sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Raptor de Almas



São Josafá

Pax et bonum!

Passada já a conclusão da Assembleia Especial para o Oriente Médio, do Sínodo dos Bispos (10~24/10), celebramos hoje a memória de São Josafá. Tomemos o dia de hoje como um dia especial para implorar a Deus a unidade dos cristãos.

Nasceu em Wolodymyr, na Volynia (Ucrânia), em 1580, de pais ortodoxos, e é recordado como símbolo de uma Rússia ferida pelas lutas entre ortodoxos e uniatas. A diocese de Polock se encontrava na Rutênia, região que da Rússia passou em parte para o domínio do Rei da Polônia, Sigismundo III. A fé dos Polacos era católica romana, na Rutênia, pelo contrário, como no resto da Rússia, os fiéis pertenciam à Igreja Greco-Ortodoxa. Tentou-se uma união da Igreja grega com a latina. Manter-se-iam os ritos e sacerdotes ortodoxos, mas se restabeleceria a comunhão com Roma. Esta Igreja, dita "uniata", encontrou a aprovação do Rei da Polônia e do Papa Clemente VIII. Todavia, os ortodoxos acusavam de traição os uniatas, que não eram bem aceitos mesmo por católicos latinos. João Kuncevitz, que toma o nome de Josafá, foi o grande defensor da Igreja uniata. Aos 20 anos foi recebido entre os monges basilianos. Monge, prior, abade e finalmente arcebispo de Polock, empreendeu uma reforma dos costumes monásticos da região rutena, favorecendo assim a Igreja uniata. Mas em 1623, por causa de sua obra foi surpreendido por um grupo de ortodoxos que o assassinaram.

São Josafá, "mártir da unidade", foi apelidado por seus perseguidores de "raptor de almas", por pregar o amor à Sé de Pedro e conduzir muitos para a comunhão com a Igreja Católica Apostólica Romana. Infelizmente dizem hoje que a questão da igreja uniata tem perturbações políticas; falam de proselitismo e dizem que tem atrapalhado o diálogo entre Roma e o patriarcado de Moscou.

Diante de tantas coisas, cremos na santidade do intento deste santo pastor e pedimos a Deus que suscite novos pastores e fiéis desejosos da verdadeira unidade dos cristãos, que não se trata simplesmente de misturar pessoas, dogmas e práticas em diálogos superficiais, que não são realizados plenamente na caridade e na verdade.

Rezemos (as 6 Orações do Dia, das Missas pela Unidade dos Cristãos, do Missal Romano de 2002):

- Omnípotens sempitérne Deus, qui dispérsa cóngregas et congregáta consérvas, ad gregem Fílii tui placátus inténde, ut, quos unum sacrávit baptísma, eos et fídei iungat intégritas, et vínculum sóciet caritátis.
- Súpplices te rogámus, amátor hóminum, Dómine: pleniórem Spíritus tui grátiam super nos effúnde benígnus, et præsta, ut, digne qua nos vocásti vocatióne ambulántes, testimónium veritátis exhibeámus homínibus, et ómnium credéntium unitátem in vínculo pacis fidéntes inquirámus.
- Deus, qui diversitátem géntium in confessióne tui nóminis adunásti, da nobis et velle et posse quæ præcipis, ut pópulo ad regnum tuum vocáto una sit fides méntium et píetas actiónum.
- Preces pópuli tui, quæsumus, Dómine, placátus inténde, et præsta, ut fidélium corda in tua laude et commúni pæniténtia iungántur, quátenus, christianórum divisióne subláta, in perfécta Ecclésiæ communióne ad ætérnum tuum regnum properémus lætántes.
- Pópulum tuum, quæsumus, Dómine, propítius réspice, et Spíritus tui super ipsum dona cleménter effúnde, ut in veritátis iúgiter amóre succréscat, et perféctam christianórum unitátem stúdio perquírat et ópere.
- Ubertátem misericordiárum tuárum, Dómine, revéla super nos et, in virtúte Spíritus tui, christianórum divisiónes rémove, ut Ecclésia tua signum inter natiónes elevátum clárius appáreat, et mundus, tuo Spíritu illustrátus, in Christum credat quem misísti.

(Deus eterno e todo-poderoso, que reunis o que estava disperso e conservais o que está unido, atendei propício o rebanho de vosso Filho, para que os consagrados através do mesmo batismo sejam unidos pela integridade da mesma fé e pelo vínculo da caridade.)
(Suplicantes vos rogamos, Senhor, que amais os seres humanos: derramai, benigno, a plenitude da graça do vosso Espírito sobre nós e fazei que, perseverando dignamente na vocação que nos destes, possamos dar testemunho da verdade aos homens e procuremos confiantes a unidade de todos os crentes no vínculo da paz.)
(Ó Deus, que reunistes a diversidade dos povos na confissão do vosso nome, dai-nos desejar e possuir o que nos prometeis, para que haja a mesma fé nos corações e a mesma piedade nas ações do povo chamado ao vosso reino.)
(Atendei propício, Senhor, nós vos pedimos, as preces do vosso povo e fazei que os corações dos vossos fiéis se reúnam no vosso louvor e na penitência e, superada a divisão entre os cristãos, corramos com alegria, na perfeita comunhão da Igreja, rumo ao vosso reino eterno.)
(Olhai, Senhor, para o vosso povo, nós vos pedimos, e com clemência derramai sobre ele os dons do vosso Espírito, para que cresça continuamente no amor à verdade e procure com zelo e pelas obras a perfeita unidade dos cristãos.)
(Mostrai-nos, Senhor, a fecundidade das vossas misericórdias e, pela força do vosso Espírito, desfazei as divisões entre os cristãos, para que vossa Igreja apareça mais claramente como sinal elevado entre as nações e o mundo, iluminado pelo vosso Espírito, creia no Cristo que enviastes.)


Papa Bento XVI e o Patriarca de Constantinopla Bartolomeu I


Papa Bento XVI e o Patriarca de Constantinopla Bartolomeu I


Papa Bento XVI e o Patriarca de Moscou Cirilo I

Papa Bento XVI e o Patriarca de Moscou Cirilo I

Por Luís Augusto - membro da ARS

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