segunda-feira, 9 de abril de 2012

Semana Santa na Jerusalém do séc. IV - Sábado Santo e Tempo Pascal

Pax et bonum! Alleluia!

Fiéis na Anástasis, em torno da edícula (construída em torno do sepulcro propriamente dito),
com visão da rotunda (cúpula)
Com alegria, deixemos Etéria concluir o Tríduo Pascal como testemunhado em sua Peregrinação:

XXXVIII
1. [Sábado Santo] E, no dia seguinte, que é sábado, procede-se segundo o costume, tanto à terceira (=9h) como à sexta hora (=12h); à nona hora (=15h), porém, já não se faz como todos os sábados, mas preparam-se as vigílias pascais na igreja maior, isto é, no Martyrium. E as vigílias pascais fazem-se tal como as fazemos nós, exceto pelo que segue: os neófitos, batizados e vestidos logo que saem da fonte batismal, são conduzidos, primeiramente, à Anástasis junto com o bispo.
2. Atravessando este o gradil da Anástasis, dizem um hino e, a seguir, reza o bispo uma oração por eles e com eles se dirige à Igreja maior, na qual, de acordo com a tradição, todo o povo se mantém de vigília. Realizadas aí as cerimônias que são rituais também entre nós, após a Oblação, dispensa-se o povo. E após o ofício das vigílias na igreja maior, vem-se imediatamente entoando hinos, à Anástasis, onde, pela segunda vez, se lê o passo do evangelho referente à Ressurreição [Mt 28,1-20; Mc 16,1-20; Lc 24,1-52; Jo 20,1ss], faz-se uma prece e o bispo torna a oferecer o sacrifício; mas tudo se faz num instante por amor ao povo, para que se não demore por mais tempo; e logo ele é dispensado. A essa hora terminam as vigílias desse dia e essa hora é a mesma que entre nós.

XXXIX
1. [Páscoa] E esses dias de Páscoa são comemorados tarde tal como entre nós e se realizam ofícios, segundo o rito, durante os oito dias pascais, tal como se faz em qualquer lugar pela Páscoa, até a Oitava. A ornamentação e os adornos são aqui os mesmos nos oito dias da Páscoa e da Epifania, tanto na igreja maior quanto na Anástasis e na Crux (=Gólgota), ou no Eleona e em Belém, e no Lazarium e em toda parte, porque é Páscoa.
2. E, nesse primeiro dia, domingo, vai-se à igreja maior, isto é, ao Martyrium; e também na segunda e na terça-feira, de modo que sempre, entretanto, após o culto, se venha do Martyrium à Anástasis, entoando hinos. Na quarta-feira vai-se ao Eleona e na quinta à Anástasis; na sexta ao Sion, no sábado ao ante Crucem e no domingo, isto é, no oitavo dia, novamente à igreja maior, quero dizer, ao Martyrium.
3. E, nesses oito dias pascais, diariamente, após o almoço, o bispo, acompanhado de todo o clero e de todos os neófitos - estes são os que foram batizados - e de todos os ascetas, homens e mulheres, e também de todos aqueles que o queiram, dentre o povo, sobe ao Eleona. Recitam-se hinos, rezam-se orações, tanto na igreja situada no Eleona, onde se encontra a gruta na qual instruía o Senhor os seus discípulos, como também no Imbomon, isto é, no sítio do qual subiu o Senhor aos céus.
4. E depois que disseram os Salmos e fizeram a prece, descem daí até a Anástasis, entoando hinos, ao cair da tarde; isto fazem durante os oito dias. E, no domingo da Páscoa, após o Lucernare, o povo todo conduz o bispo da Anástasis a Sion, entoado hinos.
5. Aí chegando, recitam hinos apropriados ao dia e ao lugar, dizem uma oração e lêem o passo do evangelho segundo o qual, o Senhor, nesse dia, entrou com as portas fechadas nesse mesmo lugar onde agora se ergue, em Sion, a igreja e veio ter com os seus discípulos no momento em que um dos discípulos, Tomé, não estava presente; e voltando este, e dizendo-lhe os outros apóstolos que tinham visto o Senhor, respondeu-lhes ele: "Não creio a menos que veja" [Jo 20,19-25]. Após a leitura desse texto, fazem uma nova prece, abençoam-se os catecúmenos e os fiéis, e voltam, já tarde, mais ou menos à segunda hora da noite, todos às suas casas.

XL
1. [Primeiro Domingo após a Páscoa] Na oitava da Páscoa, isto é,  no domingo imediatamente após a sexta hora (=12h), o povo todo sobe com o bispo ao Eleona; dirigem-se primeiro à igreja, por algum tempo aí permanecem recitando hinos, dizendo antífonas relativas ao dia e ao lugar e orações igualmente referentes ao dia e ao lugar. A seguir, entoando hinos, sobem daí ao Imbomon, onde procedem da mesma forma. E aproximando-se a hora, todo o povo e todos os ascetas acompanham o bispo, recitando hinos, até a Anástasis; e aí chegam à hora do Lucernare.
2. Celebra-se, pois, o Lucernare tanto na Anástasis quanto na Crux e daí, todo o povo, sem exceção, conduz o bispo a Sion. Chegando, dizem também hinos atinentes ao lugar e ao dia; lêem, pela segunda vez, o passo do evangelho segundo o qual, no oitavo dia após a Páscoa, entrou o Senhor no lugar onde se encontravam os seus discípulos e repreendeu Tomé por ter sido incrédulo [Jo 20,26-29]. E então, apenas termine a leitura de todo esse trecho, ergue-se uma prece e, depois de serem abençoados tanto os catecúmenos quanto os fiéis, de acordo com a tradição, voltam todos às suas casas, tal como no domingo da Páscoa, à segunda hora da noite (=19h).

XLI
1. E, da Páscoa até a Quinquagésima, isto é, Pentecostes, ninguém, aqui, absolutamente jejua, nem mesmo os ascetas. E nesses dias, assim como o ano todo, procede-se às comemorações tradicionais na Anástasis, do primeiro canto do galo até de manhã, e também à sexta hora e ao crepúsculo. E aos domingos, celebra-se o culto, segundo o hábito, no Martyrium, na igreja maior, e daí vão todos à Anástasis, entoando hinos. E na quarta-feira e na sexta-feira, visto que mesmo nesses dias ninguém, absolutamente, jejua, dirigem-se a Sion, mas pela manhã; e as cerimônias se realizam segundo o costume.

Por Luís Augusto - membro da ARS

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