sexta-feira, 10 de abril de 2015

Meditação para a sexta-feira na Oitava da Páscoa

Amados leitores do blog, pax et bonum! Alleluia!

Com grande alegria manifestamos nossos votos de uma Feliz e longa Páscoa do Senhor para todos!
Páscoa é um Domingo, é uma Semana (Oitava), é um Tempo (50 dias)! Páscoa é o mistério central de nossa Fé: "O Mistério pascal de Jesus, que compreende a sua paixão, morte, ressurreição e glorificação, está no centro da fé cristã, porque o desígnio salvífico de Deus se realizou uma vez por todas com a morte redentora do seu Filho, Jesus Cristo" (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 112).
Neste dia, uma semana após a celebração da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, oferecemos uma meditação retirada dos escritos de Santo Afonso Maria de Ligório (+1787), Bispo e Doutor da Igreja, para esta sexta-feira da Oitava da Páscoa.

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Conformidade com a vontade de Deus

a exemplo de Jesus Cristo


"Eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (Jo 6,38)

Sumário: É tão agradável a Deus o sacrifício da nossa própria vontade, que Jesus Cristo desceu sobre a terra para nos ensinar a maneira de o fazer, e em toda a sua vida não fez outra coisa senão dar-nos disso as mais sublimes lições, com as suas palavras e com os seus exemplos. Eis, portanto, o que devemos ter mira em todas as nossas ações: conformar a nossa vontade com a divina, especialmente no que mais repugna ao amor próprio. Vale mais um Bendito seja Deus, dito nas adversidades, do que mil agradecimentos na prosperidade.

I. É certo que a nossa salvação consiste em amar a Deus, nosso supremo Bem; porque a alma, que não o ama, já não vive, mas está morta (cf. I Jo 3,14). A perfeição, porém, do amor consiste em conformar a nossa vontade com a divina; pois que, como diz o Aeropagita, o efeito principal do amor é unir as vontades dos que se amam, de sorte que não tenham senão um só coração e uma só vontade.
É isto o que antes de mais nada com as suas palavras e com os seus exemplos veio ensinar-nos Jesus Cristo, que nos foi dado por Deus tanto para ser nosso Salvador como nosso modelo. Pelo que o Apóstolo escreve que as primeiras palavras de Jesus, ao entrar no mundo, foram estas: "Eis que venho para fazer, ó Deus, a tua vontade" (Hb 10,9). Meu Deus, recusastes as hóstias e oblações dos homens; não vos agradaram os holocaustos que vos ofereciam pelos seus pecados. Quereis que vos sacrifique morrendo este meu corpo, que vós mesmo me haveis dado. Eis-me aqui, Senhor, estou pronto para fazer a vossa santíssima vontade.
No correr de sua vida Jesus Cristo tem manifestado diversas vezes a sua submissão e conformidade de vontade, dizendo: "Eu desci do céu não para fazer a minha vontade, senão a daquele que me enviou". Quis que conhecêssemos o grande amor a seu Pai por vê-lo ir à morte por obediência à vontade deste Por isso disse aos apóstolos: "Para que conheça o mundo que amo ao Pai, e assim como me ordenou o Pai, assim faço: Levantai-vos; vamo-nos daqui" (Jo 14,31).
Depois no horto de Getsêmani, parece que o Senhor, oprimido pelo temor, pelo aborrecimento e pela tristeza, não sabe fazer outra oração senão esta: "Meu Pai, não seja com eu quero, mas sim como tu" (Mt 26,39). "Meu Pai, se não pode passar este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade" (Mt 26,42). Numa palavra, é tão grande a excelência da conformidade com a vontade de Deus, e Jesus Cristo exige tão rigorosamente que a pratiquemos, que protesta ter por seus discípulos somente aqueles que cumprem a vontade divina (cf. Mt 12,50).
II. Se agrada tanto a Deus o sacrifício de nossa vontade, que enviou à terra seu próprio Filho para nos ensinar a maneira de a sacrificarmos, tinha razão o santo abade Nilo de dizer que nas nossas orações não devemos pedir a Deus que faça o que nós queremos, mas que nos dê a graça para bem fazermos o que ele quer. É a isso que se devem dirigir todos os nossos desejos, devoções, meditações e comunhões: o cumprimento da vontade divina, especialmente naquilo que repugna mais ao nosso mor próprio. Lembremo-nos sempre do que costumava dizer o Bem-aventurado João de Ávila: "Um só Bendito seja Deus, nas adversidades, vale mais do que mil agradecimentos na prosperidade".
Toda a minha desgraça, ó meu Deus, foi não querer sujeitar-me no passado à vossa vontade. Detesto e amaldiçoo mil vezes esses dias e momentos em que, para seguir a minha vontade, me opus à vossa, ó Deus de minha alma. Eu vo-la consagro agora sem reserva e quero unir esta minha oferta à que vosso divino Filho fez de si mesmo e continuar a fazer sobre os nossos altares. Recebei-a, ó meu Senhor, e ligai-me de tal modo ao vosso amor, que nunca mais me possa revoltar contra vós.
Amo-vos, bondade infinita, e pelo amor que vos tenho, me ofereço todo a vós. Disponde de mim, e de tudo o que me pertence, como vos aprouver. Resigno-me em tudo à vossa divina vontade. Preservai-me da desgraça de contrariar as vossas disposições, e depois fazei de mim segundo a vossa vontade. Pai Eterno, pelo amor de Jesus Cristo, atendei-me. Meu Jesus, escutai-me pelos merecimentos da vossa Paixão. E vós, ó Maria Santíssima, ajudai-me; obtende-me a graça de executar a vontade divina, na qual consiste toda a minha salvação, e nada mais de vós desejo.

Fonte: Meditações para todos os dias do anno, Tomo II, p. 14-17.

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