sábado, 16 de outubro de 2010

Oportet vivere

Pax et bonum!

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É PRECISO VIVER

Chegamos, amados, à última etapa ou perspectiva do Mistério Eucarístico, nessa série de textos pelos quais desejamos aprofundar aquilo que foi celebrado no II Congresso Eucarístico Arquidiocesano.
A Liturgia é simultaneamente a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força”, reza o Concílio Vaticano II. Eis a razão pela qual não podemos separar os três aspectos da fé, da celebração e da vivência.
Sabemos que os Sacramentos “alimentam, fortificam e exprimem” a fé, como reza ainda o Concílio. Esta é a razão pela qual começamos pela fé e passamos para a celebração a fim de chegarmos à prática. É igualmente um “amor sólido, prático” que se pede numa muito conhecida oração atribuída a São Padre Pio de Pietrelcina, santo de uma vida eucarística totalmente admirável.
O “viver” é uma resposta à graça de Deus doada e é o culto genuíno que oferecemos no altar do coração, no cotidiano, no ordinário da vida, “sendo o essencial da religião imitar aquele que adoras”, como diz Santo Agostinho. Ora, é-nos muito familiar a afirmação de São Tiago: “Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2,26).
Na quinta-feira santa o Senhor lavou os pés aos apóstolos e disse: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós” (Jo 13,15). Na Liturgia compreendemos que este exemplo abrange muito mais do que o lava-pés. Toda a nossa vida deve se espelhar na vida do Redentor. Por isso, não são apenas as orações da Liturgia que devem ser feitas em nome de Cristo, mas “tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Cl 3,17).
É necessário, com efeito, viver sempre em Cristo, dedicar-se todo a ele, a fim de que nele, com ele e por ele, se dê glória ao Pai”, relembra-nos Pio XII na Encíclica Mediator Dei. Isso é possível através de tudo quanto assimilamos da vida do Redentor, na nossa, pela Divina Eucaristia.
O mundo deve reconhecer-nos como cristãos pela fé que professamos, pelo culto que prestamos e pela vida irrepreensível que devemos ter aos olhos de Deus e dos homens.
Glória ao mesmo Cristo do Céu, da Virgem e do Sacrário!

Luís Augusto Rodrigues Domingues (publicado na edição nº 163, de 17/10/2010)

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