sábado, 4 de março de 2017

Breve NON AMBIGIMUS, de Bento XIV, sobre a observância do jejum quaresmal

Pax et bonum!
Primeiramente a ARS deseja a todos os membros, amigos e leitores uma muita santa Quaresma. Todos sabemos como a vivência deste Tempo é importante para bem celebrarmos o vindouro Tempo Pascal.
Desde o ano passado encontramos este interessante documento do Magistério tratando da importância da observância do jejum quaresmal e dos males que nos advêm de uma quaresma relaxada.
Recomendamos a leitura para estimular a generosidade nas obras de penitência. Obviamente deve-se estar atentos à disciplina corrente quanto às penitências quaresmais.
A última postagem, com vídeos do Revmo. Pe. Paulo Ricardo sobre estes temas, pode ajudar bastante.

Breve
NON AMBIGIMUS
de Sua Santidade
o Papa Bento XIV

Não temos dúvida, veneráveis irmãos, que aqueles que aderem à Religião Católica sabem como toda a Igreja, que se espalhou por todo o mundo cristão, considera necessário incluir o jejum quaresmal entre os principais baluartes da verdadeira doutrina.
Um período de tempo primeiramente esboçado na Lei e nos Profetas, consagrado pelo exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, transmitido aos apóstolos, prescrito pelos cânones sagrados em toda parte, tem sido aceito e observado por toda a Igreja desde o seu começo. Certamente, como nos foi transmitido pelos antigos Padres, com o estabelecimento deste remédio comum para nós que pecamos diariamente, nós também, unidos à Cruz de Cristo, somos capazes de fazer algo naquilo que ele adquiriu para nós.
Ao mesmo tempo, purificados pelo jejum no corpo e na alma, preparamo-nos para comemorar, de maneira mais digna dos sagrados Mistérios de nossa Redenção, através da recordação da Paixão e da Ressurreição, que são celebradas com a maior solenidade, especialmente no período quaresmal. Com o jejum, quase uma marca de nossa milícia, distinguimo-nos dos inimigos da Igreja, desviamos o raio da divina vingança e, com o auxílio de Deus, somos protegido do Príncipe das trevas no curso dos dias.
Vossa falha em obedecer a isto resulta em uma não insignificante ofensa à glória de Deus, uma vergonha não negligenciável para a Religião Católica e um perigo certo para os fiéis; é certo, de fato, que a origem dos apuros dos povos, das desgraças morais, públicas e privadas, não se encontra noutro lugar. Quão distante, quão diferente, quão contraditório é o comportamento atual dos que jejuam em relação à persuasão e ao respeito pela santíssima Quaresma e pelos outros dias dedicados ao jejum, profundamente enraizados nos corações de todos os católicos; como se desvia da verdadeira doutrina do jejum e da prática observada sempre, em todo lugar e por todos.
Vós, veneráveis irmãos, que estais familiarizados com os usos e costumes do povo confiado ao vosso cuidado, particularmente por vossa percepção, vedes tudo isto com mais evidência do que qualquer um. Certamente, desde que nós, que fomos colocado neste eminente observatório de Governo Apostólico, recebemos relatos de notícias dos povos, como poderíamos não lamentar que a sacratíssima observância do jejum da Quaresma tenha sido quase completamente eliminada devido à excessiva facilidade de dispensa, por toda parte, indiscriminadamente, por razões triviais e não urgentes, de modo a causar as justas queixas daqueles que seguem a ortodoxa religião, enquanto os seguidores da heresia zombam e exultam?
Estamos muito aflitos porque a esta péssima corrupção da multidão vós acrescentais a licença, que chegou a tal ponto, sem levar em devida conta os ensinamentos apostólicos e as sagradas provisões, de promover impunemente banquetes num tempo de jejum, bem como festas proibidas em público de maneira degradante. Levados, portanto, por uma preocupação sincera e incômoda, voltamo-nos para vós, veneráveis irmãos: não nos é possível, devido à alta tarefa do sagrado apostolado concedida a nós, não solicitar que vosso ardente zelo encontre um remédio contra esse males, e disponha leis apropriadas para cortar tais abusos pela raiz.
Portanto, veneráveis irmãos, nossa alegria e nossa coroa, considerando que não há nada mais aceitável a Deus, nada mais apropriado ao ministério pastoral, nada mais útil para o rebanho confiado ao vosso cuidado, feitos precursores por palavra e exemplo, inflamemos no coração dos fiéis o desejo de continuar com maior convicção tal exercício salutar de penitência e devoção, o desejo de permanecer constantemente fiéis e cumprir com isto de acordo com as provisões estabelecidas. Procuremos, com todo cuidado e com todo o zelo, fazer com que o povo permaneça fiel diante de Deus, por uma mais austera observância dos jejuns, como deve ser feito nas mesmas Festas Pascais.
Sendo assim, o serviço que cabe à vossa paternal solicitude e caridade requer que informeis a todos que ninguém está permitido a conceder dispensas sem boa razão e sem o conselho de duas pessoas doutas. Dispensa do jejum da Quaresma para uma inteira população, para uma cidade ou para uma categoria de pessoas sem distinção só pode ser requerida de forma excepcional no caso de uma necessidade urgente e mais grave, com o devido respeito a esta Sé Apostólica, onde possa ser necessário conceder esta dispensa, sem dela apropriar-se de maneira resoluta e atrevida, nem pedindo-a à Igreja de maneira altiva e arrogante, como sabemos ser o caso em certos lugares.
Mesmo se não houver razão para explicar qual seja a necessidade mais séria, queremos que saibais bem que em tal situação, uma pessoa inicialmente pode fazer uma refeição simples. Aqui também, em Roma, enquanto estamos procedendo com uma dispensa para o ano corrente, por razões urgentes, expressamente declaramos que nem festas proibidas e nem legítimas podem ter lugar sem discernimento. Portanto, assim como estamos convencidos de que é necessário proceder com grande cuidado na concessão de indulgências, e não poderia ser de outro modo, porque teremos que dar contas ao Supremo Juiz, também neste caso pensamos que vós deveis cuidar disso segundo vossas consciências.
Ao mesmo tempo, pedimos a vossas paternidades, e admoestamos-vos no Senhor, que exorteis os que não podem observar a disciplina penitencial comum a todos os fiéis, para que, como a devoção de cada um puder sugerir, não negligenciem outras obras de piedade, expiem seus pecados e peçam perdão a Deus.
Com verdadeiro fervor possam procurar descobrir o melhor caminho para curar as feridas abertas na frágil natureza humana, e se estão incapacitados de curá-las por jejuns purificadores, possam remir das faltas incorridas pela fragilidade humana com obras de piedade, o sufrágio das orações e a doação de esmolas.
Enquanto esperamos de vosso zelo e caridade pastorais um repouso e um conforto para nossa pesada aflição, de que não nos privareis, com todo nosso coração vos concedemos, veneráveis irmãos, a Bênção Apostólica, cheia de graça celeste, a ser estendida aos vossos povos. Também desejamos cópias desta, também impressas, assinaladas por um notário público e trazendo o selo de uma personalidade da igreja, para ter a mesma autoridade que a original e para ser reconhecida como tal onde quer que se faça pública.
Dada em Roma, em Santa Maria Maggiore, sob o Anel do Pescador, em 30 de maio de 1741, no primeiro ano de Nosso Pontificado.

Fonte: http://www.unamsanctamcatholicam.com/history/79-history/516-non-ambigimus-english-translation.html
No site da Santa Sé: https://w2.vatican.va/content/benedictus-xiv/it/documents/breve--i-non-ambigimus--i---30-maggio-1741--il-pontefice-ricorda.html

Obs: esta postagem tinha sido preparada ainda no ano passado (2016), mas como a tradução só foi concluída no fim da Quaresma, deixei-a para este ano, no qual encontrei o mesmo documento, como sendo um "Breve", no site da Santa Sé, em italiano. Para a tradução ele não foi consultado, contudo recomenda-se a leitura para dissipar qualquer dúvida relacionada a algum possível erro na tradução, quer para o inglês, da qual traduzi, quer para esta em português.

Por Luís Augusto - membro da ARS

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