sábado, 25 de dezembro de 2010

"Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade"

Pax et bonum!
Feliz Natal a todos!

O belíssimo texto do grande papa do séc. V bem merece estar na primeira postagem deste Natal!

Dos Sermões de São Leão Magno, papa.
(Sermo 1 in Nativitate Domini, 1-3: PL 54, 190-193)

Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasceu a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade.
Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa da alegria é comum a todos, porque nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória ; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida.
Quando chegou a plenitude dos tempos, fixada pelos insondáveis desígnios divinos, o Filho de Deus assumiu a natureza do homem para reconciliá-lo com o seu Criador, de modo que o demônio, autor da morte, fosse vencido pela mesma natureza que antes vencera.
Eis por que, no nascimento do Senhor, os anjos cantam jubilosos: Glória a Deus nas alturas; e anunciam: Paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2,14). Eles vêem a Jerusalém celeste ser formada de todas as nações do mundo. Diante dessa obra inexprimível do amor divino, como não devem alegrar-se os homens, em sua pequenez, quando os anjos, em sua grandeza, assim se rejubilam?
Amados filhos, demos graças a Deus Pai, por seu Filho, no Espírito Santo; pois, na imensa misericórdia com que nos amou, compadeceu-se de nós. E quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo (Ef 2,5) para que fôssemos nele uma nova criação, nova obra de suas mãos.
Despojemo-nos, portanto, do velho homem com seus atos; e tendo sido admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne.
Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Lembra-te de que a cabeça e de que corpo és membro. Recorda-te que fostes arrancado do poder das trevas e levado para a luz e o reino de Deus.
Pelo sacramento do batismo te tornaste templo do Espírito Santo. Não expulses com más ações tão grande hóspede, não recaias sob o jugo do demônio, porque o preço de tua salvação é o sangue de Cristo.

***
Ex Sermónibus sancti Leónis Magni papæ 
(Sermo 1 in Nativitate Domini, 1-3: PL 54, 190-193)


Salvátor noster, dilectíssimi, hódie natus est, gaudeámus. Neque enim locum fas est ibi esse tristítiæ, ubi natális est vitæ; quæ, consúmpto mortalitátis timóre, nobis íngerit de promíssa æternitáte lætítiam.
Nemo ab huius alacritátis participatióne secérnitur, una cunctis lætítiæ commúnis est rátio: quia Dóminus noster, peccáti mortísque destrúctor, sicut nullum a reátu líberum répperit, ita liberándis ómnibus venit. Exsúltet sanctus, quia propínquat ad palmam. Gáudeat peccátor, quia invitátur ad véniam. Animétur gentílis, quia vocátur ad vitam.
Dei namque Fílius secúndum plenitúdinem témporis, quam divíni consílii inscrutábilis altitúdo dispósuit, reconciliándam auctóri suo natúram géneris assúmpsit humáni, ut invéntor mortis diábolus, per ipsam qua vícerat, vincerétur.
Ab exsultántibus ergo ángelis, nascénte Dómino, Glória in excélsis Deo cánitur, et pax in terra bonæ voluntátis homínibus nuntiátur. Vident enim cæléstem Ierúsalem ex ómnibus mundi géntibus fabricári: de quo inenarrábili divínæ pietátis ópere, quantum lætári debet humílitas hóminum, cum tantum gáudeat sublímitas angelórum?
Agámus ergo, dilectíssimi, grátias Deo Patri, per Fílium eius, in Spíritu Sancto, qui propter multam misericórdiam suam, qua diléxit nos, misértus est nostri; et cum essémus mórtui peccátis, convivificávit nos Christo, ut essémus in ipso nova creatúra, novúmque figméntum.
Deponámus ergo véterem hóminem cum áctibus suis; et adépti participatiónem generatiónis Christi, carnis renuntiémus opéribus.
Agnósce, o christiáne, dignitátem tuam, et, divínæ consors factus natúræ, noli in véterem vilitátem degéneri conversatióne redíre. Meménto cuius cápitis et cuius córporis sis membrum. Reminíscere quia érutus de potestáte tenebrárum, translátus es in Dei lumen et regnum.
Per baptísmatis sacraméntum Spíritus Sancti factus es templum: noli tantum habitatórem pravis de te áctibus effugáre, et diáboli te íterum subícere servitúti: quia prétium tuum sanguis est Christi.


Fonte: Ofício das Leituras da Solenidade do Natal do Senhor. 

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