sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

"A data do nascimento de Jesus"

Pax et bonum!

Segue nossa tradução de um interessante artigo do site da Custódia da Terra Santa.

Geralmente se aceita hoje em dia, entre historiadores e estudiosos, que o ano do nascimento de Cristo não foi calculado corretamente . Isto se refere a um erro cometido pelo monge Dionísio o Exíguo que, no início do séc. VI, recebeu de Roma a tarefa de estender as tábuas cronológicas da data da Páscoa que tinham sido preparadas no tempo do Bispo Cirilo (=São Cirilo de Alexandria).
O monge tomou como ponto de partida a data da encarnação do Senhor. O equívoco de Dionísio está no fato de que ele calculou o nascimento de Jesus tendo lugar depois da morte de Herodes − em outras palavras, quatro a seis anos depois da data em que ela atualmente aconteceu − que corresponderia ao ano 748 depois da fundação de Roma.
Mas de acordo com Flávio Josefo, Herodes o Grande morreu depois de governar por 37 anos, e dado que foi entronizado no ano 40 a.C., o ano de sua morte deve ter sido o ano 4 a.C. Isto também é confirmado por um evento astronômico que o historiador recordou como tendo tomado lugar antes da morte do monarca: um eclipse lunar que teria ocorrido entre 11 e 12 de abril do ano 4 a.C.
Baseado nesta informação, a morte de Herodes deve ter ocorrido no ano 4 a.C. e Jesus não poderia ter nascido depois deste ano. Por outro lado, no que se refere ao mês e ao dia do nascimento de Jesus, a data tradicional parece ser acertada. Para analisar a situação, deve-se levar em conta duas fontes: o Evangelho de Lucas e o calendário solar descoberto em Qumran.
Lucas conta-nos que o anjo Gabriel anunciou a Zacarias que Isabel estaria grávida naquele tempo enquanto ele estava “exercendo diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem da sua classe” (Lc 1,8). Usando estes elementos é possível calcular as 24 classes em que as famílias sacerdotais estavam divididas e voltar até a data da classe de Abias, que era a oitava e que era a que Zacarias pertencia, e que estava encarregada do seu serviço do dia 8 ao 14 do terceiro mês, e do dia 24 ao 30 do oitavo mês.
Este último período corresponde ao fim de setembro, nove meses antes do 24 de junho, a data do nascimento de João Batista. Daí o anúncio à Virgem Maria “no sexto mês” (Lc 1,28) da gestação de Isabel corresponde ao 25 de março, de modo que a data de 25 de dezembro para o nascimento de Jesus pode ser visto como historicamente acertada.
Não obstante, comumente se alega que a data tradicional do nascimento de Jesus foi estabelecida pela Igreja a fim de corresponder à festa pagã do Dies natalis solis invicti (=dia do nascimento do sol invicto) que acontecia no dia do solstício de inverno (21 de dezembro), provavelmente para servir como substituto da cerimônia pagã e ajudar na rápida difusão da cerimônia cristã.
Mas é evidente que tão importante dia de festa não poderia ser estabelecido apenas por razões de tal supremacia e que a tradição deve ter tido raízes que seriam mais históricas e reais. E o caso de fato é que a transição da festa pagã para a cristã foi algo muito fácil, em vistas da tradição bíblica que via o Messias como luz e sol: “Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente” (Lc 1,78).

Original em inglês: http://www.bethlehem.custodia.org/default.asp?id=452

Tradução por Luís Augusto - membro da ARS

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