sábado, 18 de abril de 2009

A Santa Missa no Missal Romano de Paulo VI

“A celebração da Missa [...] é o centro de toda a vida cristã tanto para a Igreja universal como local e também para cada um dos fiéis. Pois nela se encontra tanto o ápice da ação pela qual Deus santifica o mundo em Cristo, como o do Culto que os homens oferecem ao Pai, adorando-o pelo Cristo, Filho de Deus. [...] As demais ações sagradas e todas as atividades da vida cristã a ela estão ligadas, dela decorrendo ou a ela sendo ordenadas.” (IGMR 16)
ELEMENTOS GERAIS

“Os fiéis permaneçam de pé [1]
- do início do canto da entrada, ou enquanto o Sacerdote se aproxima do altar, até a oração do dia inclusive;
- ao canto do Aleluia antes do Evangelho;
- durante a proclamação do Evangelho;
- durante a profissão de fé e a oração universal;
- e do convite Orai, irmãos antes da oração sobre as oferendas até o fim da Missa, exceto nas partes citadas em seguida.
Sentem-se durante [1]
- as leituras antes do Evangelho e durante o salmo responsorial;
- durante a homilia e durante a preparação das oferendas;
- e, se for conveniente, enquanto se observa o silêncio sagrado após a Comunhão.
Ajoelhem-se [1]
- porém, durante da consagração, a não ser que, por motivo de saúde ou falta de espaço ou o grande número de presentes ou outras causas razoáveis não o permitam. Contudo, aqueles que não se ajoelham na consagração, façam inclinação profunda enquanto o Sacerdote faz genuflexão após a consagração.
Para se obter a uniformidade nos gestos e posições do corpo numa mesma celebração, obedeçam os fiéis aos avisos dados pelo diácono, por um ministro leigo ou pelo Sacerdote, de acordo com o que vem estabelecido no Missal. (IGMR 43)

RITO DA SANTA MISSA

Ritos Iniciais

1. Entrada:
“Reunido o povo, enquanto entra o Sacerdote com o diácono e os ministros, inicia-se o cântico de entrada. A finalidade deste cântico é dar início à celebração, favorecer a união dos fiéis reunidos e introduzi-los no mistério do tempo litúrgico ou da festa, e ao mesmo tempo acompanhar a procissão de entrada do Sacerdote e dos ministros.” (IGMR 47)
2. Saudação do altar e da assembléia:
“Chegados ao presbitério, o Sacerdote, o diácono e os ministros saúdam o altar com inclinação profunda. Em sinal de veneração, o Sacerdote e o diácono beijam então o altar; e, se for oportuno, o Sacerdote incensa a Cruz e o altar.” (IGMR 49) “Terminado o cântico de entrada, o sacerdote, de pé junto da cadeira, e toda a assembleia fazem sobre si próprios o sinal da Cruz”. (IGMR 50). Somente o Sacerdote diz: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Assim como somente os fiéis respondem: Amém. (Rubrica 2, MR)[2]
3. Ato penitencial:
“Em seguida, o Sacerdote convida ao ato penitencial, o qual, após uma breve pausa de silêncio, é feito por toda a comunidade com uma fórmula de confissão geral e termina com a absolvição do Sacerdote; esta absolvição, porém, carece da eficácia do sacramento da penitência. (IGMR 51)
O Missal Romano dispõe de três fórmulas para o ato penitencial[4] e não pode ser confundido com o kyrie, nem substituído por ele.

4.Kýrie, eleison:
“Depois do ato penitencial, diz-se sempre o Senhor, tende piedade de nós (Kýrie, eléison), a não ser que já tenha sido incluído no ato penitencial. É normalmente executado por todos, em forma alternada entre o povo e a schola ou um cantor.
Cada uma das aclamações diz-se normalmente duas vezes, o que não exclui, porém, um maior número, de acordo com a índole de cada língua, da arte musical ou das circunstâncias. Quando o Kýrie é cantado como parte do ato penitencial, cada aclamação é precedida de um ‘tropo’.” (IGMR 52).
5.Glória in excelsis:
“O Glória é um antiquíssimo e venerável hino com que a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto deste hino por outro. É começado pelo Sacerdote ou, se for oportuno, por um cantor, ou pela schola, e é cantado ou por todos em conjunto, ou pelo povo alternando com a schola, ou só pela schola. Se não é cantado, é recitado ou por todos em conjunto ou por dois coros alternadamente. Canta-se ou recita-se nos domingos fora do Advento e da Quaresma, bem como nas solenidades e festas, e em particulares celebrações mais solenes.” (IGMR 53)
6.Oração colecta:

Oração do coleta (= oração do dia) é a oração precedida pelo primeiro oremos que o Padre reza. “[...] o Sacerdote convida o povo à oração; e todos, juntamente com ele, se recolhem uns momentos em silêncio, [...].
– se é dirigida ao Pai: Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo [Per Dóminum nostrum Iesum Christum Fílium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti, Deus, per ómnia sáecula saeculórum];
– se é dirigido ao Pai, mas no fim é mencionado o Filho: Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo [Qui tecum vivit et regnat in unitate Spíritus Sancti, Deus, per omnia sáecula saeculórum];
– se é dirigido ao Filho: Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo [Qui vivis et regnas cum Deo Patre in unitate Spíritus Sancti, Deus, per omnia sáecula saeculórum].
O povo associa-se a esta súplica e faz sua a oração pela aclamação Amém [Amen].

Liturgia da Palavra

1. Leituras bíblicas:
"Durante a semana lê-se uma leitura, um salmo e o Evangelho. Não é lícito substituir as leituras e o salmo responsorial por outros textos não bíblicos.” (IGMR 57).
“Na celebração da Missa com o povo, as leituras proclamam-se sempre do ambão.” (IGMR 58).
“A leitura do Evangelho constitui o ponto culminante da Liturgia da Palavra. Deve ser-lhe atribuída a maior veneração.” (IGMR 60).
2. Salmo responsorial:
“O salmo responsorial corresponde a cada leitura e habitualmente toma-se do Lecionário. Convém que o salmo responsorial seja cantado, pelo menos no que se refere à resposta do povo. Em vez do salmo que vem indicado no Lecionário, também se pode cantar ou o responsório gradual tirado do Gradual Romano ou um salmo responsorial ou aleluiático do Gradual simples, na forma indicada nestes livros.” (IGMR 61).
3. Aclamação antes da leitura do Evangelho:
“Depois da leitura, que precede imediatamente o Evangelho, canta-se o Aleluia ou outro cântico, indicado pelas rubricas, conforme o tempo litúrgico.
a) O Aleluia canta-se em todos os tempos fora da Quaresma. Os versículos tomam-se do Lecionário ou do Gradual;
b) Na Quaresma, em vez do Aleluia canta-se o versículo antes do Evangelho que vem no Lecionário. Também se pode cantar outro salmo ou tracto, como se indica no Gradual.” (IGMR 62)
4. Homilia:
“A homilia é parte da Liturgia e muito recomendada: é um elemento necessário para alimentar a vida cristã. Deve ser a explanação de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou de algum texto do Ordinário ou do Próprio da Missa do dia, tendo sempre em conta o mistério que se celebra, bem como as necessidades peculiares dos ouvintes.” (IGMR 65)“Habitualmente a homilia deve ser feita pelo Sacerdote celebrante ou por um Sacerdote concelebrante, por ele encarregado, ou algumas vezes, se for oportuno, também por um diácono, mas nunca por um leigo. [...] (IGMR 66)
5. Profissão de fé:
“O Símbolo[4] [...] tem como finalidade permitir que todo o povo reunido, responda à palavra de Deus anunciada nas leituras da sagrada Escritura e exposta na homilia.” (IGMR 67).
“O Símbolo deve ser cantado ou recitado pelo Sacerdote juntamente com o povo, nos domingos e nas solenidades. Se é cantado, é começado pelo Sacerdote ou, se for o caso, por um cantor, ou pela schola; cantam-no todos em conjunto ou o povo alternando com a schola. Se não é cantado, deve ser recitado conjuntamente por todos ou por dois coros alternadamente.” (IGMR 68).
6. Oração universal:
“[...] Convém que em todas as Missas com participação do povo se faça esta oração, na qual se pede pela santa Igreja, pelos governantes, pelos que se encontram em necessidade, por todos os homens em geral e pela salvação do mundo inteiro.” (IGMR 69).
Normalmente a ordem das intenções é a seguinte:
a) pelas necessidades da Igreja;
b) pelas autoridades civis e pela salvação do mundo;
c) por aqueles que sofrem dificuldades;
d) pela comunidade local.

Liturgia Eucarística
1) Na preparação dos dons, levam-se ao altar o pão e o vinho com água, isto é, os mesmos elementos que Cristo tomou em suas mãos.
2) Na Oração eucarística, dão-se graças a Deus por toda a obra da salvação, e as oblatas convertem-se no Corpo e Sangue de Cristo.
3) Pela fração do Pão e pela Comunhão, os fiéis, embora muitos, recebem, de um só Pão, o Corpo e Sangue do Senhor, do mesmo modo que os Apóstolos o receberam das mãos do próprio Cristo.” (IGMR 72).
“Como elementos principais da Oração eucarística podem enumerar-se os seguintes:
a) Ação de graças
b) Aclamação
c) Epiclese
d) Narração da instituição e consagração
e) Anamnese
f) Oblação
g) Intercessões
h) Doxologia final

4. Rito da Comunhão:

- Oração dominical:
“Na Oração dominical pede-se o pão de cada dia, que para os cristãos evoca principalmente o Pão eucarístico; igualmente se pede a purificação dos pecados, de modo que efetivamente ‘as coisas santas sejam dadas aos santos’. O convite, a oração, o embolismo e a doxologia conclusiva dita pelo povo, devem ser cantados ou recitados em voz alta.” (IGMR 81).
- Rito da paz[5]:
“Segue-se o rito da paz, no qual a Igreja implora a paz e a unidade para si própria e para toda a família humana, e os féis exprimem uns aos outros a comunhão eclesial e a caridade mútua, antes de comungarem no Sacramento. Quanto ao próprio sinal com que se dá a paz [...] é conveniente que cada um dê a paz com sobriedade apenas aos que estão mais perto de si.” (IGMR 82).
- Fração do pão:
“O Sacerdote parte o Pão eucarístico. O gesto da fração, praticado por Cristo na última Ceia, significa que os fiéis, apesar de muitos, se tornam um só Corpo, pela Comunhão do mesmo Pão da vida que é Cristo [...]. A fração começa depois de se dar a paz e realiza-se com a devida reverência. Este rito é reservado ao Sacerdote e ao diácono.
Enquanto o Sacerdote parte o Pão e deita uma parte da Hóstia no cálice, a schola ou um cantor canta ou recita a invocação Cordeiro de Deus[6], a que todo o povo responde.” (IGMR 83).
- Comunhão:
“O Sacerdote prepara-se para receber frutuosamente o Corpo e Sangue de Cristo rezando uma oração em silêncio. Os fiéis fazem o mesmo orando em silêncio. (IGMR 84).
“Enquanto o Sacerdote toma o Sacramento, dá-se início ao cântico da Comunhão. O cântico prolonga-se enquanto se ministra aos fiéis o Sacramento. Se se canta um hino depois da Comunhão, o cântico da Comunhão deve terminar a tempo. Procure-se que também os cantores possam comungar comodamente.” (IGMR 86).
5. Rito de conclusão ou rito final:
a) Notícias breves[7], se forem necessárias;
b) Saudação e bênção do Sacerdote, a qual, em certos dias e em ocasiões especiais, é enriquecida e amplificada com uma oração sobre o povo ou com outra fórmula mais solene de bênção.
c) Despedida da assembléia, feita pelo diácono ou Sacerdote;
d) Beijo no altar por parte do Sacerdote e do diácono e depois inclinação profunda ao altar por parte do Sacerdote, do diácono, e dos outros ministros.” (IGMR 90).
A FORMA DE CELEBRAÇÃO DA MISSA COM O POVO
“Entende-se por Missa com o povo a que é celebrada com participação dos fiéis. Na medida do possível, convém que esta Missa, especialmente nos domingos e festas de preceito, seja celebrada com canto e com número adequado de ministros. Pode, todavia, celebrar-se também sem canto e com um só ministro.” (IGMR 115).
“Em qualquer celebração da Missa, estando presente um diácono, este deve nela desempenhar o seu ministério. Convém ainda que o Sacerdote celebrante seja assistido normalmente por um acólito, um leitor e um cantor.” (IGMR 116).
Coisas a preparar para a Santa Missa
“O altar deve ser coberto pelo menos com uma toalha de cor branca. Sobre o altar ou perto dele, dispõem-se, em qualquer celebração, pelo menos dois castiçais com velas acesas, ou quatro ou seis, sobretudo no caso da Missa dominical ou festiva de preceito, e até sete, se for o Bispo diocesano a celebrar. Igualmente, sobre o altar ou perto dele, haja uma Cruz, com a imagem de Cristo crucificado. Os castiçais e a Cruz ornada com a imagem de Cristo crucificado podem ser levados na procissão de entrada. Também se pode colocar sobre o altar o Evangeliário, distinto do livro das outras leituras, a não ser que ele seja levado na procissão de entrada.” (IGMR 117).
“Preparam-se também:
a) Junto à cadeira do Sacerdote: o Missal e o livro de canto;
b) No ambão: o Lecionário;
c) Na credência: o cálice, o corporal, o sanguinho e a pala; a patena e as píxides; o pão para a Comunhão do Sacerdote que preside, do diácono, dos ministros e do povo; as galhetas com o vinho e a água; o vaso da água a benzer, se se fizer a aspersão; a patena para a Comunhão dos fiéis; e ainda o que for necessário para lavar as mãos[8]. É louvável cobrir o cálice com um véu, que pode ser ou da cor do dia ou de cor branca. (IGMR 118).
“Na sacristia segundo as diferentes formas de celebração:
a) para o Sacerdote: alva[9], estola e casula[10] ou planeta;
b) para o diácono: alva, estola e dalmática; esta, por necessidade ou por motivo de menor solenidade, pode omitir-se;
c) para os outros ministros[11]: alva ou outras vestes legitimamente aprovadas.
Quando a entrada se faz com procissão, prepara-se também: o Evangeliário; nos domingos e festas, o turíbulo e a naveta com incenso, se se usa o incenso; a Cruz a levar na procissão e os candelabros com círios acesos.” (IGMR 119).
Seminarista Jorge Luís
Membro da ARS

NOTAS

[1] Grifo nosso
[2] Rubrica nº 2 do Missal Romano. Encontra-se no Ordinário da Missa com o Povo, p. 389
[3] As fórmulas vêm precedidas de respectivos convites. Conferir p. 390-392. Existe também as invocações alternativas para os diversos tempos (cf. p. 393-398).
[4] Também conhecido por Credo ou Creio. Atualmente temos na Igreja dois Símbolos: o Símbolo Niceno-Constantinopolitano e o Símbolo dos Apóstolos.
[5] O Missal Romano não prevê nenhum canto para acompanhar o rito da paz, ou como dizem: o abraço da paz.
[6] Deve-se notar que o Cordeiro de Deus é uma invocação que acompanha o rito da fração da Santíssima Hóstia, por isso só deve começar quando começar a fração e terminar quando for encerrado o rito da fração. Para tanto, é necessário que os Sacerdotes não comecem o rito antes de terminar o rito da paz, o que faria os dois ritos, da paz e da fração, perderem o sentido.
[7] Aqui se trata dos famosos avisos. Eles devem, se forem necessários, sempre ser feitos aqui e nunca antes da oração pós-comunhão.
[8] Ou seja, o lavabo, constituído pela bacia, a jarra e o manustérgio.
[9] A alva pode ser substituída pela túnica.
[10] O uso da casula não exclui a obrigatoriedade de usar a estola.
[11] Estes “outros ministros” são os acólitos instituídos, nunca os MESCEs, pois eles não podem usar alva ou qualquer outra veste que se assemelhe às dos ministros sagrados.

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