quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Preciosíssimo Sangue de Cristo

Pax et bonum!
Tradicionalmente julho é dedicado ao Preciosíssimo Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, o preço de nossa redenção. Você não sabia?
Para melhor explicar, segue abaixo um artigo da Catholic Encyclopedia, que traduzi.
Em seguida vai uma proposta litúrgica e uma proposta moral ou prática.

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"Preciosíssimo Sangue" é o sangue de nosso Divino Salvador. Jesus, na Última Ceia, atribui a ele o mesmo poder vivificante que pertence à sua carne. Os Apóstolos São Pedro (1Pd 1,2-19), São João (1Jo 1,7; Ap 1,5 etc.) e, sobretudo, São Paulo (Rm 3,25; Ef 1,7; Hb 9,10) falam a respeito dele como sinônimo da Paixão e da Morte de Jesus, a fonte de redenção. O Preciosíssimo Sangue é, portanto, uma parte da Sagrada Humanidade e está hipostaticamente unida à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. No séc. XV alguns teólogos, na intenção de determinar se o sangue derramado pelo Salvador durante sua Paixão permaneceu unido ao Verbo ou não, levantaram a questão sobre o Preciosíssimo Sangue ser uma parte essencial ou apenas concomitante da Sagrada Humanidade. Se é uma parte essencial, argumentaram eles, ele jamais se poderia separar do Verbo; se apenas concomitante, poderia. Os Dominicanos guardavam o primeiro ponto de vista, e os Franciscanos o segundo. O papa Pio II, em cuja presença se deu o debate, não apresentou nenhuma decisão doutrinal nesta matéria. Porém, principalmente a partir do Concílio de Trento (Sess, XIII, c. 3), chamados o corpo e o sangue de Jesus de "partes Christi Domini", a direção do pensamento teológico foi a favor do ensinamento Dominicano. Francisco Suárez e de Lugo olham desconfiadamente para a visão dos Franciscanos, e Faber escreve: "Não é meramente uma parte concomitante da carne, um acidente inseparável do corpo. O sangue mesmo, como sangue, foi assumido diretamente pela Segunda Pessoa da Santíssima Trindade" (Precioso Sangue, I). 
O sangue derramado durante o triduum da Paixão, portanto, foi reunido ao corpo de Cristo na Ressurreição, com a possível exceção de uma pequenas partículas que perderam instantaneamente sua união com o Verbo e se tornaram sagradas relíquias para serem veneradas, mas não adoradas. Algumas dessas partículas devem ter aderido e ainda estão aderidas aos instrumentos da Paixão, por exemplo, os pregos, a coluna da flagelação, a Scala Sancta. Vários lugares como Saintes, Bruges, Mantua etc., na força de antigas tradições, reivindicam ter posse de relíquias do Preciosíssimo Sangue, mas normalmente é difícil afirmar se as tradições estão corretas. Visto como uma parte da Sagrada Humanidade hipostaticamente unida ao Verbo, o Preciosíssimo Sangue merece o culto latrêutico, ou seja, de adoração. Ele deve ser destacado, como o Coração e as Chagas de onde brotou, por uma honra especial, do jeito como esta foi dada desde o início por São Paulo e os Padres da Igreja, que tão eloquentemente louvaram sua virtude redentora e nele encontraram o espírito cristão do sacrifício de si mesmo. Como Faber comenta, as vidas dos santos estão repletas da devoção ao Preciosíssimo Sangue. 
No devido curso do tempo, a Igreja deu forma e sanção à devoção, aprovando sociedades como os Missionários do Preciosíssimo Sangue; enriquecendo confrarias como a de San Nicholas in Carcere, em Roma, e a do Oratório de Londres; anexando indulgências às orações e escapulários em honra do Preciosíssimo Sangue; e estabelecendo festas comemorativas do Preciosíssimo Sangue na sexta-feira depois do IV Domingo da Quaresma e, desde Pio IX, no primeiro Domingo de julho.

Fonte: Sollier, Joseph. "Precious Blood." The Catholic Encyclopedia. Vol. 12. New York: Robert Appleton Company, 1911. http://www.newadvent.org/cathen/12372c.htm.

Complemento

Segundo o Missal Quotidiano e Vesperal de Dom Gaspar Lefebvre, OSB, 1961, sua instituição com Pio IX deu-se em 1849 (num decreto de 10 de agosto), "em ação de graças pela vitória alcançada pelos exércitos franceses e pontifícios sobre a revolução, que expulsara de Roma o Pontífice".
Pio XI, em 1900, elevou-a para Festa de 1ª classe.
Provavelmente terá sido o mesmo Pontífice a fixá-la não mais no I Domingo de julho, e sim, no dia 1º de julho.
Com o Calendário Romano Geral novo, com as reformas após o Concílio Vaticano II, a Festa do Preciosíssimo Sangue foi unida à do Corpo de Cristo, razão pela qual o nome completo da Solenidade popularmente conhecida como Corpus Christi, na Forma Ordinária do Rito Romano, é Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.
São Gaspar de Búfalo

Um dos grandes propagadores da devoção ao Sangue Precioso de nosso Senhor foi São Gaspar de Búfalo (06/01/1786 ~ 28/12/1837), sacerdote fundador da Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue.


Proposta Litúrgica

Recomendo aos sacerdotes que celebrem a Missa Votiva do Preciosíssimo Sangue, presente em ambos os Missais (Forma Ordinária e Extraordinária) semanalmente nas quintas ou sextas-feiras.

Proposta Prática

Recomendo aos fiéis que, meditando o preço de nossa salvação, procurem hemocentros e façam doação de sangue. Nós cristãos temos muito o que aprender com esta prática, tão louvada no contexto civil, social. Que tal? Há propagandas comuns que dizem: "Ele deu tudo para você doar um pouco". Acredito que a caridade pode ser exercida de modo exemplar com esta prática.

Por Luís Augusto - membro da ARS

2 comentários:

Rafael Sousa (rafa.de.sousa@hotmail.com) disse...

Olá. Boa noite. Encontrei seu blog procurando exatamente aquela imagem de Cristo na cruz com várias feridas pelo corpo e com muito sangue (http://1.bp.blogspot.com/-a4R4z1S2TIQ/ThPKekIlbkI/AAAAAAAAAr4/8KUik3UZVrc/s1600/img_0573.jpg).

Você sabe onde posso comprar essa imagem? Estou procurando essa imagem a semanas.

Obrigado desde já.

Deus abençoe

ARS disse...

Olá, Rafael.
Bem, infelizmente não poderemos ajudar, pois também onde conseguimos a imagem (arquivo jpg) não há referência sobre onde fica a imagem real, quem a fez ou quem a vende.
Deus nos abençoe.