sábado, 2 de janeiro de 2016

Práticas durante o Natal, dos escritos do Servo de Deus Dom Guéranger

Pax et bonum!
Feliz Natal do Senhor Jesus Cristo!
Feliz ano civil novo!

Estamos no dia 2 de janeiro, um dia após a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e um dia antes da Solenidade da Epifania do Senhor (aqui no Brasil, celebrada no domingo entre os dias 2 e 8).
Seguindo o passo dado no Advento, quando publicamos trechos do obra "O Ano Litúrgico", do Servo de Deus Dom Prosper Guéranger, grande luzeiro recente dentre os filhos de São Bento, fazemos o mesmo escrevendo agora sobre o tempo do Natal.
Que seja, embora breve, uma proveitosa leitura para todos!

Práticas durante o Natal

Agora chegou o tempo da alma fiel colher os frutos dos esforços que ela fez durante as semanas penitenciais do Advento para preparar uma habitação para o Filho de Deus, que deseja nascer dentro dela. (...) Agora a Esposa é a Igreja; a Esposa é também cada alma fiel. Nosso Senhor dá-se todo a todo o rebanho, e a cada ovelha do rebanho com tanto amor como se só a ela amasse. Que adornos poremos nós, para irmos ao encontro do Noivo? Onde encontraremos pérolas e jóias com que enfeitar nossa alma para este feliz encontro? Nossa santa Mãe, a Igreja, conta-nos tudo isto em sua Liturgia. Nosso melhor plano para passar o Natal é, sem dúvida, estar próxima a ela, e fazer o que ela faz; pois ela é muito querida a Deus e, sendo nossa Mãe, devemos obedecer todas as suas prescrições.
Mas, antes de falarmos da mística Vinda do Verbo Encarnado dentro de nossas almas; antes de contarmos os segredos desta sublime familiaridade entre o Criador e a Criatura; aprendamos, primeiramente, da Igreja, os deveres que a natureza humana e cada uma de nossas almas tem para com o Divino Infante, que os Céus finalmente nos deram como o Orvalho refrescante que pedimos para chover sobre nossa terra. Durante o Advento, nós nos unimos aos Santos da Antiga Lei, rezando pela vinda do Messias, nosso Redentor; agora que ele veio, consideremos qual é a homenagem que lhe devemos tributar.
A Igreja oferece ao Infante-Deus, durante este santo tempo, o tributo de sua profunda adoração, o entusiasmo de sua excedente alegria, a retribuição de sua ilimitada gratidão e o afeto de seu intenso amor. Esta quatro ofertas, adoração, alegria, gratidão e amor, devem ser também as de todos os cristãos ao seu Jesus, seu Emanuel, o Bebê de Belém. As orações da Liturgia expressarão esses quatro sentimentos de um modo que nenhuma outra devoção poderia fazê-lo. (...)
O primeiro de nossos deveres junto à manjedoura do Salvador é Adoração. Adoração é o primeiro ato da Religião. (...)
Mas nossa Mãe, a Igreja, não apenas oferece ao Infante Deus o tributo de sua profunda adoração. O mistério do Emanuel, isto é, de Deus conosco, é para ela uma fonte de singular alegria. Vede os sublimes cânticos dela neste santo tempo, e encontrarei os dois sentimentos admiravelmente misturados - sua profunda reverência para seu Deus, e sua jubilosa alegria em seu Nascimento. (...)
Íntima e inseparavalmente unido a esta mística alegria está o sentimento de gratidão. (...)
Gratos, pois, recebamos o precioso dom - este Divino Bebê, nosso Libertador. Ele é o Filho Único do Pai, o Pai que tanto amou o mundo que nos deu seu filho único (Jo 3,16). (...) Ó dom inestimável! (...)
Nossa dívida, então nunca será paga? Não exatamente: podemos pagá-la com amor, que, embora finito, dá-se sem medida e pode crescer sempre mais em intensidade. (...)
Cristãos, imitemos nossa Mãe, e demos nossos corações ao nosso Emanuel! Os Pastores oferecem-lhe seus simples dons, os Magos trazem-lhe ricos presentes, e ninguém deve aparecer diante do Divino Infante sem algo digno de sua aceitação. Sabei, pois, que nada agradá-lo-á, a não ser aquilo que ele veio procurar - nosso amor. Foi para isto que desceu do céu. (...)
Estes, portanto, são os deveres que temos para com nosso Divino Mestre em sua primeira Vinda, que, como São Bernardo diz, é na carne e na fraqueza, e para a salvação, não para o juízo, do mundo.

Fonte: "The Liturgical Year", Vol. 2, Chapter III. Disponível em: www.liturgialatina.org/lityear/christmas/christmas3.htm

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