sexta-feira, 26 de abril de 2013

"Só teremos a nos enriquecer..." - testemunho de um padre sobre o Summorum Pontificum

Pax et bonum!

Tendo recebido permissão do autor, embora eu ainda esteja esperando uma outra comunicação, decidi publicar a seguinte homilia, transcrita, de um presbítero dos Estados Unidos. Ela data de 2007, ano da publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum.
Interessante a abordagem do tema, feita pelo pároco aos seus paroquianos. O fato de tratar do documento foi amplamente enriquecido pelo testemunho pessoal do presbítero, que achei salutar, como o testemunho postado anteriormente, para animar sobretudo os padres jovens a conhecer, aprenderem e celebrarem a Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano.
Confesso que achei alguns trechos não muito claros e, por conta disso, podem haver imprecisões na tradução.
Notifiquem-nos de qualquer imprecisão e equívoco. De já agradecemos.
[Os grifos são nossos.]

***

Homilia sobre a Missa Latina - 1
O autor, Pe. Anthony Brankin
Por Pe. Anthony Brankin,
Pároco da Paróquia Saint Odilo, Berwyn, Illinois,
da Arquidiocese de Chicago, Estados Unidos da América.
Traduzido por Luís Augusto Rodrigues Domingues.

Vocês devem ter visto recentemente nos jornais que o Papa Bento XVI promulgou um documento sobre a Antiga Missa Latina. Em poucas palavras, o Papa está decretando que esta Missa está novamente disponível para os padres, o povo e as paróquias que a desejarem. Ele não está pedindo que todos nós tenhamos que voltar à Missa Antiga. Apenas está dizendo que esta Missa é tão bela que suas riquezas deveriam estar abertas a todo o mundo e não mais perdidas.
Eu fui privilegiado por poder rezar esta Missa quase toda semana por cerca de dez anos na minha última função. E para dizer a verdade, eu aprendi muito - inclusive como celebrar mais adequadamente a Missa comum em inglês.
Eu aprendi que isso [N.T.: a "questão" da Missa] atualmente tem muito pouco a ver com o latim - porque a maior parte é recitada em voz baixa ou cantada. Tem muito pouco a ver com a idade da assembleia - vi que metade da assembleia que ia para esta Missa era muito jovem para tê-la ao menos visto antes [N.T.: o alegado caso da nostalgia]. Lembro de uma jovem que foi pela primeira vez e sua reação foi "Fantástico".
Todavia, eu lembro de quando fomos solicitados pelo Cardeal Bernardin para começar a providenciar a Antiga Missa Latina para Southside. Levou pelo menos três meses de preparação. Lembro de ter procurado e adquirido as velhas sacras, os castiçais adequados, os paramentos e livros corretos, treinado e preparado os coroinhas para um ritual que nunca tinham visto antes.
E isso não era tudo, porque eu tive que aprender a celebrar a Missa toda novamente - só que desta vez no estilo Latino. Eu praticava três ou quatro vezes por dia - uma missa-seca. Praticava até na mesa de jantar. Eu tive que aprender, estudar e memorizar cada novo sinal da cruz e genuflexão - e há bem mais destes do que na Missa em inglês.
Tive que aprender novos cantos, nova notação, nova língua. Há voltas e passos que você tem que fazer - deste jeito e não daquele jeito. Seus braços devem ficar a esta distância e não mais. Há três tipos de vozes - normal, baixo e silencioso. Nada é deixado à escolha, nada é deixado ao estilo ou à criatividade do celebrante, porque se algo está claro quanto à maneira de celebrar a Missa é que esta é a maneira e não outra - é que a Missa não tem a ver com o padre e sua personalidade sempre agitada ou mesmo com o povo. Tem a ver com Jesus. E todos os pequenos personalismos que nós padres tendemos a fazer só distraem. Se há algo que você aprende, enquanto aprende a celebrar a Missa Latina, é que ela é uma oração séria.
E nervoso como nunca estive - mas não tão nervoso - percebi que, tudo sendo feito corretamente, com os "i"s e "t"s pronunciados direito, esta incrível saída de tudo a que crescemos tão acostumados nas últimas três décadas teria êxito - ou pelo menos não seríamos linchados por paroquianos furiosos.
No momento em que eu tinha acabado de celebrar minha primeira Missa Latina, eu estava assustado. Eu não sei o que eu estava esperando, mas eu disse para mim mesmo: "Isso foi realmente bonito! Que oração maravilhosa! Que textos belos! Que orações, gestos e movimentos dignos!"
O que me assustou foi a impressão que a elite litúrgica deixou em todos os anos desde a década de 60, de que mesmo o anseio mais suave de ver a Missa antiga novamente, a menor curiosidade sobre ela, era algo obscuro, doentio e espiritualmente corrupto.
Se eu tivesse ao menos murmurado uma palavra, no meu seminário, de que eu era curioso sobre a Missa antiga, realmente acho que teriam me jogado fora - porque essa coisa de Missa Latina era uma religião fora da lei. Quando vocês pensarem em como era difícil conseguir permissão para celebrar esta Missa, vocês podem ter pensado como se estivessem a pedir para matar galinhas sobre o altar.
Eis por que é tão maravilhoso ler este documento, porque Sua Santidade está nos dizendo que esta Missa Latina tem seu lugar na Igreja - bem ao lado da nova -, que cada forma de celebrar a Missa informará e edificará a outra, e nós, os membros da Igreja, só teremos a nos enriquecer com isso.
Fiquem atentos.

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