quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

20/02/11 - Domingo da Setuagésima

Pax et bonum!

Este próximo Domingo, dia 20, será, para os fiéis que utilizam a Forma Extraordinária do Rito Romano, o Domingo da Setuagésima ou o início do Tempo da Setuagésima, que Pe. Reus chama também de Tempo Antequaresmal. Este termo também poderíamos usar para os três últimos Domingos do Tempo Comum antes da Quaresma, para considerar uma certa unidade entre as duas formas, embora na Forma Ordinária este período esteja despojado do caráter penitencial que reveste o Tempo da Setuagésima, existente há mais de 14 séculos.
Para melhor se entender, recolhi informações de algumas boas fontes.

Catholic Encyclopedia
Mershman, Francis. "Septuagesima." The Catholic Encyclopedia. Vol. 13. New York: Robert Appleton Company, 1912. Disponível em: .

(Do latim setuagésima, 70ª).

Septuagesima é o nono Domingo antes da Páscoa e o terceiro antes da Quaresma, conhecido entre os Gregos como “Domingo do [Filho] Pródigo” por causa do Evangelho (Lc 15), que eles lêem neste dia, chamado também de Dominica Circumdederunt pelos Latinos, por causa das primeiras palavras do Intróito da Missa. Na literatura litúrgica o nome “Septuagesima” aparece pela primeira vez no Sacramentário Gelasiano. Por que o dia (ou a semana, ou o período) tem o nome de Septuagesima, e o Domingo seguinte de Sexagesima, etc., é matéria de disputa entre os escritores. Certamente não é o setuagésimo dia antes da Páscoa, e o Domingo seguintes menos ainda é o sexagésimo, depois o quinquagésimo, etc. Para Amularius, “De eccl. Off.”, I, I, a Septuagesima representaria misticamente o Cativeiro da Babilônia de setenta anos, e iniciando neste Domingo em que os Sacramentários e Antifonários dão o Intróito “Circumdederunt me undique” e o fim no Sábado após a Páscoa, quando a Igreja canta “Eduxit Dominus populum suum”. Talvez a palavra seja apenas uma de uma série numérica: Quadragesima, Quinquagesima, etc. E mais, pode simplesmente denotar o primeiro dia em que alguns cristãos começavam os quarenta dias do jejum quaresmal, excluindo a Quinta, o Sábado e o Domingo da observância do jejum.
A Septuagesima atualmente é inaugurada no Martirológio Romano pelas palavras: “Domingo da Septuagesima, em que o cântico do Senhor, o Alleluia, deixa de ser pronunciado”. No sábado anterior, o Breviário Romano indica que depois do “Benedicamus” das Vésperas se acrescentem dois Alleluia, que doravante deve ser omitido até a Páscoa, e em seu lugar “Laus tibi Domine” é que se deve dizer no começo do Ofício. Originalmente a despedida do Alleluia era muito solene. Num Antifonário da Igreja de São Cornélio de Compiègne, encontramos duas antífonas especiais. A Espanha tinha um pequeno Ofício consistindo de um hino, uma leitura breve, uma antífona e uma sequência. Missais na Alemanha, até o séc. XV, tinham uma bela Sequência. Nas igrejas francesas se cantava o hino “Alleluia, dulce carmen” (Guéranger, IV, 14) que era bem conhecido entre os anglo-saxões (Rock, IV, 69). O “Te Deum” não é recitado nas Matinas, exceto nas festas. As leituras do primeiro Noturno são tomadas do Gênesis, relatando a queda e a subsequente miséria do homem, dando, assim, uma adequada preparação para o Tempo da Quaresma. Na Missa do Domingo e nos dias de semana o Gloria in excelsis é totalmente omitido. Em todas as Missas um Trato é acrescentado ao Gradual.

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Pe. João Baptista Reus, SJ
Curso de Liturgia, I. Liturgia Geral, Cap. IV: Tempo Sacro
Artigo II. O ciclo pascal
§74. O Tempo Antequaresmal
Pág. 147-148

300. O mais antigo ciclo do ano eclesiástico é o ciclo pascal. O seu centro é a festa da páscoa. Começa no domingo da setuagésima e termina no sábado depois de pentecostes. O tempo antes da páscoa tem o caráter de penitência, que se mostra gradualmente, cada vez com mais rigor. Começa modestamente nos três domingos antequaresmais, aumenta na quaresma, cresce no tempo da paixão, torna-se mais intenso no domingo de ramos e alcança o auge no tríduo sacro da semana santa.
1. O tempo antequaresmal abrange os domingos da setuagésima, sexagésima e quinquagésima. Setuagésima é propriamente o dia setuagésimo; mas designa também toda a época de 70 dias. Dominica in septuagesima (Missal) significa o primeiro domingo na época dos 70 dias. No rito grego são realmente 10 semanas, portanto 70 dias de preparação para a festa da ressurreição. Na Igreja romana o nome não corresponde ao número, pois que são só 63 dias até à páscoa. Talvez o nome setuagésima tenha sido adotado do Oriente ou tenha sido formado por analogia com quadragésima, primeiro quinquagésima, depois sexagésima e setuagésima, para designar o respectivo aumento de uma ou duas ou três semanas de jejum. Estes três domingos já existiam no século VI.
301. 2. Neste tempo a penitência é moderada. Só o canto de aleluia emudece como também o Te Deum e o Gloria da missa. A leitura do ofício tira-se do primeiro livro da Sagrada Escritura, porque o pecado de Adão tornou necessário o Redentor e porque em Março principiava o ano civil, ao qual se acomodava a Igreja.
302. 3. Durante o tempo antequaresmal multiplicam-se os divertimentos de carnaval, muitas vezes ofensivos à religião. Para reparar ao divino Coração de Jesus as muitas injúrias, é permitido celebrar um tríduo eucarístico no domingo da Quinquagésima e nos dois dias seguintes, ou nos domingos da setuagésima ou sexagésima e dias seguintes. Quem visitar o SS. Sacramento nesta ocasião, comungar e rezar na intenção do Papa, pode ganhar uma indulgência plenária (Bened. XIV).
4. A quarta-feira de cinzas. Nome e história. O nome tem o seu fundamento na bênção da cinza, feita de ramos do ano anterior. A distribuição da cinza tem a sua origem no antigo rito de impor neste dia cinza aos penitentes públicos. Tornou-se, porém, geral para todos os fiéis desde o fim do século XI, e é uma lembrança da humildade e da morte. Começa neste dia o jejum eclesiástico da quaresma (Fer. IV in capite jejunii).

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D. Gaspar Lefebvre
Missal Quotidiano e Vesperal, Tempo da Septuagésima, 3. Exposição litúrgica.
Pág. 198-199

A Septuagésima principia sempre na nona semana antes da Páscoa e compreende os três Domingos denominados: Septuagésima, Sexagésima e Quinquagésima. A designação derivante do sistema de numeração em uso, marca a série das dezenas sobre que recaem estes Domingos. Com efeito, se dividirmos as nove semanas que precedem a Páscoa em série de dez dias, podemos constatar que o 1º dos 9 Domingos cai na sétima dezena, o 2º na 6ª e o 3º na 5ª.
A festa da Páscoa é móvel e pode celebrar-se, conforme os anos, entre 22 de Março e 25 de Abril. Quando vem mais cedo, a Septuagésima começa ainda no Tempo da Epifania e os Domingos deste ciclo que ficarem por celebrar repõem-se entre os Domingos 23 e 24 depois do Pentecostes.
O Tempo da Septuagésima é o prelúdio da Quaresma e serve de preparação remota para a festa da Páscoa. Serve de transição à alma cristã, que deve passar das alegrias do Natal para a penitência austera da Quaresma. E se o jejum não é ainda rigoroso, a cor dos paramentos é já a roxa, a cor da penitência. Não se diz Gloria in excelsis, porque este canto de vitória que celebrou Cristo nascido na nossa carne mortal, deve calar-se durante este período de tristeza, que envolve as almas e a Igreja por causa dos pecados dos homens, para irromper de novo no dia glorioso da ressurreição. O Martirológio anuncia: “Domingo da Septuagésima, em que se depõe o cântico do Senhor, Aleluia”. Pois como poderemos, dizia o povo de Israel, cantar o cântico do Senhor em terra estrangeira? Esta terra estranha é para o povo cristão o mundo, que é lugar de exílio, onde não soa bem o Aleluia, o cântico que S. João ouviu na Jerusalém celeste. Canta-se porém no Tempo Pascal, porque a Páscoa simboliza a vida futura, a libertação definitiva das almas. A Quaresma, de quarenta dias, e as três décadas representadas pelo Tempo da Septuagésima, simbolizam perfeitamente os setenta anos do cativeiro da Babilônia. O Tempo da Septuagésima termina, para o ciclo temporal, na Quarta-feira de Cinzas e, para o santoral, no dia 10 de Março, se a Páscoa cair a 25 de Abril.

Por Luís Augusto - membro da ARS

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