"Como coisa" ou "como filho"?

ALLELUIA

Pax et bonum!

Hoje, Festa da Visitação de Nossa Senhora, desejei postar algo que tirasse uma dúvida comum de várias pessoas.
Na oração conhecida como "Consagração a Nossa Senhora", quando se utiliza uma versão cantada, muito se questiona se o correto é "como coisa e propriedade vossa" ou "como filho e propriedade vossa".
Eu tinha esta dúvida, bem como encontrei a resposta já há vários anos. Vejamos do que se trata.
O texto da oração, sem ser a letra cantada, é o seguinte:

Ó, minha Senhora e minha Mãe, eu me ofereço todo a vós, e em prova da minha devoção para convosco, vos consagro neste dia, meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração e todo o meu ser; e porque sou vosso, ó incomparável mãe, guardai-me e defendei-me como coisa e propriedade vossa.

Obviamente outras versões com "como filho" poderão ser encontradas. E então, como saber qual é a expressão correta? Ora, nada melhor que procurar o original em latim.

Ei-lo, como consta na Raccolta (seria um Manual de Indulgências do séc. XIX, como o nosso atual Enchiridion Indulgentiarum):

O Domina mea! O Mater mea! Tibi me totum offero, atque, ut me tibi probem devotum, consecro tibi [hodie] oculos meos, aures meas, os meum, cor meum, plane me totum. Quoniam itaque tuus sum, o bona Mater, serva me, defende me ut rem ac possessionem tuam. Amen.

Ao pé da letra seria mais ou menos como segue:

Ó Senhora minha! Ó Mãe minha! A vós todo me ofereço, e, para provar que vos sou devoto, consagro-vos hoje meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração, eu todo inteiramente. E porque sou vosso, ó boa Mãe, guardai-me, defendei-me como coisa e propriedade vossa. Amém.

Rem é o substantivo feminino latino res no caso acusativo. E pode significar coisa, evento, negócio, assunto, propriedade, fato. Na oração, portanto, a tradução COISA é bem acertada.
Para a "sensibilidade romântica", talvez, de muitos fiéis, COISA soe agressivo ou desprezível... Talvez pareça  meio duro de se ouvir tanto quanto, para alguns, o é a Consagração de Escravidão a Jesus e Maria, segundo a doutrina de São Luís Maria.
Mas quantas coisas e propriedades guardamos com zelo e carinho: objetos que nos relembram algo, objetos que consideramos preciosos. E somos exatamente tais coisas preciosas para o olhar da Santíssima Virgem. De fato, fostes comprados, e por preço muito alto! (1Cor 6,20a) A Senhora Santa conhece muito bem este preço!

Não tenhamos, pois, vergonha de rezar literalmente como o quis o autor da oração.
Ó Maria, Senhora e Mãe, nesta Festa de vossa Visitação, quando vossa alma engrandeceu o Senhor, neste "dia do Magnificat", queremos dizer que somos coisa e propriedade vossa. Amém.

Por Luís Augusto - membro da ARS

Comentários

joão conceição dias disse…
Eu todos os dias rezo a consagração no fin da missa; Já é de costume terminar com a consagração e, eu: á asembléia fala como coisa e eu falo como filho. Fiquei super feliz com as explicações como é bom ser um católico bem informada. amem amem amem

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