O espírito do tempo do Advento

Pax et bonum!
Nestes primeiros dias do novo tempo, do novo ano litúrgico, segue um trecho de Michel Pagiossi em sua obra Entrarei no altar de Deus, vol. II, n. 94-96.
Este tempo tinha, na Antiguidade, um marcado caráter penitencial, que se procurou recuperar, em certa medida, com a reforma do calendário litúrgico, iniciada pelo Concílio Vaticano II. Historicamente, o Advento foi formado entre os séculos IV e VI, sendo um fenômeno apenas ocidental. Inicialmente era um período de seis semanas, aos poucos reduzido a quatro. Sua duração original se manteve apenas no Rito Ambrosiano. Embora seja uma preparação para a solene celebração do Natal do Senhor, seu sentido transcende este fato histórico, relembrando também a espera dos judeus pelo Messias, o Mistério da Encarnação e, por fim, a segunda vinda gloriosa de Cristo nos últimos tempos. Um autor clássico explicita da seguinte forma esse triplo mistério presente na época do Advento: Cristo veio na carne e na fraqueza, ou seja, sua vida temporal; no espírito e poder, ou seja, a vida de graça no interior do homem; na Glória e majestade, a vinda do último dia, como recorda aos fiéis a antiga sequência Dies Irae.
No Advento a Igreja espera a Segunda Vinda de Cristo como todo o povo de Israel esperou pela Primeira, também ela se unindo ao desejo expresso por São João Batista (Jo 3,30): "É preciso que ele cresça e eu diminua". De uma maneira bastante "histórica", ele prepara toda a Igreja para comemorar a vinda do Filho em Belém, elevando os corações para esperar pela sua volta em uma "piedosa e alegre expectativa". Diz o Papa Bento XVI: "O Advento pretende avivar a memória mais funda do coração, a memória do Deus que se fez menino. Esta memória salva, esta memória é esperança. (...) Despertamos a memória do coração, aprendendo, assim, a ver a estrela da esperança".
É importante recordar que o tempo do Advento carrega um chamado missionário, ou seja, também os cristãos devem ir ao encontro do outro, como Cristo fez com seu povo. É um tema caro ao Papa Francisco, que insiste em que a Igreja seja sempre missionária e esteja em constante "saída". É um tempo de expectativa vigilante, de esperança (1Tm 1,1) e de conversão.
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