sábado, 18 de abril de 2009

O Santo Sacrifício da Missa

“Augustíssimo sacramento é a Santíssima Eucaristia, na qual se contém, se oferece e se recebe o próprio Cristo Senhor e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício Eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o Sacrifício da Cruz, é o ápice e a fonte de todo o Culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo. Os outros sacramentos e todas obras de apostolado da Igreja se relacionam intimamente com a Santíssima Eucaristia e a ela se ordenam.”
(CDC, cân 897)
Todas as grandes religiões giram em torno do sacrifício, cujo significado cada vez mais se afasta do original. Pelo sacrifício os diferentes povos procuram se aproximar de Deus. A palavra sacrifício pode ter vários significados. Pela junção das duas palavras sacri + ficar significa ficar sagrado, pela etimologia da palavra latina sacre+fazere significa fazer o sagrado, ou seja, separar para Deus, segundo Santo Agostinho. O certo é que o sacrifício está presente na historia, inclusive na Historia Sagrada do Povo de Deus, de modo muito abundante.
Na lei mosaica (cf. Êxodo) havia os seguintes sacrifícios cruentos[1] sob incumbência dos membros da tribo de Levi, as chamadas ofertas levíticas, obras de precessão, pré-figuras do Sacrifício verdadeiro que haveria de vir:

  • HOLOCAUSTO – sacrifício de latria, ou seja, adoração a Deus; As vítimas eram oferecidas ao domínio de Deus. Queimava-se a vítima completamente, ninguém a comia, para prestar, por essa consumação, uma homenagem e um reconhecimento pleno, ao soberano domínio de Deus. Prestava-se, assim, o Culto puro de adoração a Deus.
  • HÓSTIA PELO PECADO - sacrifício propiciatório: O sacrifício propiciatório era oferecido para a expiação dos pecados, de modo a tornar Deus propício. Também chamado "hóstia pelo pecado”. A vítima era dividida em três partes uma parte consumida no fogo sobre altar, outra queimada fora do acampamento e uma terceira comida pelos sacerdotes.
  • SACRIFÍCIO EUCARÍSTICO – sacrifício das hóstias pacíficas: O sacrifício eucarístico era oferecido para agradecer a Deus, qualquer graça recebida. Eram sacrifícios de ação de graças.
  • SACRIFÍCIO IMPETRATÓRIO – sacrifício de impetração: Era feito para pedir a Deus qualquer graça importante. Os sacrifícios eucarísticos e impetratórios, também chamados de "pacíficos", se distinguiam da "hóstia pelo pecado" pelo fato de que o povo e os sacerdotes deviam participar, consumindo uma parte da vítima.
O sacrifício, portanto, é um oferecimento a Deus de uma coisa sensível para ser destruída ou modificada, o que era feito por quatro razões:

I - Reconhecer o domínio soberano de Deus;
II - Reconhecer a nossa dívida para com a justiça suprema de Deus e obter o Seu perdão;
III - Agradecer as graças alcançadas:
IV - Pedir a graça necessitada.

Todos estes sacrifícios do AT são prefigurações do Sacrifício de Cruz de Cristo. Diz o texto Sagrado: "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." (Jo 1,29). Afirmando assim que Jesus era o verdadeiro Cordeiro do Sacrifício agradável a Deus. E Jesus veio para nos libertar da antiga morte: "E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo" (Hb 2,14).

PRÉ-FIGURAÇÕES DO SANTO SACRIFÍCIO

Estes sacrifícios tinham caráter de preparação para o Sacrifício de Cristo que os substituiu e os superou como um Sacrifício, perfeito e eterno; as cerimônias eram figurativas, e as figuras desaparecem diante da realidade. As cerimônias da Igreja substituem suas pré-figuras. Assim, por exemplo, podemos ver que a circuncisão dos judeus era prefiguração do Batismo de Cristo; que o sacerdócio antigo era figura do Sacerdócio de Jesus Cristo; a Arca da Aliança era uma prefiguração do Sacrário que encerraria o próprio Cordeiro da nova e eterna Aliança (e da sempre Virgem Maria) e por fim as cerimônias nas quais eram oferecidos os sacrifícios eram uma figura do que viria a ser a Santa Missa, onde seria oferecido o único e verdadeiro Sacrifício.
Quando se aproxima a instituição do Santo Sacrifício Jesus faz o grande discurso do Pão da vida: "Eu sou o Pão Vivo descido do céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. O Pão que Eu darei é a minha carne para a vida do mundo" (...) Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que comer de mim viverá por mim. Este é o Pão que desceu do céu [...] quem come deste Pão viverá para sempre" (Jo 6,51-58). Aqui Jesus não está contando uma parábola, nem fala usando sinais.
Quando Ele diz "não tereis a vida em vós" remete a outro trecho onde anunciou que "Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância" (Jo 10,10). Ele está, na verdade, se identificando como o verdadeiro Cordeiro que vai dar-Se em Sacrifício. Ao ouvirem Jesus afirmar que "se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o meu sangue não tereis a vida em vós", assustam-se. Compreenderam que Jesus anunciava que iria entregar a sua própria carne para ser "realmente comida" em um sacrifício, não tendo feito uso de metáfora ou símbolo ou muito menos de uma parábola. Se Jesus estivesse fazendo uso de metáfora alguns discípulos não o teriam abandonado (Jo 6,66). Os discípulos não o abandonam quando disse ser a "luz" (Jo 8,12), "porta" (Jo 10,7), "a ressurreição e a vida" (Jo 11,25), "o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6), "a verdadeira vide" (Jo 15,1), afastaram-se somente quando disse que seria "carne, comida". O motivo não pode ser outro que o de comunicar-lhes de que seria a vítima de um sacrifício. Foi essa idéia que não suportaram, abandonando-O.
Jesus prossegue dizendo: "Eu sou o PÃO VIVO DESCIDO DO CÉU. Quem comer deste PÃO viverá eternamente. O PÃO que eu DAREI é a minha carne para a VIDA DO MUNDO" (Jo 6,51).
Jesus usa o futuro "DAREI a minha carne para a vida do mundo", anunciando a futura doação, seja na Instituição da Eucaristia seja na Cruz.
Pouco a pouco Jesus vai substituindo as antigas coisas pelas novas, vai cumprindo toda a Lei e Profecia. Chega então o momento d’Ele cumprir as relacionadas ao Santo Sacrifício, aos Sacerdotes e à Santa Missa, pois está escrito: “Desde o nascer ao pôr do sol, será oferecido, em todo lugar, em toda parte, um sacrifício puro e sem manchas à majestade do Altíssimo” (Ml 1, 11) e ainda: “Nunca se verá faltar os sacerdotes e os sacrifícios” (Jr 33, 18).
Para realçar o fato da identidade de Jesus como o Cordeiro Pascoal, os Evangelistas que narram a Instituição da Eucaristia, dispõem-na no mesmo dia da Sua Morte, levando-se em conta que o dia para o judeu começava à tarde e terminava na tarde seguinte. É o próprio Jesus que vinculou tudo (Páscoa e Aliança, Eucaristia e Morte na Cruz) de modo inseparável:
Mt 26,26-28: "Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo-o abençoado, partiu-o e, distribuindo-o aos discípulos, disse: Tomai e comei, isto é o meu corpo.’ Depois, dando graças, tomou um cálice , e deu-lho dizendo: ‘Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado por muitos para remissão dos pecados."
Mc 14,22-24: Enquanto comiam, ele tomou um pão, abençoou, partiu-o e distribuiu-lhes, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo.’ Depois, dando graças, e, tomou um cálice deu-lhes e todos dele beberam. E disse-lhes: ‘Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado em favor de muitos."
Lc 22,19-20: "E tomou um pão, deu graças, partiu e distribuiu-o a eles, dizendo: ‘Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória.’ E, depois de comer, fez o mesmo com o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado em favor de vós."

1Cor 11,23-25: “... na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim.’ após a ceia, Do mesmo modo, também tomou o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim."

Apesar de cada narrador pretender abordar um ângulo diferente, existem detalhes que lhes são comuns. Destaca-se, para o nosso exame, o Sangue da Aliança, em Mateus e Marcos, e a Nova Aliança em Meu Sangue, em Lucas e Paulo.
O derramar o sangue, a que Cristo em Mateus se refere, é o rito de expiação: "Se a sua oferenda consistir em holocausto de animal grande, oferecerá um macho sem defeito... Porá a mão sobre a cabeça da vítima e esta será aceita para que se faça por ele o rito de expiação. Em seguida imolará o novilho diante de Iahweh, e os filhos de Aarão, os sacerdotes, oferecerão o sangue. Eles o derramarão ao redor sobre o altar..." (Lv 1,3-5.11-12). Esta expiação se dá na Cruz: "... se alguém pecar, temos como advogado, junto do Pai, Jesus Cristo, o justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados..." (1Jo 2,1-2)."Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos o seu filho como vítima de expiação pelos nossos pecados" (1Jo 4,10)
São Paulo vai mais longe ainda, ao lhe dar a denominação de "propiciatório", no qual a aspersão do sangue traduzia o perdão dos pecados de toda a comunidade (Lv 16,14-22): "Deus o destinou a ser o propiciatório, por seu próprio sangue, mediante a fé" (Rm 3,25).
Jesus ao dizer-se SANGUE E SANGUE DA ALIANÇA durante a cerimônia da Ceia Eucarística, antecipa a expiação do Sacrifício da Cruz. Instituindo este Sacrifício da Nova e Eterna Aliança Jesus faz-nos participantes dos méritos da Cruz, pois Ele mesmo antecipou e perpetuou o Sacrifício da Cruz no Altar. Para que Seus Apóstolos, os Bispos e Padres, atualizassem o Seu Sacrifício e Vitória sobre a morte a cada vez que celebrassem o Sacrifício Eucarístico na Santa Missa.
Para encerrarmos esta introdução vamos lembrar algumas palavras dos Santos Padres da Igreja sobre o assunto:
  • SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA (+110) – Dizia que a Eucaristia é “a Carne de Nosso Salvador Jesus Cristo, a qual padeceu por nossos pecados e a qual o Pai ressuscitou por Sua benignidade”. E ainda “quero o Pão de Deus que é a Carne de Jesus Cristo... e por bebida quero Seu Sangue que é puro amor”.
  • SANTO IRINEU (+202) – “Os Apóstolos receberam este Sacrifício de Jesus Cristo e a Igreja O recebeu dos Apóstolos e ela O oferece hoje, por toda parte, conforme a profecia de Malaquias”.
  • SÃO CIPRIANO (+258) – “O Sacrifício que nós oferecemos é a mesma Paixão do Salvador!...O Pão e o Vinho devem ser sempre a matéria do Sacrifício de Jesus Cristo e tornar-se-ão no Seu Corpo e Seu Sangue”.
  • SANTO AGOSTINHO (+430) – “Este Sacrifício foi estabelecido para substituir todos os sacrifícios do Antigo Testamento!...Oferecemos por toda parte, sob o grande Pontífice Jesus Cristo, aquilo que ofereceu Melquisedec”.
COMO PROVAMOS QUE DESDE OS APÓSTOLOS
SE CELEBROU SEMPRE O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA?
  1. Pelas palavras de S. Paulo: "Nós (os cristãos) temos um altar, do qual os (sacerdotes judeus) que servem ao tabernáculo não têm faculdade de comer". (Heb 13, 10)
  2. Pelos testemunhos inegáveis dos Santos Padres, pelas decisões dos Concílios, pelas antigas orações da Missa e por outros monumentos da Igreja oriental e ocidental.
"Quando Cristo disse: Isto é o meu corpo, etc., ensinou Ele o sacrifício do Novo Testamento que a Igreja recebeu dos Apóstolos e agora oferece a Deus, no mundo inteiro". (Sto. Inineu, +202)

A QUEM SE ESTENDEM OS FRUTOS DA SANTA MISSA?

Os frutos da santa Missa se estendem, em certo grau, a todos os membros da Igreja, aos vivos e defuntos, mas especialmente:
  1. ao sacerdote que celebra o santo sacrifício
  2. àqueles por quem especialmente é oferecido;
  3. a todos que assistem devotamente ao sacrifício.
A QUEM OFERECEMOS O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA?

Oferecemos o santo sacrifício da Missa unicamente a Deus, ainda que nela também celebramos a memória dos Santos.

GRANDEZA DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA

O Concílio de Trento diz da Santa Missa (Ceci. 22): “Devemos reconhecer que nenhum outro ato pode ser praticado pelos fiéis que seja tão santo como a celebração deste tremendo Mistério. O próprio Deus todo ­poderoso não pode fazer que exista uma ação mais sublime e santa do que o Sacrifício da Missa. Este Sacrifício de nossos altares ultrapassa imensamente todos os sacrifícios do Antigo Testamento, pois que já não são bois e cordeiros que são sacrificados, mas é o próprio Filho de Deus que se oferece em Sacrifício. [...] Tem, portanto, razão São Lourenço Justiniano ao dizer que não há sacrifício maior, mais portentoso e mais agradável a Deus do que o Santo Sacrifício da Missa” (Sermo de Euch.).
São João Crisóstomo diz que durante a Santa Missa o altar está circundado de Anjos que aí se reúnem para adorar a Jesus Cristo. São Agostinho chega até a dizer que os Anjos se colocam ao lado do Sacerdote para servi-lo como ajudantes.
O Concílio de Trento (Ceci. 22, c.2) ensina-nos também que neste Sacrifício do Corpo e Sangue de Jesus Cristo é o próprio Salvador que oferece em primeiro lugar esse Sacrifício, mas que o faz pelas mãos do Sacerdote que ele escolheu para seu ministro e representante. Já antes dissera São Cipriano: “O Sacerdote exerce realmente o oficio de Jesus Cristo” (Ep. 62). Por isso o Sacerdote diz, na elevação: “Isto é o meu Corpo; este é o cálice de meu Sangue”.
Belarmino (De Euch. 1.6, c. 4) escreve que o Santo Sacrifício da Missa é oferecido por Jesus Cristo, pela Igreja e pelo Sacerdote; não, porém, do mesmo modo por todos: Jesus Cristo oferece como o Sacerdote principal, ou como o oferente próprio, mas por intermédio de um homem, que é ao mesmo tempo Sacerdote e ministro de Cristo; a Igreja não oferece como sacerdotisa, por meio de seu ministro, mas como povo, por intermédio do Sacerdote; o Sacerdote, finalmente, oferece como ministro de Jesus Cristo e como medianeiro de todo o povo.
A Santa Missa não é somente uma representação do Sacrifício da Cruz, “ mas também uma renovação do mesmo Sacrifício, porque em ambos é o mesmo Sacerdote e a mesma Vítima, a saber, o Filho de Deus Humanado. Só no modo de oferecer há uma diferença: o Sacrifício da Cruz foi oferecido com derramamento de Sangue; o Sacrifício da Missa é incruento; na Cruz, Jesus morreu

QUADRÚPLICE FIM DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA

Por Santo Afonso Maria de Ligório

1- A Santa Missa é um Sacrifício Latrêutico

[HOLOCAUSTO = sacrifício de latria = adoração a Deus]
No Antigo Testamento procuravam os homens honrar a Deus por toda a espécie de sacrifícios; no Novo Testamento, porém, presta-se maior honra a Deus com um só Sacrifício da Missa do que com todos os sacrifícios do Antigo Testamento, que eram só figuras e sombras da sagrada Eucaristia. Uma só Missa presta a Deus maior honra que todas as orações e penitências dos Santos, todos os trabalhos dos Apóstolos, todos os sofrimentos dos mártires, todo o amor dos Serafins e mesmo da Mãe de Deus, porque todas as honras dos homens são de natureza finita, enquanto a honra que Deus recebe pelo Santo Sacrifício da Missa é infinita, visto que lhe é prestada por uma Pessoa divina.
Ainda que se sacrificasse a vida de todos os Anjos e Santos, mesmo assim esse sacrifício não prestaria a Deus essa honra infinita que lhe dá uma única Santa Missa.

2 - A Santa Missa é um Sacrifício Propiciatório

[HÓSTIA PELO PECADO = sacrifício propiciatório = oferecido para a expiação dos pecados, de modo a tornar Deus propício]
Que a Santa Missa é verdadeiramente um Sacrifício propiciatório, que inclina Deus a nos perdoar não só a pena mas também a culpa dos pecados, pode-se deduzir já da instituição da sagrada Eucaristia, que foi feita especialmente para a remissão dos pecados: “Este é o meu sangue, que será derramado por muitos, para a remissão dos pecados”, disse Jesus Cristo (Mt 26, 28). Numa palavra, a Santa Missa abre os tesouros da divina misericórdia em favor dos pecadores.
Se se sacrificasse a vida de todos os homens e Anjos, a Justiça Divina não seria satisfeita devidamente nem sequer por uma única falta que a criatura tivesse cometido contra seu Criador. Só Jesus Cristo podia satisfazer por nossos pecados: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 2, 2).

3 - A Santa Missa é um Sacrifício Eucarístico

[SACRIFÍCIO EUCARÍSTICO = sacrifício das hóstias pacíficas = oferecido para agradecer a Deus, qualquer graça recebida]
É justo e razoável que agradeçamos a Deus os benefícios que nos fez em sua infinita bondade. Se Deus nos tivesse dado uma única vez um sinal de sua afeição, estaríamos obrigados a um agradecimento infinito, porque esse sinal de amor seria o favor e dom de um Deus infinito.
A Vítima que é oferecida ao Eterno Pai na Santa Missa é seu próprio Filho, em quem pôs toda a sua complacência. Por isso dirigia Davi suas vistas a este Sacrifício, quando excogitava [pensava] um meio de agradecer a Nosso Senhor pelas graças recebidas: “Que darei ao Senhor por tudo o que ele me tem feito?” pergunta ele, e responde: “Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor” (Sl 115, 12).

4 - A Santa Missa é um Sacrifício Impetratório

[SACRIFÍCIO IMPETRATÓRIO = sacrifício de impetração = oferecido para pedir a Deus qualquer graça importante]
Se já temos a segura promessa de alcançar tudo que pedimos a Deus em nome de Jesus Cristo (Jo 16, 23), muito maior deve ser a nossa confiança se oferecemos a Deus seu próprio Filho. Este nosso amante Salvador roga por nós sem cessar lá no Céu (Rom 8, 34), mas, de modo todo especial, durante a Santa Missa, em que se sacrifica a seu Eterno Pai, pelas mãos do Sacerdote, para nos alcançar suas graças. Se soubéssemos que todos os Santos e a Santíssima Virgem estão rezando por nós, com que confiança não esperaríamos de Deus os maiores favores e graças. Está, porém, fora de dúvida que um só rogo de Jesus Cristo pode infinitamente mais que todas as súplicas dos Santos.

Seminarista Jorge Luís
Membro da ARS

[1] Cruento diz respeito a sangue. Sacrifício cruento significa o derramamento de sangue da vítima. No Antigo Testamento pouquíssimos sacrifícios eram incruentos. A Santa Missa é um Sacrifício, o Santo Sacrifício da Cruz, porém, é Sacrifício incruento, pois, embora bebamos do Sangue de Cristo, não há mais o derramamento do Sangue de Nosso Senhor. Dizer o contrário seria uma grande heresia.

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