11 anos da ARS; Programa de Ação para um Apostolado Litúrgico, por Dom Gaspar Lefebvre

Pax et bonum!
Salve Regina!

Caros amigos, neste 14 de janeiro de 2020 a ARS - Associação Redemptionis Sacramentum comemora 11 anos de existência. Muita coisa mudou daquele 2009 para cá.
A "tradição litúrgica latina" (termo amplo utilizado por São João Paulo II na Carta Ecclesia Dei) foi ganhando sempre mais espaço entre os fiéis, sobretudo entre os mais jovens. Os motivos são particularmente os mesmos expostos por Bento XVI na Carta aos Bispos que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum
Muitas pessoas (...) desejavam contudo reaver também a forma, que lhes era cara, da sagrada Liturgia; isto sucedeu antes de mais porque, em muitos lugares, se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável. Falo por experiência, porque também eu vivi aquele período com todas as suas expectativas e confusões. E vi como foram profundamente feridas, pelas deformações arbitrárias da Liturgia, pessoas que estavam totalmente radicadas na fé da Igreja.
O próprio Papa Bento XVI de certa impulsionava, com a palavra e o exemplo, desde antes de seu Pontificado, o que se chamou de um "novo movimento litúrgico". Foi naquele contexto que a ARS nasceu, como tantos outros coetus fidelium, quase sempre objetivando também a celebração da Santa Missa na hoje chamada Forma Extraordinária do Rito Romano. Foi naquele contexto que muitos de nós [re]encontramos, [re]descobrimos a beleza da Liturgia e seus fins.
Para marcar este dia, gostaríamos de compartilhar a proposta que Dom Gaspar Lefebvre, OSB fez de um programa de ação para o apostolado litúrgico, no final (pág. 262 a 265) de sua obra LITURGIA - Princípios Fundamentais (tradução portuguesa de Dom Antônio Coelho, OSB, 2a edição, Braga, 1939). Foi mais ou menos neste mesmo espírito que fizemos a ARS nascer.

Somos gratos a Deus pelo que temos conseguido até aqui, seja pelas ações que a ARS diretamente já realizou, pelas postagens no blog e pelo apoio financeiro que conseguimos dar às celebrações encabeçadas pelo Apostolado Alma Redemptoris Mater.
Rezem por nós, rezem pela Paróquia Nossa Senhora do Amparo, rezem pela Arquidiocese de Teresina.
In Deo faciemus virtutem (Com Deus faremos prodígios). (Salmo 60,13)

APOSTOLADO LITÚRGICO

I. Fim

"Restaurar em Cristo" a sociedade cristã, fazendo-a:
1 - Glorificar a Deus pelo exercício, digno e consciente, do culto oficial que lhe é devido.
2 - Santificar-se a si mesma pela participação ativa na Liturgia que é, conforme diz Pio X, "a origem primária e indispensável do verdadeiro espírito cristão".

II. Meios de ação

Os membros do apostolado litúrgico procurarão:
1 - Ter como termo último e constante do culto as três augustas Pessoas da Santíssima Trindade, lembrando-se que diante delas todos os Santos, todos os Anjos, Maria, sua Rainha, e até a Humanidade de Jesus, estão abismados em adoração.
2 - Adorar a Deus Pai, princípio da Santíssima Trindade, pela mediação de Jesus Cristo Pontífice Supremo (presente na Eucaristia) e sob a moção da graça do Espírito Santo.
3 - Servir-se, nas suas orações, da mediação sacerdotal da Hierarquia católica, cujos membros são os ministros do culto oficial. Gostarão, pois, de orar em união com o Papa, com o Bispo e especialmente com o Pároco. Respeitarão, publicamente e em todos os lugares, os representantes do clero.
4 - Frequentar, se comodamente puderem, a igreja catedral ou paroquial para receberem o pão da doutrina e o pão eucarístico da mão do pároco ou dos que o substituem. Saudarão respeitosamente os templos em que Jesus reside no Santíssimo Sacramento, e gostarão de trabalhar no adorno da igreja que os viu nascer à vida divina.
5 - Fazer do santo sacrifício da missa o centro da sua vida espiritual; assistindo a ela, se for possível, diariamente, e unindo os seus sofrimentos de cada dia aos de Jesus no Calvário. Ao domingo assistirão de preferência à missa solene cantada.
6 - Comungar muitas vezes e especialmente aos domingos e dias de festa. Servir-se-ão da missa como preparação, primeiramente para oferecer a Deus o sangue de Jesus que nos reconcilia, depois para receber de Deus o ósculo da paz e as suas graças na comunhão.
7 - Estimar cada vez mais os Sacramentos, que a Igreja põe à disposição de todos os seus filhos no decorrer da vida, e preparar-se sempre para os receber duma maneira digna e séria.
8 - Usar frequentemente dos Sacramentais, de que a Igreja se serve no culto: a água, as velas, a cinza, os ramos, o Pai Nosso, a Confissão, etc. Procurarão aprofundar sempre mais o sentido das cerimônias e dos ritos relativos à missa e aos sacramentos. Para isso ser-lhes-ão úteis os sermões e as homilias.
9 - Assistir a qualquer parte do Ofício canônico, sobretudo a Vésperas e a Completas do domingo, a que procurarão restituir o seu antigo resplendor.
10 - Ordenar a sua piedade, até a particular, - como por exemplo a meditação quotidiana - pelos aniversários da vida de Cristo celebrados no calendário, para se encherem, no decurso do espírito de cada tempo litúrgico: Advento, Natal, etc. Unirão a sua vida à da Igreja no culto, celebrando com ela as vigílias, as oitavas, as Rogações, as missas das férias da Quaresma, as bênçãos das velas, da cinza, dos ramos, etc.
11 - Observar no culto dos Santos a hierarquia estabelecida por Pio X na reforma do Breviário, e que consiste em honrar, depois da santa humanidade de Jesus, a Santíssima Virgem, os Santos Anjos, São João Batista, São José, os Santos Apóstolos, etc.
12 - Tomar, na medida do possível, parte ativa nas orações públicas da Igreja pela recitação dos textos litúrgicos e especialmente pelo canto, sobretudo pelo canto gregoriano, que é o canto oficial da Igreja. Formar-se-ão nas escolas gregorianas que o Motu Proprio manda estabelecer.
13 - Utilizar de preferência as fórmulas da oração da Igreja, contidas no Breviário e especialmente no Missal, que será o seu principal livro de piedade.

III. Resultados

Estão indicados, pode dizer-se, nas animadoras palavras dirigidas por Sua Santidade Bento XV aos organizadores do Congresso Litúrgico de Montserrat na Espanha, em Julho de 1915:
"Difundir entre os fiéis um conhecimento exato da Liturgia; infundir em seus corações o gosto sagrado das fórmulas, dos ritos, dos cantos pelos quais, em união com a sua Mãe comum, prestam o culto a Deus; atraí-los a uma participação ativa nos santos mistérios e festas eclesiásticas; tudo isto deve servir admiravelmente para aproximar o povo do sacerdote, reconduzi-lo à Igreja, nutrir a piedade, consolidar a fé e melhorar a vida".

Assim,
pela Liturgia,
com a Liturgia,
e na Liturgia,
os cristãos irão,
por Jesus e a Igreja,
com Jesus e a Igreja,
em Jesus e na Igreja,
no Espírito Santo,
ao Pai,
ao qual seja dada
toda a honra e glória,
por todos os séculos dos séculos. Amém.

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