguém diz que o Vaticano II aboliu o latim e pôs o padre de frente para o povo. Ora, simplesmente o Concílio, em seus documentos, nunca disse ou fez isso. Portanto, o Concílio que não existe [nos textos] é este da fantasia e da prática modernista. Ele foi chamado de "concílio dos meios de comunicação", "concílio dos jornalistas", "concílio virtual", responsável por "tantas calamidades, tantos problemas, realmente tanta miséria: seminários fechados, conventos fechados, liturgia banalizada... ", como disse o amado Bento XVI num de seus últimos discursos.