quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Festa da Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria



O mais antigo documento comemorando esta festa vem do séc. VI. São Romano, o grande lirista eclesiástico da Igreja Grega, compôs um hino (Card. Pitra, "Hymnographia Græca", Paris, 1876, 199) o qual é uma redação poética do Evangelho Apócrifo de São Tiago. São Romano era natural de Emesa, na Síria, diácono de Berytus e depois na igreja Blachernæ em Constantinopla, e compôs seu hino entre 536~556 (P. Maas em "Byzant. Zeitschrift", 1906). A festa deve ter se originado na Síriaou na Palestina no começo do séc. VI, quando depois do Concílio de Éfeso, sob influência dos "Apócrifos", o culto da Mãe de Deus se intensificou grandemente, especialmente na Síria. Santo André de Creta, no começo do séc. VIII, pregou vários sermões sobre esta festa (Lucius-Anrich, "Anfäge des Heiligenkultus", Tübingen, 1906, 468). Procura-se evidências para mostrar por que o dia 8 de setembro foi escolhido para esta data. A Igreja de Roma adotou-a do Oriente no séc. VII. É encontrada nos Sacramentários Gelasiano (séc. VII) e Gregoriano (séc. VIII a IX). Sérgio I (687~701) prescreveu uma ladainha e uma procissão para esta festa (P.L. cxxviii, 897 ss.). Desde que a história da Natividade de Maria é conhecida apenas de fontes apócrifas, a Igreja Latina foi lenta em aceitar a festa oriental. Ela não aparece em vários calendários que contém a Assunção, por exemplo o Goto-galicano, o de Luxeuil, o Calendário Toledano do séc. X e o Calendário Mozarábico. A Igreja de Angers, na França, clama que São Maurílio instituiu esta festa em Angers por causa de uma revelação, por volta de 430. Na noite de 8 de setembro, um homem ouviu anjos cantando no céu e, perguntando a razão, contaram-lhe que se alegravam porque a Virgem tinha nascido naquela noite (La fête angevine N.D. de France, IV, Paris, 1864, 188); mas esta tradição não está substanciada por provas históricas. A festa é encontrada no calendário de Sonnatius, Bispo de Reims, 614~631 (Kellner, Heortologia, 21). Ainda assim não se pode dizer que tenha sido celebrada, de modo geral, nos séc. VIII e IX. São Fulberto, Bispo de Chartres (+1028), fala dela como de uma instituição recente (P. L., cxli, 320, ss.); os três sermões que ele escreveu são os mais antigos sermões latinos genuínos sobre esta festividade (Kellner, "Heortologia", Londres, 1908, 230). A oitava foi instituída por Inocêncio IV (1243) em concordância com um voto feito pelos cardeais no conclave do outono de 1241, quando foram mantidos prisioneiros por Frederico II por três meses. Na Igreja Grega a apodosis (solução) da festa tem lugar a 12 de setembro, em conta da festa e da solenidade da Exaltação da Cruz, a 13 e 14 de setembro. Os coptas, no Egito, e os abissínios celebram a Natividade de Maria a 1º de maio, e continuam esta festa sob o nome de "Semente de Jacó" por 33 dias (Anal. Juris Pont., xxi, 403); ele também a comemoram no dia primeiro de cada mês (priv. letter from P. Baeteman, C.M., Alikiena). Os coptas católicos adotaram a festa grega, mas a guardam a 10 de setembro (Nilles, "Kal. Man.", II, 696, 706).

Fonte: Feast of the Nativity of the Blessed Virgin Mary. In The Catholic Encyclopedia.

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

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