segunda-feira, 25 de julho de 2011

Faleceu o Cardeal Virgílio Noé, aquele que revelou o sentido das palavras de Paulo VI sobre a "fumaça de satanás" na Igreja

Pax et bonum!

Na manhã de ontem, domingo (24/07), faleceu Sua Eminência o Cardeal Virgílio Noé, que foi Mestre de Cerimônias do Santo Padre por 12 anos, indo do pontificado de Paulo VI até João Paulo II, sucedido por D. John Magee e, em seguida, pelo conhecido D. Piero Marini.
Há três anos este purpurado foi entrevistado por Bruno Volpe, do site Petrus, e somente hoje tomei conhecimento desta entrevista. Nela ele revela o que Paulo VI quis dizer, quando afirmou na homilia de 29 de junho de 1972 (que infelizmente não foi publicada integralmente pelo Vaticano, junto com várias outras), que a fumaça de satanás tinha entrado no templo de Deus. Dada sua importância e como ela ainda pode ser novidade para muitos, posto-a.

Como Mestre de Cerimônias ao lado do papa João Paulo I

***

CIDADE DO VATICANO – Fala com um fio de voz e por vezes a respiração lhe pesa tanto que precisa parar. Mas a mente é lúcida e o coração bondoso. A entrevista com o Cardeal Virgílio Noé, 86 anos [no ano da entrevista, 2008], Mestre de Cerimônias Litúrgicas no Pontificado de Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, Arcipreste Emérito da Basílica de São Pedro e ex-Vigário do Papa para a Cidade do Vaticano, se revela comovente, e ao mesmo tempo contagiante. O purpurado, que há muito abandonou a vida pública por causa das enfermidades da idade avançada, ajuda-nos, levando-nos pela mão, a conhecer melhor um Pontífice esquecido [erroneamente] na pressa da história: Giovanni Battista Montini. E revela pela primeira vez a que se referia precisamente Paulo VI quando, em 1972, denunciou a presença da fumaça de satanás na Igreja.

Servo de Deus Paulo VI

Eminência, quem foi o Papa Paulo VI?
Um verdadeiro cavalheiro, um santo. Lembro-me ainda como ele vivia o Mistério Eucarístico, com amor e participação. Quando penso nele choro, mas não à maneira dos hipócritas. Sinto-me realmente tocado. Devo muito a ele, ensinou-me muito, ele viveu e pagou um grande preço pela Igreja.

O Senhor teve o privilégio de ser Mestre das Cerimônias Litúrgicas precisamente devido à nomeação recebida do Papa Montini nos tempos da reforma pós-conciliar. Como se recorda daquele tempo?
Esplendidamente. Uma vez o Santo Padre disse-me, pessoalmente, e de modo afetuosíssimo, como o Mestre de Cerimônias deveria atuar naquele função e naquele determinado período histórico. Entrou na sacristia. Aproximou-se de mim e disse-me: o Mestre de Cerimônias deve prever tudo e encarregar-se de tudo; tem o dever de aplainar a estrada para o Papa.

Ele acrescentou algo?
Sim. Afirmou que o ânimo de um Mestre de Cerimônias não deve se perturbar nunca por nada, grande ou pequeno, que seja problema pessoal. Um Mestre de Cerimônias, reforçou, deve ser sempre senhor de si mesmo e tornar-se escudo do Papa, pois a Santa Missa deve ser celebrada dignamente, para a Glória de Deus e do seu povo.

Como o Santo Padre recebeu a reforma litúrgica querida pelo Vaticano II?
De bom grado.
Servo de Deus Paulo VI
Diz-se que Paulo VI era um homem bastante triste, é verdade ou é uma lenda?
Uma mentira. Ele era um pai bom e gentil. Ao mesmo tempo, ficou muito triste pelo fato da Cúria Romana tê-lo deixado sozinho. Mas prefiro não falar sobre isso.

De modo geral, contradizendo os historiadores, o senhor, que era um dos seus mais próximos e fiéis colaboradores, descreve o Papa Montini como uma pessoa serena.
Ele era. E sabe por quê? Porque afirmava sempre que aquele que serve o Senhor não pode nunca ser triste. E ele o servia especialmente no sacrifício da Santa Missa.

Da página com os trechos da homilia em italiano, no site da Santa Sé

Continua inesquecível a denúncia de Paulo VI sobre a fumaça de satanás na Igreja. Ainda hoje, aquele discurso parece de uma atualidade incrível. Mas, com exatidão, o que queria dizer o Papa?
Vocês da “Petrus” fizeram uma boa pergunta aqui, pois estou em condições de revelar, pela primeira vez, o que Paulo VI desejava denunciar com aquela afirmação. Aqui está: o Papa Montini, por satanás, queria indicar todos aqueles padres ou bispos e cardeais que não rendem culto ao Senhor, celebrando mal a Santa Missa por causa de uma errônea interpretação e aplicação do Concílio Vaticano II. Ele falou da fumaça de satanás porque sustentava que aqueles prelados que faziam da Santa Missa uma palha seca em nome da criatividade, na verdade estavam possuídos da vanglória e do orgulho do maligno. Portanto, a fumaça de satanás não era outra coisa além da mentalidade que queria distorcer os cânones tradicionais e litúrgicos da cerimônia Eucarística.

E pensar que Paulo VI é citado quase como a causa de todos os males da liturgia pós-conciliar. Mas, de acordo com o que revelou Vossa Eminência, Montini comparou o caos litúrgico, mesmo que de maneira velada, a algo de infernal.
Ele condenou a ânsia de protagonismo e o delírio de onipotência que se seguiu ao Concílio, a nível litúrgico. Repetia muitas vezes que a Missa é uma cerimônia sacra, tudo deve ser preparado e estudado adequadamente respeitando os cânones, ninguém é “Dominus” (Senhor) da Missa. Infelizmente, e muito, depois do Vaticano II não o entenderam, e Paulo VI sofreu isso, creditando o fenômeno a um ataque do demônio.

Eminência, concluindo, o que é a verdadeira liturgia?
É render glória a Deus. A liturgia deve ser sempre, e não importa em que situações, conduzida com decoro: mesmo um sinal da Cruz mal feito é sinônimo de desprezo e pobreza. Além do mais, eu repito, acreditou-se, depois do Vaticano II, que tudo, ou quase tudo, era permitido. Agora é preciso recuperar, e depressa, o senso do sagrado na ars celebrandi, antes que a fumaça de Satanás invada completamente toda a Igreja. Graças a Deus, temos o Papa Bento XVI: sua Missa e seu estilo litúrgico são um exemplo de correção e dignidade.

Por Bruno Volpe

3 comentários:

Luiz Rocha disse...

É com tristeza que é recebida a notícia da morte de Dom Virgilio Cardeal Noè, um príncipe da Igreja que deciou-se à liturgia por tantos anos, durante o pontificado dos três antecessores de Bento XVI; como mestre de cerimônias sempre estava retratado ao lado dos pontífices em fotos e vídeos, fiel defensor da sagrada liturgia.Porém, a foto utilizada não é do cardeal Noè, e sim, do espanhol Dom Carlos Cardeal Amigo Vallejo, arcebispo-emérito de Sevilha.

ARS disse...

Pedimos perdão pelo equívoco na fotografia. Agradecemos pelo aviso.
Requiem aeternam dona ei, Domine.

soldados catolicos disse...

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