Bem-aventurado Álvaro Santos Cejudo, mártir e pai de família

Salve Maria!

Gostaria de contar, de forma simples e breve, a história de um amigo nosso, o sr. Álvaro, que morreu há tantas décadas, mas cuja memória ficará para a eternidade.

Bem-aventurado Álvaro Santos Cejudo (1880-1936)

Sr. Álvaro era um homem bom, casado com dona Maria, de modestas posses, maquinista de trem, pai de 7 filhos... Bem, ele perdeu 3, que morreram cedo. Tinha 4... Desses 4, 2 se tornaram monjas.

Sr. Álvaro cumpria bem seus deveres na ferrovia e era admirado pelos colegas de trabalho. Havia, é claro, aqueles mais desrespeitosos, mais hostis, que o chamavam de "beato", que diziam que ele só sabia "ouvir missa", talvez porque Sr. Álvaro rezava seu terço, defendia a religião, tinha costumes profundamente religiosos e era membro de um grupo de Adoração Noturna, onde cumpria seu dever mesmo sem jantar quando saía tarde do trabalho.

Sr. Álvaro falava da fé aos outros e não tinha respeito humano. Cuidava bem da esposa, sobretudo quando esta adoeceu ao ponto de deixá-lo viúvo quando ele tinha 51 anos... Era preocupado com o futuro moral dos filhos, zelava por eles.

Acontece que naquele tempo, os longínquos anos 30 da Espanha, aquela não era a melhor época para ser bom cristão e bom cidadão... Ou era, na verdade! Dizem que naqueles dias era preciso muita valentia para mostrar-se católico.

Sr. Álvaro estava passando dos limites falando de Deus, de Igreja e - grande crime! - tendo duas filhas monjas! Colegas de trabalho falaram dele ao "Comitê" e ele foi preso no dia 02 de agosto de 1936.

Ficou no cárcere até o dia 17 de setembro, suportando a prisão com muita paciência, quando foi enviado para uma igreja transformada em prisão, a igreja por ele frequentada tantas vezes.

No mesmo dia, à noite, levaram-no para um cemitério e lá foi fuzilado. Há o rumor de que morreu gritando, como tantos outros naqueles sangrentos anos, "Viva Cristo Rei". Isto aconteceu há exatos 84 anos.

Assim viveu e morreu Sr. Álvaro, ou melhor, o Bem-aventurado Álvaro Santos Cejudo, mártir, "homem bom, cristão exemplar, extraordinário esposo e pai de família, trabalhador honrado, que tudo pôde nAquele que nos fortalece", como diz uma breve biografia aludindo à frase de São Paulo que ele tanto gostava de repetir.

Foi beatificado durante o pontificado do Papa Bento XVI em 2007. O Martirológio Romano, hoje, elogia-o com estas palavras, depois de outros dois mártires também espanhóis:

Em Alcácer de San Juan, perto de Ciudad Real, na Espanha, o Beato Álvaro Santos Cejudo, mártir, que, sendo pai de família, durante a mesma perseguição foi recebido na glória do Senhor.

Eis aí um exemplo de virtudes que são tão necessárias a nós, leigos, nos dias de hoje. 

Bem-aventurado Álvaro Santos Cejudo, rogai por nós!


Referências:

https://es.catholic.net/op/articulos/63300/lvaro-santos-cejudo-beato.html#modal

https://web.archive.org/web/20141220030002/http://trinitarios.es/sites/trinitarios.es/files/entre_palmas_y_olivos._aliaga.pdf

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