domingo, 2 de dezembro de 2012

"Sinais"



Começa um novo Ano Litúrgico, sem festa, sem foguetes, sem Reveillon. Reinicia-se, sóbrio, silencioso, o ciclo em que entramos em contato com os mistérios da vida de nosso Redentor.
No mundo, os homens olham para o céu, para os sinais do “tempo”. Em menos de um mês, uma metade do planeta entrará no inverno e a outra no verão.
Na natureza, o que temos visto ultimamente por aqui foi a florada do ipê (de julho a setembro), a entrada do período mais quente e seco do ano, a florada do flamboyant (de outubro a dezembro) e as “promessas” de chuvas (que nos meados e no fim de novembro já me trazem o tempo do Advento à mente).
Quando o Senhor veio visitar o mundo (bem como quando vier novamente), o mundo estava árido, sedento, como nossos sertões têm estado. E assim como os homens, as plantas e os animais esperam a chuva, o Tempo do Advento põe em nossas bocas o lirismo da profecia de Isaías, como se fosse um refrão a permear as quatro semanas deste tempo: “Que os céus, das alturas, derramem o seu orvalho, que as nuvens façam chover a vitória; abra-se a terra e brote a felicidade e ao mesmo tempo faça germinar a justiça!” (Is 45,8).
O flamboyant, depois de ter se despido de sua folhagem, deu alegres vivas a Cristo Rei com suas flores laranjas [avermelhadas]... Esta árvore, fora de nossos templos, onde as flores serão usadas com grande modéstia durante este Tempo, estará nos apontando, assim como a cor rosa dos paramentos, que poderá ser usada no Terceiro Domingo do Advento, a alegria das solenidades futuras, e mais, a alegria de nossa esperança ao clamar: “Venha a nós o vosso Reino”, a alegria que deve haver em nossos corações ao dizer: “Vinde, Senhor Jesus”, pois sabemos que virá, “e o seu Reino não terá fim”!
Quanto às chuvas, que o refrigério delas, e a vida nova que, com fé em Deus, brotará nos sertões, nos recordem a nova história da humanidade, que se iniciou com a encarnação do Filho de Deus, bem como a nossa própria nova história, a partir de quando renascemos pelas águas do Batismo, mais ainda, cada corajoso reinício que fazemos quando renovamos a consciência de nossa vocação à santidade, esta caminhada rumo àquele que veio, que vem e que virá.
Veni, Dómine Iesu - Vinde, Senhor Jesus!

Por Luís Augusto - membro da ARS

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