domingo, 29 de novembro de 2015

"Donde há de vir julgar os vivos e os mortos"...



Jesus Cristo honra e engrandece a sua Igreja com três importantes ministérios: de Redentor, de Protetor e de Juiz.
(...), já sabemos que ele remiu o gênero humano pela sua Paixão e Morte, e que pela Ascensão se tornou o perpétuo advogado e defensor de nossa causa. (...) só resta explicar a sua função de juiz. (...) Cristo Nosso Senhor, naquele dia supremo, há de julgar todo o gênero humano.
As Sagradas Escrituras atestam que são duas as vindas do Filho de Deus. A primeira foi quando assumiu carne, para nos salvar, e se fez homem no seio da Virgem; a segunda será, quando vier para julgar todos os homens, na consumação dos séculos.
Nas Escrituras, esta segunda vinda se chama "Dia do Senhor", do qual diz o Apóstolo: "O dia do Senhor há de vir cmo o ladrão de noite". "Aquele dia, porém, e aquela hora, ninguém os conhece" - declara o próprio Salvador. (...)
Se desde o início do mundo, todos ansiavam por aquele primeiro dia em que o Senhor se revestiu de nossa carne, porquanto nesse mistério havia a esperança de seu resgate, também agora devemos - depois da Morte e Ascensão do Filho de Deus - suspirar ardentemente pelo segundo Dia do Senhor, "aguardando a ditosa esperança e o aparecimento da glória do grande Deus". (...)
A primeira ocasião [em que todo homem deve comparecer na presença do Senhor] é o momento em que cada um de nós deixa este mundo; a alma é levada incontinenti ao tribunal de Deus, onde se examina com a máxima justeza tudo o que o homem (...) fez, disse e pensou em sua vida.
É o que chamamos Juízo Particular.
A segunda ocasião, porém, há de ser quando todos os homens terão de comparecer juntos, no mesmo dia e no mesmo lugar, perante o tribunal do juiz, para que, na presenã de todos os homens de todos os séculos, cada um venha a saber a sentença, que a seu respeito foi lavrada.
Para os ímpios e malvados, esta declaração de sentença não constituirá a menos parte de suas penas e castigos; ao passo que os virtuosos e justos nela terão uma boa parte de sua alegria e galardão. Naquele instante, serã pois revelado o que foi cada indivíduo, durante a sua vida mortal.
Este Juízo se chama universal. (...)
Ensinam as Sagradas Escrituras que a Cristo Nosso Senhor foi entregue o julgamento, não só enquanto Deus, mas também enquanto Homem. Ainda que o poder de julgar é comum a todas as Pessoas da Santíssima Trindade, contudo o atribuímos ao Filho de modo particular, por dizermos que lhe compete também a sabedoria. Uma declaração do Senhor confirma que ele, enquanto Homem, há de julgar o mundo: "Assim cmo o Pai tem a vida em si mesmo, assim concedeu também ao Filho ter a vida em si mesmo; conferiu-lhe o poder de julgar, porque é o Filho do Homem".
Fica muito bbem que esse juízo seja efetuado por Cristo Nosso Senhor. Já qu eos julgados são homens, ser-lhes-á possível vez o juiz com os olhos corporais, e com os próprios ouvidos escutar a sentença que lhes for lavrada, e pelos sentidos chegar ao perfeito conhecimento da ação judicial.
De mais a mais, era de suma justiça que aquele Homem, que fora condenado pela mais iníqua das sentenças humanas, tomasse assento à vista de todos, para julgar todos os homens. Por isso é que, depois de expor, em casa de Cornélio, os pontos capitais da religião cristã; depois de ensinar que Cristo fora crucificado e morte pelos judeus, mas que ao terceiro dia havia ressurgido: - o Príncipe dos Apóstolos não deixou de acrescentar: "E deu-nos ordem de pregar ao povo, e testemunhar que ele foi por Deus constituído Juiz dos vivos e dos mortos". (...)
São estas as verdades que os pastores devem, muitas vezes, inculcar aos ouvidos do povo cristão. Quando aceita, com espírito de fé, a verdade que vai neste Artigo, ela tem grande virtude para refrear as depravações da alma, e para arredar os homens do pecado. (...)
Na verdade, dificilmente alguém se arrojará em pecados, com tanta cegueira, que não seja de novo atraído por amor à virtude, em se lembrando que um dia dará contas a um juiz de suma justiça, não só de todas as suas ações e palavras, mas até dos mais ocultos pensamentos; que terá de satisfazer pelas penas que merecidamente tiver incorrido.
De sua parte, ainda que a vida lhe decorra em privações, calúnias e sofrimentos, pode o justo afervorar-se cada vez mais na prática da virtude, e dar largas à sua alegria, quando se lembra daquele dia em que, após as lutas desta vida laboriosa, será aclamado vencedor na presença de todos os homens, e recebido na Pátria Celestial, onde Deus lhe dará o quinhão das honras eternas.
Só resta, pois, que os fiéis sejam exortados a procurarem uma santa maneira de viver, a adestrarem-se em todas as obras de piedade. Isto lhes permitirá aguardar, com maior firmeza de ânimo, o grande Dia do Senhor que está próximo; e almejar, até, a sua Vinda com o mais vivo amor e empenho, como convém a filhos [de Deus].

Trechos do Catecismo Romano (tradução de Fr. Leopoldo Martins Pires, OFM, de 1951, Editora Vozes), Capítulo Oitavo, sobre o Sétimo Artigo do Símbolo

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